A fazenda desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para implantação do assentamento Zumbi dos Palmares se chamava Colorado e pertencia ao empresário do setor agrícola Gilberto Machado, que morreu em 2004, aos 74 anos. A propriedade era voltada exclusivamente para a criação de gado girolando. Conforme a família do pecuarista, nos pastos da Colorado viviam cerca de 200 reses.

Mais de um década depois da desapropriação da fazenda, a área repassada aos trabalhadores rurais sem-terra não conta com a estrutura prometida pelo Incra para subsidiar a produção. O sistema de distribuição de água, apesar de ter sido inaugurado em 2010, não funciona.
O fornecimento de água ocorreria por bombeamento a partir de um córrego que corta o assentamento e o envio para caixas de captação instaladas em pontos mais elevados da região. A construção do sistema começou em 2009 e custou R$ 146 mil. Uma placa tombada próxima à caixa de captação, perto da entrada do assentamento, anuncia a conclusão do projeto. Nela, o governo federal fornece dados como o valor gasto, prazo de conclusão e o que foi feito.
Segundo os moradores do assentamento, no entanto, para ter acesso à água é necessário furar poços artesianos. O sistema anunciado pelo Incra, ainda conforme quem vive no Zumbi dos Palmares, foi concluído apenas em parte. Faltou a canalização necessária para fazer a água sair das caixas de captação para as propriedades.
Com a impossibilidade de uso do sistema semi-implantado pelo Incra, os moradores com menos recursos financeiros, que não conseguem furar poços, dependem da boa vontade dos vizinhos e de muita força nos braços e pernas para conseguir e transportar água.
Crédito Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Uberlândia (STRU), o dinheiro prometido pelo Incra para assentados na região do Triângulo Mineiro em 2005 somente este ano começou a ser liberado para os agricultores. A entidade acredita que a falta de recursos para investimentos é um dos motivos pelos quais os trabalhadores rurais sem-terra, mediante negociação de benfeitorias nas áreas, tentam transmitir os terrenos a quem quer passar a viver nos assentamentos.
