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MPT pede na Justiça interdição das obras na Arena da Amazônia após morte de operário Marcleudo de Melo Ferreira, de 22 anos, morreu ao cair de uma altura de aproximadamente 35 metros. Além dele, neste sábado José Antônio da Silva Nascimento, de 49 anos, sofreu um enfarte e morreu trabalhando na mesma obra

Estado de Minas

Publicação: 14/12/2013 23:02 Atualização:

O Ministério Público do Trabalho da 11ª Região (MPT 11ª Região) pediu a interdição da obra na Arena da Amazônia, em Manus, depois que o operário cearense Marcleudo de Melo Ferreira, de 22 anos, morreu ao cair de uma altura de aproximadamente 35 metros. Por meios dos procuradores do Trabalho Maria Nely Bezerra de Oliveira, Renan Bernardi Kalil e Jorsinei Dourado do Nascimento, o MPT protocoou às 17h08 deste sábado, no plantão da Justiça do Trabalho, um pedido de suspensão de obra urgente e imediata.

O documento requer fechamento de todos os setores da obra, de responsabilidade da Construtora Andrade Gutierrez S/A, Amazônia que envolvem atividades em altura. O MPT exige que seja atestado, mediante laudo detalhado, o atendimento dos requisitos mínimos e das medidas de proteção para trabalho em altura, previstos nas Normas Regulamentadoras nº 35 e 18 do MTE, sem comprometimento do salário dos empregados. O MPT quer ainda a fixação de multa no valor diário R$ 100 mil para o caso de descumprimento da medida judicial. A decisão da Justiça do Trabalho é aguardada.

Menos de 10 horas após a morte de Marcleudo, outro operário José Antônio da Silva Nascimento, de 49 anos, sofreu um enfarte e morreu trabalhando na mesma obra. Ele trabalhava no Centro de Convenções do Amazonas (CCA) anexo à Arena. A construção faz parte do complexo que está sendo feito na capital do Amazonas para a realização da Copa do Mundo de 2014. No Mundial, o espaço deverá ser utilizado para reuniões e encontros de delegações esportivas.

Os familiares de José Antônio criticaram as condições de trabalho a que Nascimento era submetido. Segundo a cunhada do operário, Priscila Soares, ele trabalhava sob pressão porque a obra estava atrasada. O Centro de Convenções deveria ter sido entregue em junho, mas a inauguração só deve ocorrer em janeiro de 2014. "Ele trabalhava de domingo a domingo", afirmou Priscila. Nascimento chegou a ser atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. Quando os familiares chegaram à obra, o corpo do operário estava no chão, exposto ao sol.

A morte de José Antônio foi a terceira registrada nas obras de Manaus. Marcleudo de Melo sofreu uma queda de aproximadamente 35 metros após o rompimento de um cabo e caiu sobre uma cadeira. Em maio, foi registrado outro acidente fatal no estádio. Raimundo Nonato Lima da Costa, de 49 anos, se desequilibrou e caiu de uma altura de cerca de cinco metros de altura, após tentar uma travessia de uma coluna para um andaime.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sindacomec), Cícero Custódio, foram registrado mais de 90 acidentes na Arena da Amazônia. "É a arena mais cara do Brasil e os funcionários não são respeitados. Falta gente para trabalhar e os operários têm que se desdobrar e trabalhar na correria para conseguir entregar o estádio no prazo e essa pressa resulta em acidentes", criticou.

Embora o CCA fique ao lado da Arena da Amazônia, a Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa) informou que as obras não estão sob responsabilidade do órgão e sim da Fundação Municipal de Eventos e Turismo (Amazonastur).

(Com Agência Estado)
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