Sem perceber ganhos reais em acompanhar o debate da reforma política que ocupa a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e várias assembleias estaduais, o cidadão mineiro mediano está desmobilizado, desatento e reticente diante da temática da reforma política. Na Assembleia Legislativa, foi baixo o índice de resposta à consulta popular aberta pelo site institucional, para que, sem qualquer intermediação, as pessoas se manifestassem. Há 20 dias no ar, foram registradas apenas 62 manifestações, a maior parte sobre o sistema eleitoral e o financiamento de campanhas. Para quem quiser participar, ainda há tempo. A consulta pública permanecerá no ar até segunda-feira.
“Contra o financiamento público. Nossos políticos não são suficientemente maduros para usufruir disso. Não podemos concordar em pagar essa conta”, escreveu Luciana Rebello, de Montes Claros, considerando os políticos irresponsáveis com o emprego do dinheiro público. Mais moralidade é a principal demanda da maioria dos eleitores que têm dificuldade de acompanhar as nuances do debate político.
Enquanto o Congresso Nacional se debruça sobre questões como a reeleição, as coligações, sistema de listas, a cota de mulheres e a possibilidade da candidatura avulsa, o eleitor quer transparência com a coisa pública, até para não precisar interromper a sua rotina de vida para se aborrecer com a política. “Não tenho tempo nem de ligar a televisão. Não sei o que está sendo discutido, mas sei o que quero”, afirma Miguel da Silva, de 49 anos, carpinteiro. “Quero mais investimentos para o país crescer e menos roubalheira”, afirma. “Acompanho pouco a política. Estou muito ocupada e não sei direito o que está acontecendo”, emenda Sirlene Vieira de Souza Ribeiro, dona de casa, de 25 anos.
Na mesma linha, o médico Carlos Estevão, de 64 anos, afirma: “Quando possível presto atenção no debate da reforma política. O mais importante são medidas que eliminem as vias da corrupção e os desvios. A corrupção é o problema mais grave”.
Com o foco também na moralidade, o engenheiro civil Valdecir Raimundo de Freitas, de 41 anos, deixa como sugestão que considera a mais importante a implementação da Lei Ficha Limpa. “É a única forma de melhorar o Congresso”, considera Valdecir, que afirma ser fundamental uma reforma política profunda, que debata inclusive questões da Federação, como a cobrança e a distribuição de royalties entre estados. Para ele, os políticos que estão no Congresso não têm interesse em promover reformas, principalmente no sistema eleitoral, porque teriam prejudicada a própria estrutura de reeleição.
Contribuições na internet
Confira algumas das opiniões postadas no site da Assembleia Legislativa sobre a reforma política
Reeleição
“Além do Executivo, deveria proibir também a reeleição dos parlamentares. É fundamental a oxigenação a cada quatro anos.”
Pedro Calixto Alves de Lima, Belo Horizonte
“A norma eleitoral foi trocada em 1996, permitindo a reeleição. Foi outro dia mesmo. A legislação eleitoral não é uma roupa que a gente troca todo dia. Deixa como está.”
José Bizotto Ramos, Belo Horizonte
Sistema eleitoral
“Contra a lista fechada! Quero votar no candidato.”
Luciana Rebello, de Montes Claros.
“O sistema majoritário uninominal permitirá que o cidadão opine, apresente propostas e cobre diretamente do representante distrital. Esse sistema torna o político mais próximo do cidadão e permite que o desempenho fraco dos eleitos seja reprovado nas urnas.”
Rony Von dos Reis de Camargos, Unaí
Financiamento eleitoral e partidário
“Financiamento público de forma alguma. Já pagamos uma conta cara demais pelas eleições.”
Pedro Álvares Calixto, de Belo Horizonte
“Sou contra o financiamento público de campanha pois são os impostos pagos pelos contribuintes. Se precisamos de financiamento público para serviços básicos da população não podemos arcar através de contribuição de impostos com as campanhas eleitorais. Os partidos possuem sua cota. Então, o trabalho deve ser intensificado pelos partidos para eleger melhores representantes.”
Kátia Ferraz Ferreira, de Belo Horizonte
Coligação eleitoral
“Sou contra a coligação eleitoral, seja ela proporcional ou majoritária, no primeiro turno. Temos que respeitar o voto do povo. Onde tiver o 2º turno, podemos criar coligações para majoritário. Senador, deputado ou vereador que se afastarem, para ir para o Executivo, perderão o mandato, entrando o mais votado, mesmo que seja de outro partido. Voto majoritário.”
Reisvelt Tomich, de Teófilo Otoni - MG
Suplente de senador
“Devemos acabar com os suplentes. O candidato não eleito mais votado deve substituir o titular afastado. Dessa forma, os senadores serão estimulados a cumprirem seus mandatos de forma integral, especialmente quando o substituto for um opositor.”
Luiz Rodolfo Pereira da Silva, de Belo Horizonte
“Sugiro partidos apresentarem mais de um candidato a senador, sendo o substituto (suplente) o segundo mais votado, igual à eleição proporcional para deputado. No entanto, na vacância do cargo, o substituto é o segundo colocado. Excluindo a suplência na candidatura.”
Marcos Leonel de Campos, de Pompéu
Unificação das eleições
“Sou favorável à proposta de unificação da data da eleição em todos os níveis, uma vez que a cada dois anos o país todo fica paralisado por meses, enclausurado no debate em torno das eleições com repercussões negativas para a economia e a gestão pública.”
Rodrigo Conde Baêta da Costa, de Belo Horizonte
Data da posse dos chefes do Poder Executivo “Sou favorável à mudança de data, uma vez que facilitaria todo o calendário executivo, preservando assim o 1º de janeiro e as festividades de final de ano e ou feriado nacional.”
n John Santos, de Belo Horizonte
Filiação partidária e domicílio eleitoral
“Haveria prejuízo para os municípios pequenos, mas o correto seria o eleitor votar onde reside. Eliminaria a compra de votos , as escolhas seriam mais corretas. Os líderes teriam mais compromisso com a administração pública, com os gastos, e a postura seria ética. Chega de corrupção.... O dinheiro é para todos, e não devemos aceitar os desmandos atuais.”
Oriel de Paula, de Pedro Teixeira
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Eleitores ignoram consulta pública sobre reforma política
Apenas 62 pessoas se manifestaram na consulta popular aberta há 20 dias no site da Assembleia sobre mudanças no sistema político do Brasil. Prazo termina na segunda
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