As campanhas dos dois candidatos à Presidência da República transformaram a internet num ringue eleitoral no qual vale tudo para desqualificar o adversário. Na web, terreno livre de direitos de resposta ou ações para mitigar a agressividade, os simpatizantes de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) subiram ainda mais o tom e a quantidade de ataques. Dados do Observatório das Eleições, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia na Web (InWeb), mostram que, no Twitter, 66% das mensagens de apoiadores do tucano são para desmoralizar a ex-ministra. Já os defensores de Dilma dedicam 42% dos seus recados para espinafrar o rival, quatro pontos percentuais a mais que no primeiro turno.
O Observatório das Eleições (
observatorio.inweb.org.br), da InWeb – formado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – foi criado para monitorar o comportamento dos eleitores na internet. “Observamos que, na web, os eleitores se comportam como torcedores de futebol, defendendo seus candidatos com unhas e dentes. Acaba que o espaço é tomado de críticas e discussões completamente despolitizadas. O que importa é se sair melhor”, avalia o pesquisador do grupo e doutorando do Departamento de Ciência da Computação, Pedro Calais Guerra. Tuiteiros não poupam ataques: comparam Dilma a monstros, Serra a palhaços. Ela já foi chamada de poste e sargento. Ele é tido como vampiro, careca e “privatizador”.
Nessa linha, o Twitter se transformou em importante instrumento para os simpatizantes. “A rede social se tornou o principal meio de propagação da boataria. O mais importante é jogar o comentário nele e espalhar o quanto der”, diz o pesquisador da InWeb e professor de ciência da computação, Wagner Meira. No Twitter, Dilma é campeã de citações (veja quadro). Mas a diferença não é grande vantagem para a ex-ministra. Os estudiosos identificaram que fatia gorda dessas menções são de apoiadores de Serra. “Ela é também a mais criticada, já que 66% das mensagens de serristas são de campanha contra Dilma”, afirma.
Parte dos estrategistas da ex-ministra avaliou que a ofensiva na internet foi um dos motivos para a petista não vencer no primeiro turno e, em reação, a rede assistiu à subida de tom dos dilmistas. Antes, 38% das mensagens de simpatizantes da ex-ministra eram contrárias a Serra. Hoje, eles dedicam 42% dos comentários contra o tucano. Ou seja, em 15 dias, os ataques ao ex-governador subiram quase 10%. Enquanto no primeiro turno quatro entre os cinco vídeos do Youtube mais comentados no Twitter eram contra Dilma, agora é o contrário: quatro são contra Serra.
“Identificamos que as mensagens contrárias a Dilma continuam mais agressivas do que as contra Serra”, diz a pesquisadora da InWeb e historiadora Regina Alves da Silva. Para ela, quem sai perdendo é o eleitor. “A agenda da internet é completamente negativa”, comenta.
O Observatório das Eleições apresentou ainda estudo sobre o comportamento dos eleitores de Marina Silva (PV). No primeiro turno, 34.539 usuários do Twitter postaram mensagens a favor da senadora. Depois que as urnas apontaram o segundo turno, 48% desses eleitores não voltaram a se manifestar sobre eleições. O restante, 52%, seguiu caminho diferentes.
Esta matéria tem: (0) comentários
Não existem comentários ainda