Jornal Estado de Minas

ARTICULAÇÃO

PL acena com união Zema-Bolsonaro e fará reunião sobre apoio a governador

As lideranças mineiras do Partido Liberal (PL), que abriga Jair Bolsonaro, começam a se articular para dar fôlego à campanha do presidente no segundo turno da eleição nacional. Deputados federais e estaduais do PL devem se reunir na quarta-feira (5/10), em Belo Horizonte, para definir se a legenda vai embarcar na base aliada formal ao governador Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa.



O movimento pró-Zema deve acarretar no apoio do governador à reeleição de Bolsonaro. Hoje, mais cedo, o vencedor da corrida ao Palácio Tiradentes manifestou interesse em levar, ao grupo situacionista, os nove deputados estaduais eleitos pelo PL.

Segundo apurou o Estado de Minas, o ingresso do PL na base de Zema não é tratado como empecilho. Sete dos assentos do partido de Bolsonaro na Assembleia de Minas vão ser ocupados por candidatos que fizeram campanha pela reeleição do governador, mesmo com o correligionário Carlos Viana tendo disputado o poder Executivo estadual. A tendência, portanto, é que o partido fique na base de Zema.

A ideia do PL é reunir os vencedores da eleição em Minas para, em conjunto, "bater o martelo" sobre os rumos locais da legenda.

"Entendo que as decisões partidárias têm que ter a participação, também, dos parlamentares federais e estaduais", disse, ao EM, o ex-deputado José Santana, presidente do diretório estadual dos liberais.



Zema deseja oficializar o apoio a Bolsonaro até quarta-feira (5). Segundo ele, as conversas por uma união estão "adiantadas".

"Estamos com as conversas bem adiantadas. Vale lembrar que não sou do partido do presidente. Ele teve, aqui, um candidato a governador (Carlos Viana); eu tive um candidato a presidente (Felipe d'Avila). As conversas que tivemos hoje estão caminhando muito bem. É provável que amanhã ou depois a gente já anuncie o apoio ao presidente", projetou, em entrevista à "GloboNews".


Bolsonaro deve ter comitê de campanha em BH


Paralelamente aos trabalhos para garantir a adesão de Zema, o PL mineiro atua para fortalecer a campanha de Bolsonaro no estado. O partido, inclusive, está em tratativas para alugar um imóvel e instalar, na capital mineira, um comitê em apoio à campanha do presidente pela reeleição. Em Minas, nos votos válidos, Bolsonaro perdeu por 43,6% a 48,29% para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No plano nacional, a vitória petista foi por 48,43% a 43,2%.



O PL mineiro ganhou importância estratégica para Bolsonaro neste segundo turno, porque elegeu o deputado federal mais votado entre os 593 eleitos. Vereador de Belo Horizonte, Nikolas Ferreira foi escolhido por 1.492.047 cidadãos - na Assembleia, também houve recorde, mas com Bruno Engler, reeleito e dono de 637.412 votos.

Aproximação coroa gestos feitos desde o 1° turno


O desejo de Bolsonaro era dividir palanque com Romeu Zema já no primeiro turno da eleição. O governador mineiro, contudo, optou por seguir com Felipe d'Avila, presidenciável do Novo. O presidente, então, lançou Carlos Viana na disputa a fim de não ficar desabrigado em Minas Gerais.

A ideia inicial era impulsionar Viana e garanti-lo com dois dígitos das intenções de voto. Assim, Zema seria obrigado a disputar um segundo turno e poderia precisar do apoio de Bolsonaro.



Durante a campanha, Bolsonaro fez poucos pedidos diretos de voto a Viana. Quando acenou ao correligionário, contudo, evitou associar os elogios a críticas a Zema.

Ontem, em Brasília (DF), após a confirmação do segundo turno nacional, o presidente assegurou o início dos contatos por um acordo com Zema. "Vamos fazer contato, já fizemos hoje (domingo). Conversamos com o interlocutor do Zema. As portas estão abertas para conversar", falou.

Atualmente, os representantes do PL no Parlamento mineiro compõem o bloco de deputados de orientação independente em relação ao governo. Na prática, contudo, a maioria dos parlamentares liberais vota a favor de Zema na grande maioria dos projetos em debate.