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Estado de Minas

Fogo era rotina na boate de Santa Maria

Polícia tem provas para comprovar que festas promovidas na casa noturna Kiss tinham como atração shows com labaredas. Até delegado postou foto na internet de um dos eventos no local


postado em 01/02/2013 00:12 / atualizado em 01/02/2013 07:32

Imagens e vídeos feitos por frequentadores da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), dão pistas sobre as causas do incêndio que matou 235 jovens na madrugada de domingo. Uma foto postada no Facebook pelo delegado que investiga o caso, Marcelo Mendes Arigony, mostra um show com labaredas realizado ano passado dentro da Kiss por uma empresa também de Santa Maria, a Fuel (combustível em inglês) Entrenimento, especializada em animação de festas.

Outra imagem retirada de um site que registra eventos na cidade, inclusive as festas realizadas pela Kiss, mostra que os locais dos extintores estavam vazios. Na parede ao fundo da foto, no lugar do equipamento para combater fogo, aparece apenas uma seta indicando onde ele deveria estar. Anteontem uma ex-funcionária da Kiss, Valéria Vasconcellos, disse em depoimento à Polícia Civil que um dos donos do estabelecimento, Elissandro Spohr, o Kiko, mandava retirar os extintores dos locais determinados pelo projeto de prevenção de incêndio porque achava que eles deixavam feio ambiente. A defesa dos donos da boate alega que os extintores podem ter sido retirados do local pelas pessoas que fizeram as fotos.

Já um vídeo de uma das festas realizadas na Kiss que circula no YouTube mostra um sinalizador aceso dentro de um balde de bebidas sendo carregado por um garçom no meio de uma multidão de gente dançando na pista da boate. Todas essas imagens estão sendo analisadas pela polícia nas investigações que apuram as causas do incêndio.

Arigony disse que recebeu a foto do show com labaredas dentro da boate por meio de uma mensagem no Facebook. “Tirem suas próprias conclusões”, diz a postagem, que até o fim da tarde de ontem já tinha mais de mil compartilhamentos e centenas de comentários. O delegado postou a foto na madrugada de ontem. Mais tarde, em entrevista a uma tevê local, ele comentou a imagem: “ Postei para mostrar que estamos na linha certa. É muito temerário falar qualquer coisa nesse sentido, mas é óbvio que usam fogos (na Kiss). Não só lá, mas também em outras boates”, disse. Depois da repercussão da imagem, a Fuel divulgou uma nota manifestando pesar pela tragédia e anunciando a suspensão definitiva de shows de pirofagia (com manuseio de fogo) pela empresa.

A foto postada pelo delegado foi feita na Kiss em setembro, de acordo com o site de festas, antes da última reforma realizada pela boate, em novembro. Nessa foto não aparecem as espumas no teto usadas para abafar o som e que são apontadas pelas investigações como a causa da fumaça letal que intoxicou e matou centenas de jovens na hora do incêndio. Essa espuma teria pegado fogo depois de ter sido atingida por um artefato pirotécnico usado pela banda que se apresentava na Kiss na hora do incêndio. Conhecido como chuva de prata, esse artefato é proibido em ambientes fechados.

VISTORIA A Polícia Civil informou que peritos do Instituto Geral de Perícia (IGP) de Porto Alegre vistoriaram a casa noturna ontem, acompanhados de engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que também analisaram a estrutura. Depois de concluída, serão colocados tapumes na fachada da boate, que ficará isolada durante todo o inquérito.


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