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Estado de Minas

Ex-secretário pode ser expulso do PDT

Legenda decide futuro de seu ex-presidente Manoel Costa, acusado de grilagem. Ele classifica as denúncias de calúnia


postado em 22/02/2012 07:40

O destino do ex-secretário extraordinário de Reforma Agrária Manoel Costa dentro do PDT começa a ser decidido na segunda-feira pela executiva da legenda, que ele presidiu por oito anos. Durante encontro marcado para o início da noite, o presidente estadual do partido, Mario Heringer, designará os três integrantes que formarão uma comissão para avaliar o processo administrativo disciplinar que pode culminar na sua expulsão. Um parecer será emitido pelo grupo e avaliado pelos 18 membros da executiva, cujo resultado depende de maioria simples de votos.

A representação contra a permanência de Costa no PDT foi protocolada pelo presidente municipal da legenda, deputado estadual Sargento Rodrigues, em 18 de dezembro, e tem como justificativa o suposto envolvimento do ex-secretário em um esquema de grilagem de terras devolutas – desmontado há três meses durante a Operação Grilo, comandada pela Polícia Federal, Ministério Público e Receita Estadual. O grupo, formado ainda por prefeitos, empresários e servidores públicos, é acusado de falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Não há no estatuto do partido um prazo definido para uma decisão sobre processos administrativos disciplinares, mas o deputado Sargento Rodrigues acredita que a tramitação será rápida. “Há um interesse em dar celeridade ao caso até para o Manoel Costa se manifestar”, afirmou ontem. A representação apresentada pelo parlamentar se baseou em informações divulgadas à imprensa e ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público, que Manoel Costa já classificou de “calúnia”.

Durante as investigações que culminaram na Operação Grilo, a PF encontrou quatro propriedades em nome de Manoel da Silva Costa Júnior, em Açucena, Araçuaí, São Sebastião do Rio Verde e Sardoá. A alegação da polícia é que elas pertencem ao ex-secretário enquanto no Iter todas estão registradas em nome de laranjas – esquema que segundo a PF dificulta a identificação do real proprietário. Manoel Costa nega com veemência a posse das terras.

As investigações da Operação Grilo começaram no final de 2010 a partir de denúncias de posseiros e apontaram que terras públicas, situadas no extremo Norte de Minas, eram vendidas a mineradoras com o objetivo de explorar jazidas de minério de ferro. Estima-se que o volume seja de 10 bilhões de toneladas. O MP identificou três frentes paralelas para a legalização das terras que anteriormente eram usadas para a silvicultura: uma delas atuava em Indaiabira e Vargem Grande do Rio Pardo e as outras duas estariam agindo em Salinas, com negociações em torno de R$ 41 milhões, e São João do Paraíso, com projeção de negócios de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões na venda de terras.


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