A três dias das convenções partidárias para definição de candidaturas nas eleições de outubro, as conversas entre PSB, PT e PSDB em torno da reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB) podem esquentar. Em plenária marcada para hoje à noite, os socialistas devem aprovar uma resolução que abre brechas para vetar a coligação com petistas e tucanos para a disputa das 41 cadeiras da Câmara Municipal de Belo Horizonte. O texto estaria dirigido especialmente ao PT, já que o PSDB admitiria o apoio ao PSB independentemente de se aliarem na chapa de vereadores.
O maior imbróglio diz respeito a um recado do senador Aécio Neves (PSDB) já transmitido a Marcio Lacerda: se o PT fizer parte da coligação proporcional, o PSDB poderá lançar um candidato próprio e o PSB correrá o risco de perder o apoio de boa parte das legendas que integram a base governista. Partidos como DEM, PDT e outros menores, por exemplo, já fizeram convenções, mas deixaram a decisão sobre alianças em aberto. O PR marcou seu encontro para a noite de sábado, último dia previsto pela legislação eleitoral para as definições.
Atualmente o PSB tem três vereadores na Câmara da capital mineira e a expectativa é elevar o número para seis ou sete caso dispute as vagas com chapa própria. Coligados com o PT ou PSDB, a projeção mais otimista é de que seja mantida a bancada atual. Já os petistas, que têm seis integrantes na Casa, calculam eleger até oito candidatos se a coligação for confirmada. Sem a aliança, deverão eleger três ou quatro vereadores. Os tucanos, que têm quatro parlamentares, esperam aumentar para seis se coligarem com o PSB ou manter a composição atual sem fazer essa coligação.
Acordo
Escolhido em encontro municipal como candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Lacerda, o deputado federal Miguel Corrêa Júnior (PT) terá a missão de acalmar os ânimos dentro de seu partido. Ainda assim, os socialistas consideram que o veto na eleição proporcional não implicará em rompimento entre as duas legendas. “O acordo entre o PSB e o PT não envolve apenas Belo Horizonte. Envolve várias cidades do interior de Minas e do Brasil”, disse uma fonte socialista.
Além disso, pesam contra os petistas o fato de alguns dos atuais vereadores do PT fazerem oposição ao governo – os mais atuantes são Neusinha Santos e Arnaldo Godoy – e parte da legenda declarar apoio a outros candidatos porque não concordam com a aliança com Marcio Lacerda. Além da questão envolvendo a chapa de vereadores, a plenária de hoje vai discutir estratégias para a campanha eleitoral e as regras para o congresso de sábado.
