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Transposição do Rio Paraíba abre nova disputa pela água

Agência Estado

Publicação: 19/03/2014 14:01 Atualização:

Campinas, 19 - Apresentada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) como nova alternativa para a grave crise no abastecimento de água da Grande São Paulo, a transposição do Rio Paraíba do Sul, na região do Vale do Paraíba, é tão polêmica quanto à atual disputa por água entre a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o consórcio da Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que abastece as cidades de região de Campinas.

O projeto é um dos arranjos previstos pelo governo estadual no Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista, que começou a ser produzido em 2008 com objetivo de analisar alternativas de novos mananciais para o suprimento de água até o ano de 2035. A proposta é retirar água de um dos braços da represa do Jaguari, na cidade de Igaratá, por meio de uma estação elevatória e levá-la ao reservatório Atibainha, no Sistema Cantareira por um canal com 15 km de extensão.

Tão logo a proposta veio à público, as cidades da região do Vale do Paraíba e do Rio de Janeiro, que também são abastecidas pelas águas do Rio Paraíba, fizeram duras críticas ao projeto. O Ministério Público Federal em Campos (RJ), por exemplo, recomendou em 2011 que o projeto não fosse realizado sem a discussão com todas as regiões afetadas pela medida.

Segundo cálculos feitos pelo Plano Diretor, a transposição pode levar entre 4,7 mil e 5,13 mil litros de água por segundo para o Sistema Cantareira com custo entre R$ 400 e R$ 600 milhões, segundo projeções. Como o Rio Paraíba do Sul é federal - banha os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro -, qualquer projeto de transposição precisa da aprovação do governo federal, no caso, da Agência Nacional de Águas (ANA). No Plano Diretor, os projetos estão previstos apenas a partir de 2025.

Barragem.

Enquanto isso, o governo paulista executa as obras de construção do Sistema Produtor de São Lourenço, que prevê a produção de 4,7 mil litros por segundo para abastecer cidades da Grande São Paulo, e prepara as desapropriações para as obras das barragens Duas Pontes e Pedreira, que têm como objetivo represar água para abastecimento na região de Campinas. Ambos os projetos sofreram atrasos e estão previstos apenas para 2018.

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