A desinformação ainda é o maior obstáculo na prevenção do câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical. Durante o Março Lilás, campanha dedicada à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância da vacinação contra o HPV e da realização de exames preventivos.
Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com o EVA Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, 42% das mulheres entre 18 e 45 anos afirmam que não tomaram ou não se lembram se receberam a vacina contra o HPV. Mais da metade (58%) disse que não se imunizou por acreditar que “não é para a minha idade”, enquanto 41% apontaram o custo da vacina como motivo.
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HPV é responsável por quase 100% dos casos de câncer do colo do útero
O papilomavírus humano (HPV) está por trás de quase 100% dos casos de câncer do colo do útero. De acordo com o Ministério da Saúde, os tipos 16 e 18 do vírus são responsáveis por cerca de 70% das manifestações da doença.
O câncer cervical é o terceiro mais frequente entre as mulheres brasileiras e a quarta causa de morte por câncer nesse público.
Dados citados na pesquisa reforçam o impacto da doença:
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Cerca de 19 mulheres morrem todos os dias no Brasil devido ao câncer de colo do útero
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O câncer de colo do útero é o que mais mata mulheres até os 35 anos
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É o segundo que mais mata até os 60 anos
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O HPV está por trás de 99% dos casos desse tipo de câncer
- É possível se prevenir com vacinação
Apesar disso, 82% das entrevistadas desconheciam parte dessas informações.
A prevenção é possível por meio de vacinação, exames de rotina e tratamento de lesões pré-cancerígenas. A vacina é indicada para mulheres e homens de 9 a 45 anos. Já o exame papanicolau é fundamental para a detecção precoce de alterações celulares.
A seguir, especialistas esclarecem as quatro dúvidas mais comuns sobre o HPV.
1. A vacina contra HPV é indicada apenas para adolescentes?
Não. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) concentre a vacinação na faixa etária de 9 a 14 anos - para garantir a proteção antes do início da vida sexual, o imunizante é recomendado e eficaz para mulheres até os 45 anos.
Segundo a infectologista Luísa Chebabo, do laboratório Sérgio Franco, da Dasa, mesmo quem não se vacinou na adolescência pode (e deve) buscar a imunização na rede privada, conforme orientação médica.
2. A vacina contra HPV é segura e realmente funciona?
Sim. Existe receio quanto à eficácia do imunizante, mas a infectologista destaca que a vacina tem mais de 15 anos de uso consolidado no mundo.
“Países com alta cobertura vacinal registraram quedas drásticas em infecções e lesões precursoras de câncer do colo do útero. A vacina protege contra os tipos virais de maior risco”, afirma.
3. Quem já teve HPV ou já se vacinou precisa fazer o papanicolau?
Sim, em ambas as situações. A ginecologista Martha Calvente, da clínica CDPI, também da Dasa, reforça que a vacina não substitui os exames preventivos.
“Quem já teve o vírus ainda se beneficia da vacina, pois ela protege contra outros subtipos aos quais a pessoa ainda não foi exposta. Para quem já se imunizou, é importante dizer que isso não elimina a necessidade de fazer o exame papanicolau, que continua sendo essencial para detectar alterações celulares precoces”, explica.
O câncer do colo do útero tem progressão lenta e pode ser tratado antes de se tornar um tumor invasivo, desde que identificado precocemente.
4. Homens também devem se preocupar com o HPV?
Sim. De acordo com Guenael Freire, infectologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, o HPV também pode causar verrugas genitais e câncer de pênis, ânus e boca nos homens.
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“Além disso, eles podem transmitir o vírus mesmo sem apresentar sintomas. A vacinação de meninos e homens é uma estratégia fundamental de saúde pública. Ao ampliar a cobertura vacinal, reduzimos a circulação do vírus na população e fortalecemos a proteção coletiva, o que beneficia diretamente as mulheres”, afirma.
