Jornal Estado de Minas

TESTES

Voluntário brasileiro que morreu durante testes de vacina da Oxford recebeu placebo, diz agência

O médico João Pedro R. Feitosa, 28 anos, voluntário que participava dos testes da vacina de Oxford em parceria com a AstraZeneca, que morreu por complicações da COVID-19, não recebeu doses da vacina. De acordo com a agência Bloomberg, o médico recém-formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fazia parte dos voluntários que recebeu placebo. Segundo a reportagem, a fonte da matéria é um parente de João.





Nesta segunda-feira (19), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou em nota que foi notificada do óbito pelo comitê independente que acompanha o caso.

Segundo a agência, foi sugerido o prosseguimento do estudo. "O processo permanece em avaliação", informou.

A AstraZeneca afirmou que não pode comentar casos individuais devido à confidencialidade e às regras do estudo.

"Obedecemos estritamente à confidencialidade médica e às regulamentações relativas a estudo clínicos e, em linha com esses princípios, podemos confirmar que todos os processos de revisão exigidos foram seguidos", diz a nota.




 
A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)  também emitiu uma nota de pesar. O jovem tinha se formado na faculdade no ano passado.
 

A vacina da Oxford


A vacina desenvolvida em parceria entre o laboratório AstraZeneca e a Universidade de Oxford é uma das principais apostas do governo federal para uma futura campanha de vacinação.

Isso porque o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) rejeitou a compra  de 46 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra COVID-19 produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. 
 
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A pesquisa da Oxford está na fase 3 dos testes. Os testes começaram no Brasil em junho. 




 

Confira nota da UFRJ na íntegra: 

 "Foi com profundo pesar que a Reitoria da UFRJ teve ciência que nosso ex-aluno João Pedro Rodrigues Feitosa faleceu na última quinta-feira, 15/10, decorrente de complicações da COVID-19.

Formado no curso de Medicina da Universidade, João — que inclusive foi aluno da reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho — estava atuando na linha de frente no combate ao coronavírus nas redes privada e municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Carioca, João tinha 28 anos. Ele ingressou em 2014 e concluiu o curso em julho de 2019 com a distinção de dignidade acadêmica “Cum Laude”, quando o aluno finaliza a graduação na UFRJ com coeficiente de rendimento acumulado igual ou maior que 8. João teve nota final 8,7.





Segundo informações veiculadas pela imprensa, João foi voluntário em instituto privado de pesquisa na participação de testes clínicos da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo laboratório Astrazeneca. Lembramos que a UFRJ não atua na testagem de vacinas estrangeiras e segue no desenvolvimento de pesquisa própria para imunização contra a COVID-19.

A Reitoria da UFRJ — juntamente com toda a comunidade universitária — presta sinceras condolências aos familiares e amigos do nosso ex-aluno em meio a esse momento de tristeza que ceifou a vida do João, que havia acabado de se diplomar e não poupou esforços para atuar no enfrentamento da pandemia de COVID-19 que já acumula mais de 40 milhões de casos no mundo.

Desejamos e transmitimos toda força neste momento de profunda consternação.

Reitoria da UFRJ

21/10/2020"

*Estagiária sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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