Jornal Estado de Minas

COLUNA VERTEBRAL

Espondilolistese: especialista comenta cirurgia submetida por Alcione

A cantora Alcione, de 74 anos, foi submetida a uma cirurgia na coluna vertebral para tratamento de espondilolistese. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa da artista. De acordo com o comunicado, ela tinha ainda um diagnóstico de discopatia degenerativa de L5.





O termo espondilolistese é usado para descrever diferentes doenças da coluna, nas quais uma vértebra escorrega fazendo com que ela saia do seu alinhamento normal.

 

"Ocorre um escorregamento entre as vértebras causando tração e compressão, tanto da medula quanto das raízes envolvidas nesse segmento", explica André Evaristo Marcondes, ortopedista e especialista em cirurgia de coluna.

A maioria dos casos de espondilolistese são de origem degenerativa ou por lesão de uma estrutura conhecida como "pars interarticularis", causando sintomas geralmente insidiosos. Isso significa que o quadro se inicia com episódios de lombalgia (dor lombar) de leve intensidade.





 

De acordo com Marcondes, o quadro evolui progressivamente no decorrer da vida para dores lombares cada vez mais fortes, progredindo para irradiação da dor para membros inferiores, com característica progressiva da intensidade da dor.

 

"O quadro pode evoluir e chegar à perda de sensibilidade, perda de movimento nas pernas e alterações geniturinárias e gastrointestinais, como perdas urinárias e perda do controle dos esfíncteres", afirma o médico.

 

A espondilolistese tem vários tipos, podendo ser de origem congênita por lesão da "pars interarticularis", até causas menos frequentes, como malformação congênita não específicas, lesões iatrogênicas, lesões tumorais e discopatia degenerativa grave.





Tratamento

 

A espondilolistese possui tratamento em todas as suas formas de variações. O ortopedista salienta que, em primeiro lugar, é interessante saber que ela é dividida em graus.

 

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"O grau 1 corresponde ao escorregamento mínimo de até 25% de uma vértebra sobre a outra, e o grau 5 é conhecido como espondiloptose, onde uma vértebra desloca de maneira completa perdendo contato com o segmento adjacente", esclarece.

 

Segundo André, o tratamento depende do grau de escorregamento e dos sintomas no paciente. Ele pode ser feito com uso de colete durante as crises agudas de dor, medicamentos sintomáticos, injeção de corticóide, fortalecimento muscular através de atividades físicas de baixo impacto, podendo chegar até a necessidade de abordagem cirúrgica em casos mais graves da doença.

* Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata