Jornal Estado de Minas

PANDEMIA

Mortes em asilos de Minas deixam autoridades de saúde em alerta

A morte de sete residentes em um lar para idosos em Alfenas, no Sul de Minas, é só um alerta para a necessidade de cuidados redobrados que esse tipo de estabelecimento precisa ter nesta pandemia de COVID-19. Em Belo Horizonte, a prefeitura firmou parceria com a Hospital das Clínicas (HC) da UFMG para a criação do Projeto ILPI BH, que vai atender e monitorar a condição de saúde do público atendido pelas instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) na capital mineira.





O cuidado faz sentido, pois em alguns países, como os EUA, o número de mortes em asilos e casas de acolhimento de pessoas mais velhas representa quase metado do total, segundo o jornal The New York Times. Em outros, como o Canadá, os dados são ainda piores, chegando a 80%.

A avaliação de especialistas é que as ILPIs reúnem todas as condições para a transmissão do novo coronavírus: ambiente fechado, aglomeração e idosos frágeis, que são mais susceptíveis às formas mais graves da infecção “por apresentar baixa reserva homeostática e múltiplos fatores de risco, tais como hipertensão arterial, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares”.

“Todos os países do mundo estão tomando cuidado, pois os asilos são um foco enorme. Aqui (no Brasil) não vamos ter esses dados, pois não perguntam se o idoso mora em asilo ou não. Às vezes, colocam o endereço de um familiar, de quem estiver acompanhando”, afirma o médico Jáder Freitas, subcoordenador do ILPI BH

Segundo ele, no Brasil a situação deverá ser até pior que em países de Primeiro Mundo se nada for feito. “O olhar está aquém do que se precisa, mas Belo Horizonte acordou, convocou o HC para coordenar o projeto, pois a COVID-19 afeta muito os idosos frágeis, principalmente os de asilo.”





Para minimizar a situação na capital, foram criadas cinco equipes compostas por sete profissionais de saúde: dois geriatras, quatro médicos em treinamento em geriatria e um enfermeiro especializado em saúde do idoso.

Para completar, robôs fazem o atendimento on-line e informam as equipes em caso de presença de qualquer dos sintomas das doença.

“Se um idoso é diagnóstico com COVID-19 significa que o vírus conseguiu entrar na ILPI. Neste caso, está indicada a testagem de todos que trabalham ou vivem na casa. Essa é a única maneira de identificar os demais idosos e funcionários que também apresentam a doença, mesmo os assintomáticos, para organizar um bloqueio do surto dentro da ILPI. E é assim que tem sido feito graças a essa parceria com a PBH e a Fundação Ezequiel Dias (FUNED)”, explica Freitas.

Ele ressalta que, até 15 de julho, 35 pacientes foram retirados de casas e 70% deles testaram positivo para o novo coronavírus.

Segundo o médico, só com essas medidas será possível impedir que se repita o que ocorreu em Alfenas, onde 29 pessoas, entre residentes e funcionários, foram diagnosticados com a doença. “É covardia apontar o dedo para os donos das casas. É uma coisa nova para todo mundo. Somos todos co-reponsáveis pelo quadro que está aí.”





Em outro hospital universitário, o de Juiz de Fora, a avaliação é a mesma. Segundo o médico Rodrigo Daniel de Souza, o ideal é que a ILPIs sigam as dicas da Nota Técnica Nº 5 da Anvisa (atualizada pela última vez em 24 de junho), mantendo os residentes em quartos privativos, tendo funcionários de dedicação exclusiva, evitando servir refeições em espaços comuns, aferindo temperatura corporal duas vezes ao dia, incentivando a limpeza das mãos e uso de máscaras, individualizando utensílios e higienizando objetos como corrimãos.
 
“É uma área de extremo risco, e as medidas têm de ser ainda mais radicais. É pior que um hospital, pois o principal fator de risco é a idade. Estamos diante do pior cenário possível, e o controle tem de ser muito rigoroso. Qualquer sintoma, por mínimo que seja, merece toda a atenção, tem de ser testado, tirado do convívio. Não adianta esperar que o paciente preencha todos os critérios”, afirma o infectologista.

Rodrigo Daniel de Souza também recomenda restringir visitas, ainda que seja dolorido para todos: “Ofereçam alternativas aos familiareas, como contatos virtuais”.
 

COVID-19 em Alfenas 

 
Depois de confirmados os casos no Lar São Vicente de Paulo, os residentes foram removidos para outros locais, onde aguardam resultado dos testes.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) divulgado nesta quarta-feira (22), Alfenas têm 134 casos de COVID-19 confirmados e oito mortos pela doença.