Um médico prescreveu inalação de hidroxicloroquina diluída para um paciente na cidade de Alecrim (RS), na fronteira com a Argentina, apesar de o método não fazer parte do protocolo do Ministério da Saúde para combate à COVID-19. O homem de 69 anos morreu dois dias depois de receber o “tratamento”.
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Eles também relatam que o paciente relatou piora após passar pelo procedimento.
O paciente de 69 anos recebeu quatro nebulizações da cloroquina. Elas aconteceram por meio de apenas um comprimido, que foi repartido em quatro pedaços menores e diluídos. Tudo aconteceu em 20 de março.
O prontuário médico do dia posterior, 21, informa que o idoso teve complicações do seu quadro de saúde. Neste segundo dia, o paciente não recebeu as sessões de inalação de cloroquina, apenas o remédio via oral, como recomenda a bula do medicamento.
Apesar de também não ter comprovação científica, a ingestão oral faz parte do protocolo do Ministério da Saúde para combater a virose. O procedimento é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Em depoimento ao “GZH”, o médico Paulo Gilberto Dorneles se disse tranquilo, apesar de confessar que não prescreveu o método para outros pacientes de Alecrim.
“Usamos uma dose ínfima, quase um placebo. Não alterou em nada o quadro. Usamos como tentativa enquanto aguardávamos leito de UTI. Eu com o paciente ruim, sem leito de UTI, tu sabes o que é trabalhar no interior, sem condições. Então a gente usou, foi feita a tentativa, mas em dosagem ínfima porque a gente não tinha segurança da validade”, afirmou.