Estamos há poucas semanas do Natal e réveillon. Nesta época a felicidade parece estar no ar. Ela aparece nas luzes dos shoppings coloridas, nas praças enfeitadas e nas propagandas de TV, que vendem, a todo instante, a ideia de que deve-se ficar feliz neste período, no melhor estilo ‘gratiluz’ e good vibes. Há ainda a pressão da família, dos colegas e dos amigos, o que acaba acarretando, em um desgaste paradoxal: pessoas ficam infelizes porque se sentem na obrigação de estarem “bem”, “para cima”. Prova disso é que o Centro de Valorização da Vida (CVV) divulgou que, no mês de dezembro, principalmente durante o período de datas comemorativas, as ligações de pessoas pedindo ajuda costumam aumentar 15%.
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Há ainda, segundo a psicóloga, os casos em que as pessoas acabam comprando em excesso, nestas datas, apenas para camuflar as tristezas, decepções e inseguranças diante da vida.
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Há ainda, segundo a psicóloga, os casos em que as pessoas acabam comprando em excesso, nestas datas, apenas para camuflar as tristezas, decepções e inseguranças diante da vida.
Como lidar com essa época?
O trabalho voluntário em instituições filantrópicas, segundo a psicóloga, pode ser uma alternativa nesse caminho. “Quando ajudamos os outros de forma genuína, começamos a nos sentir mais úteis e a buscar os pequenos prazeres em algo que está dentro de nós e não nas circunstancias ou nos outros”, pontua.
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Ainda de acordo com Adriane Pedrosa, a partir do momento em que desenvolvemos essa postura humana, vamos nos nutrindo com sentimentos mais positivos, capazes de preencher a alma, como o amor, a bondade e a resiliência. “O final do ano e a forma midiática como ele é vendido é algo que sempre vai existir. O mais importante é tentarmos entender que esse momento é só uma convenção estabelecida em calendário. O que deve mudar é a nossa postura, ou seja, como encaramos essa passagem e quais forças iremos precisar para superarmos insucessos, traumas e até perdas, que vão além de Natal e réveillon.