Julgamento do Carandiru: promotor traça perfil dos PMs

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postado em 19/03/2014 13:31

Agência Estado

São Paulo, 19 - O julgamento dos dez PMs acusados pelas mortes registradas no quarto andar do Pavilhão 9 do Carandiru, em outubro de 1992, recomeçou na manhã desta quarta-feira, 19, com o promotor Márcio Friggi traçando um perfil dos PMs acusados pelas mortes e das vítimas do massacre naquele pavimento.

Sobre os chamados "matadores", o promotor disse que apenas um deles não tinha registro de mortes em sua carreira. Somente ao comandante da tropa do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), acusada por dez mortes e três tentativas de homicídio no quarto andar, o coronel reformado Wanderley Mascarenhas de Souza, são atribuídos 34 assassinatos na função. De acordo com o levantamento do Ministério Público Estadual (MPE), Souza é responsável por 5 das 15 mortes em uma rebelião em São Paulo em 1982 e por outras 6 mortes de pessoas com doenças mentais em um motim em Franco da Rocha.

Friggi rebateu também a frase do advogado Celso Vendramini, que defende os dez PMs, que durante a sustentação ao jurados assumiu, com orgulho, que já havia matado bandidos quando era policial militar da Rota, na década de 1980. "Uma coisa é agir em legítima defesa e lamentar. Outra coisa é bater no peito e ter orgulho de matar alguém. Para mim, isso é um discurso bom na boca do assassino", afirmou Friggi.

Sobre o perfil das vítimas, o promotor afirmou que os detentos eram, na grande maioria, jovens, com baixa escolaridade e nordestinos. Friggi citou o caso de Elias Costa, de 19 anos, que tinha o ensino fundamental e estava preso provisoriamente havia menos de um mês, sem condenação, quando foi assassinado.

Outra vítima, Francisco da Silva, de 24 anos, era baiano, ajudante de pedreiro e também não havia sido condenado quando foi morto. José Carlos da Silva, também preso no Carandiru sem ter sido condenado, morreu com oito tiros, dois deles nas costas.

Após a argumentação da Promotoria, que durou duas horas, o julgamento entra agora na fase de tréplica. Depois, deve ocorrer a reunião do conselho de sentença, em que os sete jurados - quatro homens e três mulheres - responderão aos quesitos do julgamento. As perguntas devem ser, por exemplo, se as vítimas foram mortas por disparos, se os acusados são responsáveis em conjunto pelas mortes por causa da invasão ao andar e se os jurados absolvem os réus.

A questão sobre a individualização da autoria das mortes foi uma das mais discutidas pelos promotores. Para o MPE, é desnecessário provar qual PM matou cada detento e os policiais devem ser julgados pela ação em conjunto que resultou na morte das vítimas. Apesar disso, a Promotoria pediu na terça-feira, 18, que os policiais sejam absolvidos de duas das dez mortes, o que será decidido pelos jurados.
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