Vereadores de BH resolvem lavar a roupa suja em público

Eles levaram puxão de orelha por causa de comissões que não funcionam por falta de quórum, algumas delas com convidados

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postado em 03/03/2012 06:00 / atualizado em 03/03/2012 07:09

Alessandra Mello

Os vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte levaram nessa sexta-feira um puxão de orelha em plenário dos próprios companheiros de parlamento. Na hora do pito, alguns fizeram cara feia, mas ninguém pediu a palavra para contestar as críticas. Do microfone, Leonardo Mattos (PV) e Wagner Messias (DEM), o Preto, cobraram a presença dos vereadores nas comissões e audiências da Câmara e sugeriram à Mesa Diretora alteração no regimento interno para estabelecer punições mais severas para quem cabular as reuniões. “Todas as comissões estão funcionando com muitas ausências. Na reunião da comissão dos bares e restaurantes ontem (anteontem) só tinha um vereador: eu”, reclamou Mattos. Ele pediu a direção do Legislativo que tome “uma medida drástica”. “A Câmara não pode continuar funcionando de forma irregular”, cobrou.

A comissão até chegou a contar com a presença de outros vereadores, mas eles apenas marcaram presença sem participar das discussões a respeito da aplicação e cumprimento das leis que tratam de poluição sonora e concessão de alvarás para os estabelecimentos, assunto que mobiliza a capital dos bares, como Belo Horizonte é conhecida.

O vereador Preto também cobrou a presença dos colegas na comissão especial formada ano passado para discutir a regularização fundiária no bairro Olhos D’Água, Região Oeste da capital. Segundo ele, a comissão já se reuniu 18 vezes. “Tem representante que não participou de 16 das 18 reuniões”, criticou o vereador, que preside a comissão, sem revelar os nomes dos ausentes. A última reunião aconteceu na sexta feira com a presença de Preto, Mattos e Adriano Ventura (PT). Estiveram ausentes os vereadores Pablo César, Pablito (PSDB), Elaine Matozinhos (PTB) e Neusinha Santos (PT). A reportagem não teve acesso às presenças nas comissões especiais, pois o portal da transparência da Câmara não divulga as atas das comissões especiais.

A Câmara de Belo Horizonte tem nove comissões temáticas, que tiveram 30 reuniões convocadas em fevereiro. Desse total, um terço não foi aberta por falta de quorum. Uma audiência pública para discutir o fomento dos esportes radicais em Belo Horizonte, convocada pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Desporto e Lazer, foi aberta com a presença de apenas dois vereadores, Leo Burguês (PSDB) e Heleno (PHS), número inferior ao quorum mínimo exigido, para não frustar os convidados que atenderam ao convite da Câmara para tratar do assunto. Essa reunião estava prevista para acontecer na quinta-feira que antecede o Carnaval.

Mesma sorte dos interessados em discutir os esportes radicais na capital mineira não tiveram os moradores do bairro São Lucas, região Centro-Sul da cidade. Uma audiência convocada no dia 24 para discutir a construção de um prédio para abrigar um posto de saúde, que hoje funciona nas dependências de uma igreja , não contou com a presença de nenhum vereador. Nem mesmo o autor do pedido da reunião, vereador Sérgio Fernando dos Santos (PV), compareceu ao encontro, marcado para a sexta-feira pós-carnaval. Por falta de quorum a reunião não aconteceu.

Nem mesmo as reuniões marcadas para tratar dos vetos do prefeito Marcio Lacerda aos projetos dos vereadores têm tido ibope. Uma delas iria discutir o veto ao projeto que proíbe o comércio de serpentina metálica na capital, a mesma que no carnaval de 2011 matou 15 pessoas no interior do estado e nem foi aberta, por falta de vereadores. Ela também estava prevista para a sexta-feira depois dos festejos de Momo.

Sem humoristas


Sem a ameaça da presença dos humoristas do programa Custe o que custar (CQC), os trabalhos na Câmara Municipal de Belo Horizonte se estenderam até mais tarde, mas quase nada foi votado. Na verdade apenas um dos vetos que trava a pauta de 78 matérias foi derrubado. Ele alterava a lei que criou o Conselho Municipal Antidrogas. Insatisfeitos com a enxurrada de vetos dos prefeito Marcio Lacerda (PSB) aos projetos de sua autoria, os vereadores articulam para tentar derrubar grande parte deles. Ontem, quando perceberam que não haveria número suficiente para rejeitar os vetos, esvaziaram o plenário. Não sem críticas ao prefeito. Segundo o vereador Cabo Júlio (PMDB), Lacerda está “vetando por atacado”. E cada veto é mais louco ue o outro”, disse.