Por Leonardo Godim
A violência política no Brasil bateu recorde nos dois últimos meses antes do primeiro turno das eleições deste ano. Em apenas 60 dias, foram registrados 121 assassinatos, atentados, ameaças, agressões, ofensas, criminalizações e invasões, somando 247 casos em 2022 – 436% a mais que em 2018, com 46 casos.
Uma pessoa foi vítima de violência política a cada 26 horas. Até 2018, casos desse tipo ocorriam a cada 8 dias. O número cresceu drasticamente a partir de 2019 – 136 ocorrências, uma a cada 2 dias; e chegou a 151 casos em 2020, a última vez que os eleitores brasileiros foram às urnas.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (10/10), na segunda edição da pesquisa Violência política e eleitoral no Brasil, elaborada pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.
A pesquisa analisou o período entre 1 de agosto e 2 de outubro, e leva em conta apenas candidatos, lideranças partidárias e assessores. Foram considerados apenas os casos divulgados na mídia, o que sugere que podem ter ocorrido ainda mais situações de violência.
São Paulo (23), Minas Gerais (17) e o Rio de Janeiro (15) despontam como os estados onde ocorreram mais situações de violência política.
Perfil das vítimas
A segunda edição da pesquisa indicou que 59% das vítimas de violência política são homens cisgêneros, que são ao mesmo tempo a maioria em representação em espaços em poder. Por sua vez, as mulheres, que representam 16% das pessoas eleitas em 2020, foram vítimas de 36% dos casos de violência política. Elas foram as maiores vítimas de ameaças e ofensas.
Mulheres trans e travestis foram alvo de 5% dos episódios de violência.
Apesar de serem minoria entre os eleitos, pessoas negras são 48% das vítimas de violência política onde foi possível identificar cor e raça.
Vereadores em exercício (14 casos) e candidatos ou pré-candidatos a deputado federal e estadual (77 casos) foram a maioria das vítimas na classificação por cargos eletivos.
Entre os partidos das vítimas, PT e PSOL representam mais de um quarto das ocorrências, com 38 casos de violência contra seus candidatos e lideranças. O terceiro partido com maior número de vítimas, o PL, teve 11 casos – 71% a menos que os outros dois partidos.
“Se na primeira pesquisa vimos que a violência política atingia todos os partidos de diferentes espectros políticos, nesta segunda edição, percebemos uma concentração de ataques a partidos de centro-esquerda e parlamentares que atuam na defesa de direitos humanos, da população LGBTQIA+ e na pauta antirracista”, apontou Glaucia Marinho, coordenadora da Justiça Global.
Eleitores e militantes
Apesar do foco da pesquisa, essa onda não se restringiu a candidatos e lideranças partidárias. Somando as violências cometidas contra militantes de movimentos sociais, eleitores, funcionários de campanha, cabos eleitorais, agentes de segurança e jornalistas, os casos de violência política nos dois últimos meses chegam a 189.