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Vereador, me arruma um emprego

Mais da metade dos pedidos da população para vereadores é por vaga na Câmara

Demandas chegam a extrapolar competência

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postado em 12/02/2017 06:00 / atualizado em 12/02/2017 07:29

Marcelo da Fonseca

JUAREZ RODRIGUES/EM/D. A PRESS

Não é a melhoria no transporte público, nem o aumento do efetivo da Guarda Municipal ou o tapamento de buracos de rua. A maioria dos pedidos recebidos pelos vereadores de Belo Horizonte desde que tomaram posse é por empregos. Por meio de aplicativos de mensagem e pelas redes sociais, as demandas chegam aos montes diretamente aos parlamentares – principalmente para novatos – e vão desde cargos como porteiros, motoristas e vigilantes a vagas no alto escalão da prefeitura, com vencimentos acima de R$ 10 mil.

“Desde que tomei posse, algumas pessoas pensam que me tornei um megaempresário e que tenho à disposição milhares de vagas abertas”, comenta o vereador Gabriel Azevedo (PHS). “São demandas para todas as vagas que você possa imaginar. Porteiros, seguranças, assessores de gabinete. Muitos pedem vagas para filhos, sobrinhos ou para as esposas. Infelizmente, o desemprego está muito grande em BH, chegou a 13%, o que é muito triste”, diz o líder do governo na Câmara, vereador Gilson Reis (PCdoB), que passou a receber muitas demandas por cargos na prefeitura desde que assumiu a interlocução do Executivo na Câmara.

No segundo semestre do ano passado, levantamento do IBGE apontou o índice de desemprego recorde na Região Metropolitana de BH, atingindo 13,9%. Em Minas Gerais, o número de profissionais em busca de trabalho alcançou a preocupante marca de 1,2 milhão, o que representa 10,9% da população ativa do estado.

Na busca por uma indicação para ocupar vagas no Legislativo, muitas pessoas mandam currículos e até vídeos se apresentando para os parlamentares. Mas, na maioria das vezes, os vereadores apenas aconselham a procura em agências de emprego como a melhor forma de se recolocar no mercado de trabalho. “Procuramos sempre informar às pessoas que as vagas na Câmara são limitadas e indicar os caminhos para achar uma nova vaga”, explica Pedro Patrus (PT).

Em muitos casos, os vereadores recebem pedidos de reuniões para que os interessados em vagas de trabalho se apresentem pessoalmente ou levem conhecidos para uma entrevista nos gabinetes. “Tenho recebido muitas mensagens em que as pessoas pedem para vir trabalhar comigo e contam que estão desempregadas há dois ou três anos. Muitas vezes não informam suas qualificações ou quais funções podem desempenhar”, conta Rafael Martins (PMDB).


Telhado e suco de laranja

Além dos pedidos de emprego, que representam mais da metade das demandas recebidas pelos vereadores, eles recebem diariamente centenas de mensagens pelo WhatsApp ou pelo Messenger, aplicativo de mensagem do Facebook, pedindo soluções para os mais diversos problemas. As demandas por problemas com linhas de ônibus – que ou não estão passando no horário certo ou passam sempre lotados – e os buracos nas ruas são os mais comuns. No entanto, aparecem também alguns pedidos curiosos.

“Recebi um pedido de doação de 30 litros de suco de laranja para uma festa de casamento. Recebi também um pedido para instalar um telhado novo em uma casa”, conta Martins. Já o vereador Élvis Cortês (PSD) tem recebido muitas demandas cobrando a poda de mato e a conclusão de obras não finalizadas pela prefeitura. “São demandas variadas. As pessoas hoje fazem vídeos e mandam para a gente ver. Recebi uma sobre uma rua que está praticamente fechada no Bairro Estoril, em péssimas condições, outra denunciando uma obra inacabada na Pampulha”, diz Cortês.

Os vereadores admitem que têm atuação limitada diante de tantas demandas específicas, mas a maioria procura encaminhar ofícios para as secretarias municipais pedindo uma solução para a prefeitura. “O que podemos fazer é cobrar uma solução da prefeitura e acompanhar o que o poder público está fazendo para solucionar o problema”, explica Patrus, que recebeu pedido dos conselheiros tutelares da região do Barreiro reclamando da falta de condições de trabalho.

Para a vereadora Áurea Carolina (PSOL) é importante que os vereadores expliquem para as pessoas os limites do mandato no Legislativo. “Temos recebido a maior parte das demandas dos movimentos organizados, que já atuam com uma consciência política e já construíram uma pauta de lutas pelas ocupações e pelo direito das mulheres. Mas existe uma grande procura também por problemas particulares, com pessoas pedindo empregos. Na gabinetona (união do gabinete com a vereadora Cida Falabella) procuramos dar uma resposta individualizada e informar sobre o que podemos fazer como vereadoras”, diz Áurea.

Aplicativo

Para atender ao grande número de demandas que recebia via aplicativos de mensagem, o vereador Gabriel Azevedo desenvolveu um aplicativo para organizar os pedidos. Em mensagem para seus seguidores nas redes sociais, ele explicou que passará a receber as mensagens por meio de um aplicativo que ele criou para manter contato com seus eleitores, chamado “Meu vereador”.

“Queria que vocês vissem a minha caixa de mensagens do Facebook um dia. Vocês poderiam experimentar como as notificações do meu WhatsApp se multiplicam. ‘Gabriel, aqui no meu bairro …’, ‘Gabriel, há um problema …’, e muitas e muitas mensagens. Eu gosto muito. Contudo, agora o ritmo aumentou. Geralmente, tenho que fotografar a tela do celular, guardar a mensagem para ver uma solução. Isso obviamente vira uma bagunça. O caminho agora será o aplicativo. Como vai funcionar? Simples. Você envia o problema com uma foto, endereço e detalhamento e depois acompanha toda a resolução através de notificações que vão chegando no seu celular”, informou Gabriel.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Erica
Erica - 12 de Ferveiro às 17:39
O que esse vereador está falando? Ele foi eleito pra isso! E por sinal o pagamos MUITO bem pra que ele faça de acordo com esse salário descomunal que ganha. Fala menos e faça mais. Pra isso que estao aí. Ou então trabalhem de graça e nem sim terão direito de falarem essas bobagens.
 
Mauro
Mauro - 12 de Ferveiro às 12:02
Por isso, sou contra eleições diretas e voto.
 
Angelo
Angelo - 12 de Ferveiro às 10:32
A minha humilde sugestão para as aflições da população que por hora vive um clima de desesperança e humilhação , que os pedidos de emprego , cesta básica , auxilio pra tudo ! seja encaminhados para os parlamentares mineiros lá Câmara Federal aqueles que deram o SIM para o impeachement da presidenta eleita !