Jornal Estado de Minas

PANDEMIA

Testes positivos para COVID-19 voltam a subir em BH; entenda

A proporção de testes positivos para COVID-19 passou de 3% para 6% em duas semanas, em Belo Horizonte. O aumento dos novos casos da doença, que já matou 8.246 pessoas na capital mineira até essa quarta-feira (9/11), ainda não afeta a demanda por internações hospitalares nem no coeficiente de óbitos.






De acordo com a Prefeitura de BH, mesmo com o registro de crescimento dos testes positivos, a administração municipal ainda não detectou ocorrências das duas novas subvariantes do Coronavírus, que têm provocado picos de transmissão em países da Europa, no Japão e nos Estados Unidos.
 
“A Prefeitura de Belo Horizonte monitora sistematicamente os indicadores relacionados à pandemia por COVID-19, com vistas à implementação mais oportuna das medidas cientificamente indicadas e adequadas à realidade local e ao cenário epidemiológico”, afirmou o executivo. 

Na semana passada, o infectologista e ex-integrante do Comitê de Enfrentamento á COVID na cidade Carlos Starling afirmou ao Estado de Minas que, nos próximos dias, o número de casos e internações em decorrência da infecção deve aumentar. Isso se deve à “nova versão” do vírus que tem “desafiado” as vacinas já aplicadas em todo o mundo.





“A perspectiva para as próximas semanas e meses não é muito boa. E o que é mais importante, que são as medidas de prevenção à contaminação, foram relaxadas ao mesmo tempo. Muitas pessoas esqueceram que nós ainda estamos no meio de uma pandemia”, afirma Starling. 

Nova variante

No dia 19 de outubro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) determinou que a COVID-19 continua sendo uma emergência global, o que pode ajudar no desenvolvimento de pesquisas sobre o tema. Mesmo que, na época, o número de casos estivesse caindo, a decisão do órgão foi tomada por continuar sendo um evento de saúde pública que ainda afeta a população mundial. 

Dois dias depois, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) chamou atenção para a possibilidade do surgimento de uma nova linhagem da variante Ômicron. A BQ.1 e sua subvariante BQ.1.1 poderão dominar os casos de contaminações no continente até dezembro deste ano. 





Segundo o órgão, além de ser uma mutação de uma variante do SARS-COV-2, vírus transmissor da doença, estudos preliminares dão conta que a BQ. tem capacidade de fugir da resposta imune do corpo, mesmo com as vacinas.

“Melhorar a aceitação da vacina da COVID-19 no curso primário e na primeira dose de reforço em populações que ainda não as receberam continua sendo uma prioridade. Espera-se que sejam necessárias doses de reforço adicionais para os grupos com maior risco de doença grave, como adultos com mais de 60 anos, indivíduos imunocomprometidos, aqueles com condições médicas subjacentes e mulheres grávidas”, afirmou o ECDC. 

Vacinação

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde reiterou a importância da vacinação contra a COVID. Conforme a pasta, até o momento, apenas 37,2% da população com mais de 40 anos tomou a quarta dose do imunizante. O cenário fica mais complicado quando analisado a aplicação nas crianças de 3 a 4 anos de idade, em que apenas 23,4% receberam a primeira dose da vacina.





Até ontem, 96% da população de Belo Horizonte (2.354.213 pessoas) já haviam tomado a primeira dose da vacina. Desse total, 2.167.626 completaram o esquema vacinal com a segunda dose, e 1.826.725, com a dose de reforço. Já 479.723 foram aos postos de saúde para tomar a quarta dose do imunizante.

Apesar dos números, Carlos Starling explica que a chegada da nova sub variante da Ômicron pode colocar a população em risco. Isso porque, conforme o especialista, as vacinas distribuídas pelo Ministério da Saúde não estão atualizadas para a mutação, mesmo o imunizante já estando disponível para compra em todo o mundo. 

“Mais uma vez o Ministério da Saúde deste governo está sendo negligente. Nós estamos com a compra das vacinas já ajustadas para a Ômicron atrasada”, diz. 

Starling afirma que, com a chegada da BQ.1, idosos, pessoas com comorbidade e aquelas que ainda não tomaram o primeiro reforço estarão mais vulneráveis. “Hoje, morrer de COVID já não é aceitável, porque nós já temos formas de abordagem contra a doença. Seja na prevenção, tratamento inicial ou tratamento das formas mais graves”, concluiu.

Quanto à ampliação da cobertura vacinal da quarta dose em Minas Gerais e em BH, o Governo de Estado afirmou que segue as recomendações do Ministério da Saúde, mas que não há previsão para expansão do grupo a que as doses são destinadas. A PBH também afirmou que aguarda determinação do Governo Federal e o envio de novas remessas de vacinas.