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Estado de Minas

Envolvido em esquema de grilagem pode ser expulso do PDT


postado em 20/12/2011 06:00 / atualizado em 20/12/2011 07:56

Ex-preisdente do PDT pode responder processo administrativo disciplinar por participar de esquema de grilagem (foto: Vagner Antônio 20/09/2011 )
Ex-preisdente do PDT pode responder processo administrativo disciplinar por participar de esquema de grilagem (foto: Vagner Antônio 20/09/2011 )
Depois de perder o emprego, o ex-secretário extraordinário de Reforma Agrária, Manoel Costa, agora corre o risco de ficar sem partido. A direção do PDT – legenda que ele presidiu entre 2002 e 2010 – decide nos próximos dias sobre a abertura de um processo administrativo disciplinar que pode culminar na sua expulsão. Uma representação contra a permanência de Costa no PDT foi protocolada nessa segunda-feira pelo presidente municipal do partido, deputado estadual Sargento Rodrigues.

O pedido de expulsão tem como justificativa o suposto envolvimento de Manoel Costa em um esquema de grilagem de terras devolutas – desmontado há três meses durante a Operação Grilo, comandada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e estadual e Receita Estadual. O grupo formado ainda por prefeitos, empresários e servidores públicos é acusado de falsificação de documentos públicos e particulares, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

“Os fatos noticiados e antecipadamente comprovados nos autos da referida ação civil pública, são de extrema gravidade e têm capacidade suficiente para macular os ideais partidários do PDT, eis que o sr. Manoel Costa sempre ocupou cargos relevantes tanto na estrutura estadual da nossa legenda quanto no primeiro escalão do governo estadual”, afirmou o deputado Sargento Rodrigues no documento entregue à direção do PDT.

O presidente estadual da legenda, Mário Heringer, quer levar a discussão à Executiva, que também tem a função de comissão de ética, composta por 18 membros. “Quando você recebe uma denúncia dessas, a função é ouvir os dois lados. Vai ser dado ao Manoel Costa o direito de defesa e a Executiva vai decidir”, completou. Durante as investigações, a PF encontrou quatro propriedades em nome de Manoel da Silva Costa Júnior, em Açucena, Araçuai, São Sebastião do Rio Verde e Sardoá.

Laranjas

A alegação da polícia é de que elas pertencem ao ex-secretário, enquanto no Iter todas estão registradas em nome de laranjas – esquema que, segundo a PF, dificulta a identificação do real proprietário. Manoel Costa negou ontem, mais uma vez, a posse das terras. “A ação civil pública é uma calúnia. Se o Sargento Rodrigues entrar com isso (representação para a expulsão) quem corre o risco de ser expulso futuramente é ele, porque está alimentando uma calúnia”, rebateu o ex-secretário, exonerado do cargo que ocupava no governo no mesmo dia em que a operação foi deflagrada.

As investigações da Operação Grilo começaram no final de 2010 a partir de denúncias de posseiros e apontaram que terras públicas, situadas no extremo norte de Minas, eram vendidas a mineradoras com o objetivo de explorar jazidas de minério de ferro recentemente descobertas. Estima-se que o volume seja de 10 bilhões de toneladas. O MP estadual e Federal identificaram três frentes paralelas para a legalização das terras anteriormente eram usadas para a silvicultura: uma delas atuava em Indaiabira e Vargem Grande do Rio Pardo e as outras duas estariam agindo em Salinas, com negociações em torno de R$ 41 milhões, e São João do Paraíso, com projeção de negócios de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões na venda de terras.


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