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Falta d'água cria atrito entre município e governo de SP

Agência Estado

Publicação: 17/04/2014 08:19 Atualização: 17/04/2014 09:57

A Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado trocaram acusações ontem em meio à crise hídrica do Sistema Cantareira. Após o jornal O Estado de S. Paulo revelar ofício da gestão Fernando Haddad (PT) sobre racionamento de água entre meia-noite e 5h da manhã, o secretário municipal de Governo, Chico Macena (PT), disse que falta “transparência” à estatal. O secretário estadual de Saneamento e Recursos Hídricos, Mauro Arce, rebateu dizendo ser “mentira” do petista a ocorrência de rodízio.

O diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Paulo Massato, também reagiu e classificou de “irresponsável” a declaração de Macena. Em nota, ele afirmou que é “no mínimo lamentável que gestores públicos usem uma reunião de natureza técnica para deturpar declarações com objetivos político-eleitorais”. O encontro entre os gestores foi realizado na segunda-feira.

Macena afirmou ontem que a Sabesp tem feito racionamento noturno. A empresa nega, mas, segundo ele, a medida foi anunciada na reunião do Comitê Gestor dos Serviços de Água e Esgoto da capital. Macena é o presidente do comitê que acompanha o contrato de concessão de 30 anos dos serviços de saneamento à Sabesp. “O que Massato disse, e está registrado em ata, é que houve uma diminuição da pressão da água em período noturno e admitiu em reunião, com testemunhas, que, em locais mais altos, bairros localizados em morros distantes, a água não chega. Se não quer chamar de rodízio, de racionamento, pode dar o nome que for, o fato é que falta água”, disse Macena.

O secretário de Haddad negou caráter eleitoral no ofício encaminhado às repartições municipais, conforme noticiado pelo Estado ontem. “Apenas comuniquei a rede pública para ficar atenta ao que eles chamam de manobra operacional”, afirmou o petista.

Macena disse que encaminhou a informação sobre o racionamento de água a hospitais, postos de saúde e escolas. “Na reunião do conselho gestor, que assumi a presidência na segunda-feira, foi pautado isso (falta d’água), e a Sabesp apresentou um relatório. Tem de fato uma redução da pressão. O pior de tudo é não ter essa transparência”, disse Macena.

O secretário Mauro Arce afirmou que rodízio não foi tema da reunião. “É lamentável. Esse assunto não foi tratado lá. Quando ele disse que a Sabesp fala que está fazendo rodízio, ele criou uma coisa que não foi discutida”, disse Arce. “É mentira dele (que haja racionamento). O representante da Sabesp que estava lá sabe que esse assunto não foi levantado. O assunto foi a avaliação da situação.” Massato também negou a implementação de rodízio. “Nunca foi dito por mim nem por nenhum funcionário da Sabesp que a companhia pratica qualquer tipo de rodízio ou racionamento. Por uma única razão: não há rodízio nem racionamento nos municípios em que a Sabesp atua. Se houvesse, principalmente a hospitais e escolas, como teria declarado de forma irresponsável o secretário Chico Macena, a Sabesp seria a primeira a informar”, afirmou.

De acordo com Macena, a Sabesp teria reduzido na madrugada a pressão da água em 75%, de 40 metros de coluna d’água (m.c.a) para 10 m.c.a. A medida diminui desperdícios com vazamentos, mas afeta o fornecimento de bairros em regiões mais altas.

Políticos. Ontem, Haddad disse apenas que repassou as informações que recebeu da empresa à rede da Prefeitura. “Não vou entrar em uma discussão semântica. O que nós fizemos foi informar a rede de serviços públicos da medida para que todos possam se programar. Um hospital, uma escola e um posto de saúde precisam estar informados. Nós fizemos um mero repasse da informação que foi oficialmente recebida”, afirmou o prefeito. Por duas vezes, Alckmin não comentou as informações reveladas pelo Estado. Pela manhã, ele deixou uma coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, sem responder a perguntas sobre racionamento. À tarde também evitou comentar sobre o rodízio noturno.
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