Jornal Estado de Minas

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Setembro Amarelo: a íntima relação entre saúde financeira e saúde mental


Você tem vivido momentos de mais angústia, medo, irritação, tristeza e ansiedade? Pois saiba que essa não é uma exclusividade sua e sentimentos como esses se tornaram ainda mais frequentes no contexto da pandemia. Seja pela falta de contato social, pela carga excessiva de trabalho, pela impossibilidade de fazer atividades físicas como antes ou qualquer outra razão particular, quase todo mundo teve a saúde mental afetada de alguma forma durante os últimos meses.







Paralelamente a isso, ainda precisamos lidar com as questões financeiras, que têm se tornado mais desafiadoras do que nunca. Muita gente perdeu o emprego, parte da renda ou a pessoa responsável pelas despesas da casa ou da família. E mesmo quem não perdeu algo ou alguém concretamente, viu o seu poder de compra reduzir drasticamente, com o aumento acelerado do preço de produtos e serviços de quase todos os setores.

E é nesse contexto que se torna urgente discutirmos um tema que precisa da nossa atenção: a relação entre saúde mental e saúde financeira. Você já tinha parado pra pensar o quanto essas duas áreas da sua vida estão intimamente ligadas? Eu aproveitei a ocasião do Setembro Amarelo, campanha de combate e prevenção ao suicídio coordenada pelas entidades de saúde, pra pensar sobre isso.

No artigo de hoje, vou falar sobre essa relação e te ajudar a entender quais caminhos você pode seguir para alcançar o tão sonhado equilíbrio - da mente e do bolso!

Acompanhe!

Os impactos diretos da saúde financeira na saúde mental


Pensando no contexto do Setembro Amarelo e para mostrar os impactos da saúde financeira na saúde mental de forma bastante incisiva, eu quero começar esse tópico falando de um tema bastante sensível: o suicídio. Apesar de não poder afirmar que problemas financeiros estão diretamente ligados a taxas de suicídio, alguns estudos e dados estatísticos levantados por pesquisadores nos levam a concluir que pode existir, sim, uma relação.





De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, por exemplo, quase 80% dos suicídios cometidos mundialmente são reportados em nações de baixa e média renda. Se você acha que é mera coincidência, precisa saber que um estudo publicado em 2013 pelo British Medical Journal reuniu as estatísticas de 54 países e mostrou que, em 2009, foram registrados 4.900 suicídios a mais do que a média registrada nos últimos anos. Coincidentemente ou não, o aumento desse índice ocorreu meses depois da crise econômica global de 2008, que afetou a vida financeira de milhões de pessoas.

São muitos os dados disponíveis e eu poderia fazer um texto inteiro só com eles. Mas, o mais importante é você saber que essa relação existe e que, geralmente, ela não é tão óbvia assim. Explicando: problemas financeiros podem acarretar distúrbios emocionais que impactam a saúde mental das pessoas. E são esses distúrbios que podem acabar gerando pensamentos e comportamentos suicidas.

Conforme mostrou uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), por exemplo, cerca de 70% dos inadimplentes sofrem de ansiedade e outros impactos emocionais negativos por não conseguirem manter as contas em dia. E eu vou além. O próprio SPC também realizou outro estudo que mostrou que 46% dos casais brasileiros brigam por dinheiro. E o mais grave: desentendimentos causados por desequilíbrio financeiro são a segunda maior causa de divórcios no Brasil. E adivinha? Diversos estudos apontam o divórcio como uma das principais causas de suicídio no mundo.





O pesquisador japonês Eiji Yamamura, da Universidade de Seinan Gakuin, analisou os casos de divórcios e suicídios registrados no Ministério da Saúde, Trabalho e Previdência do Japão durante 13 anos. Ele concluiu que os ex-maridos têm duas vezes mais chance de adotarem comportamentos suicidas após o divórcio do que as ex-esposas. E sabe o motivo? O dinheiro! O gatilho para acabar com a própria vida, de acordo com as conclusões desse pesquisador, é que a tendência ao suicídio aumenta graças aos custos que os homens tendem a assumir depois da separação.

