Faltando sete meses para os eleitores voltarem às urnas nos 853 municípios mineiros, ainda há resquício da disputa de 2008 no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG). São 26 recursos de ações por compra de votos, irregularidades em prestações de contas, abuso de poder e outros crimes eleitorais que aguardam julgamento. A limpeza no que sobrou da campanha de quatro anos atrás começou a ser feita ontem – 13 processos estão na pauta da Corte entre ontem e hoje. O restante ainda não tem data para ser decidido.
O então prefeito de Santa Rita do Itueto, Firmino Tom, denunciado por compra de votos, também responde por ação penal. Na época, candidato a reeleição, ele e um funcionário da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) se reuniram com eleitores na zona rural da cidade e teriam simulado um evento promovido pela estatal para cadastro no Luz para Todos. Conforme a ação, teriam prometido luz elétrica em troca de votos.
Até o início da noite de ontem, pelo menos 10 casos haviam sido julgados pela Corte. Para hoje está previsto um recurso de um candidato a vereador em Santa Cruz de Minas, no Campo das Vertentes, por captação ilícita de votos. O vereador Ronaldo de Oliveira Coutinho, com os parentes Moranelo e Raquel de Oliveira Coutinho, teria distribuído lanches e dinheiro a diversos eleitores para conseguir votos. Como os processos são antigos, o TRE-MG não soube precisar os partidos atuais dos envolvidos.
Natureza criminal O presidente do TRE-MG, desembargador Brandão Teixeira, afirmou que os processos representam um percentual baixíssimo. No início eram 11.148 matérias relativas à eleição de 2008. “Desse total, os sete juízes que compõem a Corte Eleitoral julgaram ou estão para julgar até amanhã praticamente 99,9 %. Restarão 13 – representando um percentual baixíssimo de cerca de 0,1% – que são, na sua maioria, de natureza criminal”, afirmou.
De acordo com o desembargador, para os processos que sobraram pode ter havido mais dificuldade em virtude da conclusão de inquérito policial ou na apuração das denúncias e ressaltou que as ações ainda não julgadas chegaram ao tribunal a partir de junho do ano passado. “Nos casos de natureza criminal, há um prazo maior para que seja oferecida a denúncia e o processo instaurado”, justificou.
