O ex-chefe do departamento de Polícia Civil de Formiga, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, João Pedro de Rezende, o filho dele, que também é investigador da corporação, entre outros policiais, foram afastados do cargo após serem denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por venda de carteiras de habilitação. O esquema era feito pela quadrilha desde 2006.
Em agosto de 2010, o promotor de Justiça Ângelo Ansanelli Júnior recebeu denúncias sobre as fraudes e realizou um levantamento sobre os bens dos suspeitos. Ele constatou que o patrimônio dos policiais civis era incompatível com a renda dos cargos ocupados por eles. As informações foram passadas o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Combate ao Crime Organizado (CAO-Crimo) e ao Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCOC) que realizou uma operação para prender os envolvidos.
De acordo com o MPMG, o chefe do esquema era o filho do delegado, Alexandre Clayton Rezende. Além de policial, ele era o dono da auto-escola Sinal Verde e a utilizava para o esquema de facilitação de exames de habilitação. Também faziam parte da quadrilha os policiais, Lineu Lamounier Junior, Sérgio Lúcio Simão, Racilane Antonio da Silva Costa e João Pedro de Rezende. Ao todo foram denunciadas 81 pessoas, entre policiais, despachantes e instrutores da auto-escola, que não tiveram os nomes divulgados.
Alguns dos denunciados atuavam como intermediários, captando pessoas para a obtenção da carteira, outros eram responsáveis pela aprovação dos candidatos que pagavam propina ou cuidavam da distribuição dos valores apurados.
Nas apurações ficou claro que o delegado João Pedro utilizava sua influência junto à Polícia Judiciária para manter na banca examinadora o filho dele e os demais policiais envolvidos, mesmo sabendo do esquema de corrupção. Ele também exigia a aprovação dos candidatos que ele indicava e de ameaçava os policiais que se recusavam a obedecer às ordens dos integrantes da quadrilha. O esquema só foi desmontado com a transferência do delegado para outra cidade e com o afastamento dos avaliadores da função na banca examinadora.
O juiz Paulo César Augusto de Oliveira Lima determinou o afastamento dos policiais das funções na Polícia Judiciária e dos diretores, instrutores e proprietários de auto-escolas denunciados.
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Policiais civis são afastados dos cargos por venda ilegal de CNH em cidade mineira
Ao todo, 81 pessoas foram denunciadas pela Ministério Público por causa do esquema em Formiga
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