Não é impactante?

Entendendo a relação de causa e consequência


Depois de tantos casos, imagino que a relação entre saúde mental e saúde financeira tenha ficado mais clara do que nunca pra você, não é mesmo? Mas, eu preciso fazer um alerta importante: quando a gente fala dos impactos das questões financeiras nas questões emocionais, não podemos nos esquecer que, muitas vezes, é difícil estabelecer o que é causa e o que é consequência nessa história. A relação entre as duas áreas, na verdade, diz respeito a um círculo vicioso e, se a gente não tomar consciência disso, corremos o risco de virarmos reféns dele.

É fácil perceber quando a depressão é uma consequência do endividamento. Mas, o contrário também acontece! É comum que pessoas com depressão ou emocionalmente fragilizadas usem as compras e os gastos excessivos como válvula de escape para sentimentos negativos. Ou que, devido às dificuldades emocionais, tenham dificuldade de manter a sua renda e, por isso, acabem se endividando. É exatamente aí que corremos o risco de entrar no círculo vicioso sem nem mesmo percebermos e sofrermos com o efeito "bola de neve", do qual é muito mais desafiador sair.





Na prática, muitas vezes acontece assim: você sente ansiedade, estresse, angústia ou tristeza, então você compra compulsivamente e assume gastos sem nenhum planejamento para tentar aliviar as emoções. Por conta desses comportamentos por impulso, você sente culpa, arrependimento e vergonha e, ainda, acumula dívidas com as quais você não pode arcar. Sabe o que tudo isso gera? Mais ansiedade, estresse, angústia e tristeza!

Ou então, devido ao aparecimento de doenças de ordem psíquica, você se sente com menos energia, disposição ou capacidade de exercer suas atividades normais e, por isso, passa a receber menos dinheiro do que recebia antes. Recebendo menos, fica difícil manter as contas em dia e, aí, estresse, irritação, ansiedade e outras questões emocionais acabam chegando também.

O nosso conforto diante desses cenários é saber que, por mais difícil que pareça, todo problema tem solução!

Como encontrar o equilíbrio entre o bolso e a mente


O primeiro passo para chegar lá você já está dando: buscar informação! É preciso procurar e encontrar caminhos que façam sentido para a sua realidade e não ficar comparando a sua vida com a de outras pessoas. Para isso, existem diversas plataformas de educação financeira voltadas para os mais diferentes públicos, e o que você precisa fazer é identificar os canais e as fontes de informação que conversam mais diretamente com as suas necessidades.

Informações adequadas e coerentes com a sua realidade vão te ajudar a cumprir outros passos essenciais para esse equilíbrio entre o bolso e a mente, como a definição de prioridades financeiras e a reorganização do seu orçamento - de forma que ele fique mais coerente com suas receitas e despesas.





Outra questão de extrema relevância e que jamais pode ser desprezada quando tratamos de saúde mental é a importância de falar sobre os nossos sentimentos. É claro que você não vai sair por aí contando sobre a sua vida financeira para desconhecidos ou chorando todas as pitangas para os amigos na mesa do boteco. Mas, é fundamental encontrar um ambiente seguro onde você possa falar sobre dinheiro, as suas dificuldades de lidar com ele e refletir de que forma a sua saúde mental é afetada por essas questões.

Enfim, o que posso dizer é que saúde mental e saúde financeira estão, sim, intimamente ligadas e que precisamos estar atentos a isso para manter o controle sobre a nossa própria vida. Se você gostou do tema do artigo de hoje e gostaria de evoluir nessa reflexão, te convido a baixar um material ainda mais completo sobre os impactos da saúde mental na saúde financeira - e vice-versa. Baixe agora e confira tudo o que você precisa saber para manter uma relação mais equilibrada entre a sua mente e o seu bolso.

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