Apesar de o Brasil não ser um grande produtor de macadâmias, Minas Gerais está expandindo em quase 20% sua área para a produção do fruto. De acordo com dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais(Emater-MG), hoje o estado conta com 276,4 hectares de área produtiva desta cultura, além de 51 hectares em formação.


Segundo Deny Sanábio, coordenador-técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, esse crescimento da produção de macadâmia vem sendo feito, principalmente, como um complemento de renda por produtores de café do Sul de Minas. “É uma cultura que produz fora da época de colheita do café, que é um período de grande demanda do produtor”, explica, acrescentando que o pé de macadâmia também pode ser uma opção de quebra-vento para os cafezais, atuando como proteção física, climática e de doenças, além de ser mais uma fonte de renda.


O engenheiro Antônio Alves Salgado já produz a macadâmia há mais tempo. Foi em 2001, quando morava na cidade do Rio de Janeiro, que começou a pesquisar sobre a cultura, quando se preparava para aposentar. Ele já tinha uma propriedade rural no município de Andrelândia, no Sul de Minas Gerais, onde foi implantando aos poucos a produção, até chegar às cerca de 3 mil árvores já em produção, ocupando de oito a 10 hectares.


Antônio conta que, com quatro anos, as árvores começam a produzir macadâmias, mas muito pouco, sendo que o volume comercial é atingido apenas após 10 anos do plantio. “O produtor tem que estar economicamente preparado, porque é uma cultura que vai começar a dar retorno do quarto, quinto, sexto ano em diante. Então, tem que ter recurso para manter a lavoura até lá”, confirma Deny Sanábio.


Pelo longo período entre o plantio e a colheita, o coordenador-técnico da Emater-MG recomenda que quem for investir na produção de macadâmia não deve se basear em seu preço atual de mercado. “Hoje, como existe uma produção baixa, a oferta é baixa e a demanda é crescente. Assim, o preço remuneratório é bom”, explica. No entanto, ele acredita que, devido ao investimento a longo prazo, a produção não vai crescer a ponto de derrubar o preço.


Antônio Alves confirma que o preço varia muito, citando como exemplo a pandemia, quando a China, o maior comprador de macadâmia do Brasil, interrompeu a demanda durante dois anos e foi preciso queimar as nozes. “Esse ano, a demanda está razoável e o preço está em um patamar adequado. Mas, como o mundo hoje está muito instável, não temos uma perspectiva em médio prazo para avaliar direito”, disse o produtor. Além da China, os Estados Unidos e a Europa são os maiores mercados consumidores da noz e é a sua demanda que define o preço.


VALOR AGREGADO

O produtor de Andrelândia conta que sua produção de macadâmias só vingou mesmo depois que ele se aposentou, em 2015, e voltou para a sua cidade. Atualmente, cada árvore da propriedade rende entre 10 e 15 quilos de macadâmia em casca. Ele conta que escolheu a cultura pela possibilidade de crescimento e o valor agregado alto, já que é pouco difundido no Brasil.


O fruto costuma ser recolhido do chão entre março e julho – por máquina ou manualmente – e não é colhido nas árvores. Para garantir a boa qualidade da noz, é recomendável não deixar o fruto muito tempo no chão e retirar, assim que possível, o carpelo – que é uma casca externa, mais mole que a casca interna. A ideia é não expor o fruto à umidade, deixando-o em um estaleiro de tela para secar. Alguns produtores também podem utilizar uma máquina para essa finalidade.


Antônio ressalta a dificuldade de obter mão de obra para recolher o fruto. Ele vende sua produção de macadâmia com casca para um indústria do interior de São Paulo, que exporta a maioria do produto, mas também tira a casca para vender no mercado interno. O produtor conta que, para beneficiar a noz, teria que ter quase uma indústria para tirar essa casca, que é muito dura, exigindo um investimento maior. Para cada quilo de macadâmia em casca resta, no máximo, 250 gramas de nozes.


Segundo o produtor, o manejo de plantio não é complicado. Atualmente, as mudas não são difíceis de ser encontradas, geralmente no Espírito Santo ou em Dois Córregos (SP), a capital nacional da macadâmia, mas o frete pesa um pouco no bolso. Na propriedade de Antônio, as fileiras de árvores são plantadas a cada 9 metros, com 4 metros entre as árvores de cada fileira.


Ele garante que, com esse distanciamento, não falta luz para as árvores, que, adultas, medem entre 6 e 8 metros de altura, com copas de 4 metros de diâmetro. O produtor conta que conhece pessoas que plantam café nessa faixa entre as linhas, para não desperdiçar espaço. Já a produção exige mais manejo. Antônio explica que a macadâmia está muito sujeita a pragas e por isso é preciso aplicar várias pulverizações com inseticida e fungicida, além de muito adubo foliar.


A macadâmia é nativa da Austrália, e a produção do fruto no Brasil começou nas décadas de 1970 e 1980. Hoje, os principais produtores de macadâmia no país são os estados de São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Bahia. Na última safra, Minas Gerais produziu 1.820,8 toneladas de macadâmia. A produtividade média no estado foi de 6,59 toneladas por hectare.

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O principal município produtor do fruto no estado é Guimarânia, no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, com 720 toneladas por ano em uma área de 60 hectares, com produtividade média de 12 toneladas por hectare. O segundo maior produtor é Muzambinho, no Sul de Minas, com 414 toneladas, porém, com uma área de produção de 92 hectares, com mais 30 hectares em formação, com produtividade média de 4,5 toneladas por hectare.

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