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Funcionários da embaixada da Holanda em Brasília entram em greve O protesto é inédito na história do Brasil. Pela primeira vez, empregados locais de uma embaixada fazem greve por tempo determinado no país

Vera Batista -

Publicação: 19/06/2014 07:38 Atualização: 19/06/2014 07:46

Funcionários cruzaram os braços das 10h às 15h, e fizeram atos de repúdio em frente às representações diplomáticas (Ed Alves/CB/D.A Press)
Funcionários cruzaram os braços das 10h às 15h, e fizeram atos de repúdio em frente às representações diplomáticas

Enquanto o casal real da Holanda - rei Willem-Alexander e rainha Máxima Zorreguieta - torciam pela seleção de futebol do seu país, no embate da Copa do Mundo com a Austrália, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, funcionários da embaixada, em Brasília, e do consulado, no Rio de Janeiro, cruzaram os braços das 10h às 15h dessa quarta-feira, e fizeram atos de repúdio em frente às representações diplomáticas. Há cinco anos sem aumento salarial, os trabalhadores reivindicam reajuste de 26% - reposição acumulada da inflação oficial brasileira do período medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) - e determinação de data-base que garanta reajustes anuais futuros.

O protesto é inédito na história do Brasil. Pela primeira vez, empregados locais de uma embaixada - brasileiros e estrangeiros - fazem greve por tempo determinado no país. “As manifestações de hoje foram um aviso. Faremos uma assembléia no próximo dia 23 (segunda-feira) para decidir o rumo do movimento. Se não tivermos uma resposta satisfatória, entraremos em estado de greve”, alertou Raimundo Oliveira, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Embaixadas, Consulados, Organismos Internacionais e Empregados que Colaboram para Estado Estrangeiro ou para Membros do Corpo Diplomático Estrangeiro no Brasil (Sindnações).

Segundo Oliveira, os empregados estão indignados. Se sentem enganados. Eles abandonaram antigos empregos, em busca de oportunidade melhor, e agora estão vendo o poder de compra se dissolver. Desde abril de 2013, o Sindnações, assinalou Oliveira, tenta um acordo entre as partes. O sindicato recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho, com o objetivo de abrir as negociações. A Superintendência Regional do Trabalho marcou audiência de conciliação entre as partes, no dia 23 de setembro de 2013, no Distrito Federal. Mas o representante da Holanda sequer compareceu.

“Hoje (18)pela manhã tivemos uma reunião com o ministro-conselheiro da embaixada, Paul Zwetsloot. Conversamos mais de uma hora, sem sucesso. Não houve avanço. Ele disse que precisa consultar o Ministério de Relações Exteriores da Holanda”, afirmou o líder sindical, ao destacar que os empregados - com remunerações mensais entre R$ 2,5 mil e R$ 12 mil -, nos últimos cinco anos, tiveram apenas reajuste de 0,25%, em 2012. “Agora, a embaixada quer dar só 1,38% de aumento”, reforçou Oliveira.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Embaixada da Holanda informou, literalmente, que “o pessoal local da embaixada em Brasília anunciou estar insatisfeito com a oferta de reajuste salarial do Ministério Holandês das Relações Exteriores. Para enfatizar as suas demandas os trabalhadores decidiram realizar uma paralisação.” Durante o período em que a equipe de reportagem estava em frente à embaixada, o ministro-conselheiro Paul Zwetsloot saiu para assistir a partida de futebol, mas não quis falar com a repórter sobre o assunto.

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