A empresa Acelen Renováveis alcançou uma série de avanços no seu projeto da produção de mudas e do cultivo do coco macaúba em escala comercial para o uso da espécie como matéria-prima do biocombustível para aviação. O Acelen Agripark, maior centro agroindustrial do mundo dedicado à macaúba, completa um ano de operação em Montes Claros. A unidade foi inaugurada em 29 de agosto de 2025, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Acelen, empresa de energia renovável do Fundo Mubadala Capital (com sede em Adu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos) tem previsão de iniciar a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Renovável (HVO) no começo de 2029, em uma refinaria que está sendo construída em Mataripe (BA), com um investimento de US$ 3 bilhões e a previsão de produzir 1 bilhão de litros de combustíveis por ano, por meio do da tecnologia Hidroprocessamento de Ésteres e Ácidos Graxos (HEFA). Porém, o megaprojeto visa a instalação de cinco refinarias de óleo de macaúba, ao longo cinco etapas, com investimento total podendo chegar a US$ 13, 5 bilhões.
Atualmente, o grupo concentra esforços na produção de mudas e no cultivo da macaúba e destaca que, no primeiro ano de funcionamento do Agripark, conseguiu expressivos avanços na sua biofábrica, considerada o coração tecnológico do projeto, com a melhoria do processo de germinação da macaúba.
Instalado com um investimento de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), o empreendimento reúne, em um único espaço, ciência, tecnologia e inovação para criar soluções que abrangem toda a cadeia produtiva da macaúba, desde a pesquisa genética e a produção de mudas até o processamento industrial dos frutos.
A partir de estudos realizados em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a empresa alcançou taxa de germinação superior a 80%, enquanto na natureza o percentual de reprodução da espécie varia de 3% a 5%.
O Acelen Agripark ocupa uma extensão de 138 hectares, próximo do distrito de Nova Esperança, a 24 quilômetros da área urbana de Montes Claros. No complexo foi montada uma estrutura de 1.500 metros quadrados de sala e um processo robotizado, com o uso de inteligência artificial, que permite escarificar (facilitar a reprodução) da macaúba. O equipamento robotizado conta com um sistema que perfura a semente (o coco propriamente dito) e facilita a saída do embrião. Com a inovação, o ciclo de germinação da espécie em laboratório foi reduzido drasticamente para cerca de 30 dias, enquanto que, na natureza, o tempo de reprodução da espécie é de no mínimo um ano, podendo demorar até dois anos.
A estrutura tem capacidade para escarificar até 1,7 milhão de sementes por mês, tornando possível a produção de muda em escala comercial. O complexo conta com o LabNext, laboratório responsável pelas atividades de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e controle de qualidade. Dispõe ainda de usina piloto de extração do óleo de macaúba, viveiros e áreas experimentais, conectando pesquisa científica, produção de mudas e processamento da espécie nativa.
“Com o processo robotizado, a escarificação das sementes torna-se mais padronizada, precisa e eficiente, reduzindo a variabilidade e as possibilidades de erro operacional, além de aumentar a produtividade e a capacidade de produção”, explica Maria Theresa Assis Batista, supervisora de Laboratório do Agripark. “Por meio dos nossos protocolos e processos, aliados à tecnologia empregada na escarificação, alcançamos taxas superiores a 80% de germinação, aumentando significativamente a eficiência e a previsibilidade do processo”, completa.
Com capacidade instalada para realizar até 160 mil análises por ano, 87 equipamentos de alta tecnologia e 93 tipos de análises, o espaço monitora todas as etapas da cadeia produtiva, da água, do solo e dos frutos ao óleo e aos efluentes, o que garante padronização, rastreabilidade e sustentabilidade aos processos.
Na usina piloto, a empresa avança na industrialização da macaúba por meio de uma planta totalmente automatizada, desenvolvida para testar e aperfeiçoar processos que serão utilizados na produção de combustíveis renováveis. A unidade tem capacidade para processar até duas toneladas de frutos por hora e opera simultaneamente quatro processos de extração de óleo, fundamentais para validar as tecnologias que serão aplicadas em escala industrial.
O uso de tecnologia também está presente na produção de mudas. A linha automatizada de semeadura utiliza tubetes biodegradáveis e sistemas de rastreabilidade que permitem acompanhar individualmente o desenvolvimento das plantas. Já o viveiro, com capacidade para produzir 10,5 milhões de mudas por ano, controla todas as variáveis ambientais necessárias para garantir o crescimento das mudas antes do plantio em campo.
"O primeiro ano do Acelen Agripark confirma que a inovação é o caminho para transformar o potencial da macaúba em uma nova cadeia produtiva. Mais do que desenvolver uma cultura agrícola, estamos construindo as bases de um projeto capaz de gerar desenvolvimento regional, fortalecer a transição energética e posicionar o Brasil na liderança desse mercado", afirma Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis.
Atualmente, além de empregos indiretos, o complexo conta com 146 colaboradores diretos, dos quais 37,7% são mulheres, e contribui para impulsionar a economia local e toda a cadeia de fornecedores. Conforme a Acelen, o empreendimento atua em parceria com universidades, centros de pesquisa e instituições nacionais e internacionais.
PREVISÃO DE 144 MIL HECTARES DE MACAÚBA
A Acelen Renováveis anuncia que já tem 644 hectares plantados de macaúba e que espera atingir 2 mil hectares cultivados até dezembro de deste ano. Mas, o plantio ainda está longe da meta do megaprojeto, que é de 144 mil hectares da espécie nativa em áreas degradadas em Minas Gerais e na Bahia, em parceria com os produtores rurais.
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Dentro do Programa Valoriza, o projeto prevê que 20% do total da área cultivada para o fornecimento da matéria-prima deverá ter origem da agricultura familiar e de micro, pequenos e médios produtores rurais.
