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Funcionários do IBGE protestam contra suspensão da Pnad Contínua Manifestantes não entendem a paralisação e reclamam da disparidade salarial entre trabalhadores do IBGE e do IPEA

Agência Brasil

Publicação: 16/04/2014 15:35 Atualização: 16/04/2014 15:46

Manifestação dos funcionários do IBGE pela autonomia técnica e democratização do órgão (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Manifestação dos funcionários do IBGE pela autonomia técnica e democratização do órgão

Cerca de 150 funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se reuniram nesta quarta-feira, 16, para defender a metodologia da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad) Contínua. A divulgação trimestral dos números da Pnad Contínua foi suspensa na última quinta-feira, 10, até o início de 2015 para que seja adequada à legislação. A manifestação dos servidores públicos aconteceu as 10h, em frente à sede do órgão no centro da capital fluminense.

Nessa segunda feira. 15, a ministra a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, defendeu a suspensão do calendário de divulgação dos estudos. Segundo ela, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corre risco de não conseguir oferecer a qualidade necessária na divulgação dos dados da Pnad, caso o calendário seja mantido.

A diretora da Executiva Nacional da Associação dos Servidores do IBGE (Assibge), Ana Carla Magni, informou que a manifestação, além de defender a metodologia do Pnad, quer a democratização do IBGE, a autonomia técnica da instituição, reajuste salarial e a substituição do trabalho temporário pelo efetivo. Segundo ela, a média salarial do técnico de nível superior do IBGE é 90% menor que o funcionário que ocupa o mesmo cargo no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“Os funcionários estão paralisados hoje. Nós consideramos esse episódio da Pnad Contínua o estopim de uma crise que se desenha na instituição há alguns anos, que envolve o esvaziamento do quadro técnico sem a contrapartida necessária de concursos para dar mais robusteza ao quadro próprio”, disse a executiva.

Ainda segundo Ana Carla, a direção do IBGE não explicou aos servidores do órgão os motivos para suspender a coleta de dados até janeiro de 2015, visto que, caso houvesse a necessidade de uma revisão de metodologia do Pnad poderia ser feita simultaneamente com a pesquisa.

“Temos uma gestão extremamente autoritária dentro do IBGE. Não somos ouvidos pela gestão. Esse episódio recente mostra como essa gestão é autoritária. Foi uma decisão unilateral. As diretoras que mais conhecem a trajetória da pesquisa votaram contra a decisão de suspender os resultados da Pnad Contínua”, concluiu.

De acordo com a diretora da Assibge, a Pnad Contínua é mais ampla e divulgada em menos tempo do que a Pnad tradicional. Além disso, o objetivo é que a pesquisa contínua substitua gradualmente a Pnad tradicional e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME).
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