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Black bloc se entrega e será indiciado por participação em ação que feriu cinegrafista Fábio Raposo, de 23 anos, contou à polícia que achou o rojão no chão e o entregou a um desconhecido. Cinegrafista atingido durante protesto segue internado em estado grave

Publicação: 09/02/2014 07:00 Atualização: 09/02/2014 08:32

 Rio de Janeiro – A Polícia Civil do Rio identificou um dos envolvidos no disparo do rojão que atingiu o cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, de 49 anos, durante protesto realizado na quinta-feira contra o aumento das passagens de ônibus. O tatuador Fábio Raposo, de 23 anos, se apresentou na 16ª DP (Barra da Tijuca) na madrugada de ontem e afirmou ser o rapaz de bermuda e tatuagem que, em imagens de emissoras de TV, aparece caminhando ao lado do homem de camiseta cinza que acendeu o rojão. Eles conversam e um chega a apoiar a mão no ombro do outro.
Ao delegado Maurício Luciano de Almeida e Silva, que investiga o caso, Raposo contou que estava no protesto quando viu uma pessoa derrubar um artefato no chão. Ele pegou o rojão e ficou com o artefato por alguns minutos, até que o rapaz de camiseta cinza, que Raposo diz desconhecer, lhe pediu o rojão. O tatuador entregou o objeto, que foi aceso pelo suposto desconhecido. Raposo já foi detido em duas manifestações anteriores, por agressão e depredação, segundo seu advogado, Jonas Tadeu Nunes, que o acompanhou durante o depoimento.


O tatuador, flagrado entre os black blocs, foi liberado após prestar esclarecimentos e a polícia analisa se vai pedir sua prisão preventiva. “As imagens deixam claro que ele estava junto com o principal suspeito de ter acendido o rojão, os dois estavam agindo em conjunto. Ele disse que não conhece esse homem, mas não nos convenceu”, argumentou o delegado. Embora negue ter levado o rojão ao protesto ou ter acendido o artefato, Raposo será indiciado, segundo o delegado, pelos mesmos crimes que serão atribuídos à pessoa que acendeu o rojão: explosão e tentativa de homicídio, esta qualificada por uso de explosivo. A pena pode chegar a 30 anos de prisão.


O jovem disse ter se apresentado à polícia após ser reconhecido em imagens do confronto que circularam na TV e na internet. Vídeo da TV Brasil mostra ele com o rojão na mão e andando lado a lado com o outro rapaz. “Era eu passando o artefato sim, para o outro indivíduo, mas o artefato não era meu. (...) No corre-corre, vi um rapaz correndo que deixou uma bomba cair. Não sei o que era, era um negócio preto. Eu peguei e fiquei com ela na mão. Esse outro cara veio e falou pra mim: ‘Pô, passa aí pra mim que eu vou e jogo’. Aí eu peguei e passei pra ele. Não fui eu, não tive a intenção de machucar ninguém e só estou vindo aqui porque estou assustado demais”, afirmou Raposo à TV Globonews.

Fábio Raposo disse que não conhece o rapaz a quem deu o rojão. “Ele estava no meio da manifestação, eu até tinha visto porque ele é um cara alto, que chama a atenção. Mas eu fui sozinho, e passei (o rojão) pra ele por acaso.” “Já recebi ligações pedindo para eu assumir o caso e falar que fui eu. Não fui eu mesmo. Quero o bem do repórter que está em coma”, completou o jovem, que é tatuador independente e faz faculdade de contabilidade. A pessoa que acendeu o rojão foi flagrada por imagens, mas está de costas. Em outros vídeos, é possível notar que o homem estava com o rosto coberto, como é habitual entre os manifestantes adeptos da tática black bloc.

Rojão Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o cinegrafista atingido continua em coma induzido, internado em estado gravíssimo, mas estável, no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Uma tomografia feita na sexta-feira mostrou que a hemorragia no cérebro foi contida. Santiago Andrade sofreu afundamento de crânio e passou por uma cirurgia de quatro horas de duração. Ao menos outras seis pessoas ficaram feridas sem gravidade no confronto entre manifestantes e policiais.


O cinegrafista foi atingido próximo à Central do Brasil, foco da manifestação contra o aumento de R$ 0,25 nas passagens de ônibus. Apesar dos protestos, a tarifa aumentou ontem para R$ 3. O reajuste foi autorizado pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB). O técnico em explosivo Elington Cacella, do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil do Rio, identificou o artefato que atingiu Santiago como um “rojão de vara”, à venda em qualquer loja de fogos de artifício.

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