Jornal Estado de Minas

EXECUTIVO

Alckmin: casas de Bertioga podem receber desabrigados da chuva


São Paulo - O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou, ontem, que o governo federal estuda destinar moradias construídas em Bertioga (SP) para abrigar as famílias de São Sebastião, que estão desabrigadas após os temporais que atingiram a região durante o carnaval e causaram 58 mortes. Governador de São Paulo por quatro mandatos, ele fez sobrevoo na região devastada. Antes, reuniu-se com a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; o ministro de Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; e o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto.





No último dia 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também esteve em São Sebastião e pediu que não sejam mais construídas casas em encostas, como forma de evitar novas tragédias.

Segundo Alckmin, a opção por Bertioga é uma medida de emergência, até que o governo construa as unidades habitacionais necessárias para acolher os moradores da cidade do litoral norte paulista que perderam suas casas. “Seria por emergência. Depois, é claro, teremos que construir as unidades habitacionais necessárias”, afirmou Alckmin, em entrevista coletiva em São Sebastião.


Ele explicou que serão 1,5 mil apartamentos construídos na cidade vizinha com recursos estaduais e municipais. Alckmin disse que pretende conversar com o prefeito de Bertioga, Caio Matheus, e com a Caixa Econômica Federal para avaliar a possibilidade de destinação dos imóveis para socorrer os moradores de São Sebastião. “É um programa chamado Entidades, mas, de repente, uma parte disso pode ser cedido para famílias daqui ”, acrescentou. “Vamos verificar com a Caixa Econômica Federal e com a prefeitura para que uma parte pequena possa ser liberada”.





Durante a entrevista, Alckmin destacou também que a habitação é uma prioridade do governo federal. “O presidente Lula já se comprometeu com a questão da habitação. No extra-teto, chamado waiver , o recurso que mais cresceu foi para a área de habitação. Foram R$ 10,5 bilhões. Terá prioridade aqui as regiões de risco e o nosso litoral”.

De acordo com Alckmin, o governo federal pretende auxiliar o paulista e as prefeituras na construção de moradias populares no litoral norte, que foi muito atingido pelo temporal do último finm de semana. "Uma das dificuldades é conseguir terreno seguro e juridicamente possível é superimportante", afirmou. "O governo do estado pode contar com o Ministério das Cidades, com a área habitacional, para ser parceiro no financiamento dos recursos para as unidades habitacionais. A prioridade são as famílias de baixa renda".

O vice-presidente também informou que será analisada a possibilidade de alterar lei federal que obriga a Defesa Civil a enviar SMS (os chamados torpedos) de alerta de desastres para a população. A mudança, segundo afirmou, é que alertas cheguem aos celulares por outras formas de comunicação, não somente por SMS.





Na sexta-feira, uma comitiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também visitou São Sebastião para organizar ações de ajuda humanitária na região. Após sobrevoar as áreas afetadas pelas tempestades, o ouvidor nacional dos Direitos Humanos, Bruno Renato, reforçou a necessidade de mapear a região para enviar ajuda aos locais de mais difícil acesso. “É importante ter mais informações de onde as equipes precisam imediatamente atuar não só no resgate, mas também na acomodação das pessoas que ainda estão isoladas”, disse, conforme publicação no site do ministério. “Vamos continuar mobilizados no apoio ao município de São Sebastião e a toda região afetada”, completou.

O ministério disponibilizou o Disque 100 para apoiar as vítimas da tragédia no litoral norte paulista, que podem ligar para o número para pedir ajuda ou solicitar informações sobre desabrigados ou desaparecidos. O serviço, segundo o ministério, é disponibilizado todos os dias da semana, 24 horas por dia.

CHUVA RECORDE


Os temporais que devastaram municípios do litoral norte paulista no carnaval foi uma das maiores tragédias da história do estado. Foi também o maior acumulado de chuva registrado no país, atingindo a marca de 682 milímetros em Bertioga e 626 em São Sebastião. Os temporais deixaram um rastro de destruição e mortes. A região mais atingida foi a Barra do Sahy, em São Sebastião, onde houve desmoronamento de encostas e soterramento de casas e de pessoas. Segundo o último boletim divulgado pelo governo paulista, uma pessoa morreu em Ubatuba e 58 mortes em São Sebastião. Desse total, 53 corpos já foram identificados e liberados para enterro, sendo 19 homens adultos, 17 mulheres adultas e 17 crianças. Há ainda 4.076 pessoas fora de suas casas na região, sendo 2.251 desalojados e 1.815 desabrigados.





A Defesa Civil divulgou novo alerta de temporais para este fim de semana. Até amanhã a região está em estado de atenção por causa de pancadas de chuvas com forte vento e probabilidade de granizo. Em caso de emergência, a Defesa Civil pede que a população acione o 199. “Há previsão para pancadas de chuvas, acompanhadas por descargas elétricas, fortes rajadas de vento e granizo em algumas regiões do Estado de São Paulo. Diante deste cenário, recomenda-se atenção especial às áreas mais vulneráveis, pois pode haver risco de deslizamentos, desabamentos, alagamentos, enchentes e ocorrências relacionadas a raios, ventos e granizo”, informou o órgão.