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EM identifica possíveis erros da polícia na identificação de Maníaco do Anchieta e sósia

Perguntas sem respostas: possíveis erros cometidos na época em que uma série de estupros foi cometida no Bairro Cidade Nova, na capital

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postado em 07/05/2012 06:37 / atualizado em 07/05/2012 07:32

Alvaro Fraga /Estado de Minas

Reprodução/TV Alterosa
Quais erros a Polícia Civil teria cometido ao investigar os casos de estupro e violência sexual contra crianças e adolescentes praticados na década de 1990 na Grande BH? Os crimes levaram à prisão, julgamento e condenação do porteiro aposentado Paulo Antônio da Silva, de 66 anos, que alega ter sido confundido com o ex-bancário Pedro Meyer Ferreira, de 57, preso desde 28 de março e já reconhecido por 16 vítimas da época. Pesquisas feitas pelo Estado de Minas identificam possíveis falhas que podem ter contribuído para a condenação a 16 anos de prisão do ex-porteiro, que jura inocência.

O número de mulheres que identificam Pedro Meyer como o homem que as atacou sexualmente só aumenta – na sexta-feira, mais duas o reconheceram –, reforçando os indícios de que as investigações feitas à época têm muitas falhas. Uma delas trata de um segundo caso de estupro no Bairro Cidade Nova, Região Nordeste de Belo Horizonte, mesmo depois da prisão de Paulo Antônio. O ex-porteiro foi detido em 1º de abril de 1997, acusado de ter violentado uma menina de 11 anos em um prédio do bairro, perto do edifício onde ele trabalhava, crime cometido em 26 de janeiro do mesmo ano. Mas, em 30 de julho, três meses depois da prisão, outra menina, de 11 anos, foi atacada na região em circunstâncias muito semelhantes às do episódio anterior.

A família da criança teria chamado a polícia, dado queixa e chegado até a fornecer gasolina para que os policiais investigassem, mas sem resultados. Quinze anos depois, ela reconheceu Pedro Meyer em uma rua do Bairro Anchieta, o seguiu de carro e pediu para que parentes chamassem a PM para prender o ex-bancário. A partir daí, surgiu a suspeita de que teria havido um grande engano no passado.

Questionamento
O EM questionou à Polícia Civil quem estava à frente da Delegacia de Mulheres na época dos crimes, para saber por que não foi feita a relação entre o estupro praticado em janeiro de 1997 e o cometido em julho, mas não obteve resposta.
Jair amaral/em/d. a press/Reprodução

O advogado Marco Antônio Siqueira, que representou o ex-porteiro na fase de recursos depois da condenação, reforça que houve falhas na fase da apuração policial, que podem ter prejudicado Paulo. “Havia detalhes que apontavam para sua inocência.” Para Siqueira, o que mais chamou a atenção foi que uma das supostas vítimas de Paulo teria afirmado que o agressor saiu correndo depois do estupro. “O ex-porteiro não teria como correr, pois tinha uma lesão na perna. A jovem também falou que o homem que a atacou tinha uma verruga no nariz e o meu cliente não tinha.” O advogado também considerou absurdo que o retrato falado usado para incriminar o porteiro foi o mesmo confeccionado nas apurações de crimes sexuais de 1994, cujo autor já estava preso.

Outro ponto ignorado pela polícia trata do depoimento de uma testemunha. Uma moradora do Edifício Robson Mendonça Barbosa, no Cidade Nova, onde Paulo Antônio trabalhava, contou ao EM que compareceu à Delegacia de Mulheres e declarou que em 26 de janeiro, data em que a menina de 11 anos foi estuprada, o porteiro estava trabalhando normalmente e, por esse motivo, ele não poderia ter cometido o crime do qual era acusado. Mas, segundo a testemunha, seu depoimento não teria sido anexado ao inquérito.

A defesa do ex-porteiro ainda aponta uma suposta prova ilícita contra ele. Uma equipe de policiais teria filmado Paulo no prédio onde ele trabalhava e exibido as imagens para as meninas agredidas antes mesmo do reconhecimento oficial na delegacia. Para a defesa, a prova foi usada indevidamente.

Arma

Nos dois crimes de violência sexual atribuídos ao porteiro, as vítimas informaram à polícia que foram ameaçadas por um homem armado com revólver. Entretanto, a polícia não teria feito buscas por essa arma e nem apurado se Paulo Antônio tinha uma em seu poder. Outro critério que, mesmo não sendo decisivo, teria sido desconsiderado pelos policiais na época, é a diferença de idade entre o condenado e o atual suspeito de violentar a menina em janeiro de 1997. Quando foi preso, Paulo Antônio tinha 51 anos. Entretanto, a vítima, no depoimento prestado à polícia, disse que foi atacada por um homem de “uns 40 anos”. (Com Landercy Hemerson)

5,7 anos
foi o tempo que o ex-porteiro Paulo Antônio ficou na prisão

1.032
ocorrências de estupro foram registradas em Minas Gerais no ano passado

16 anos
é a pena imposta a Paulo Antônio pelos dois crimes de estupro dos quais é acusado

364
pessoas registraram queixas de crime de estupro em Belo Horizonte em 2011

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600
 
Lázaro
Lázaro - 07 de Maio às 11:24
PELO QUE VEJO, OS ADVOGADOS E AS TESTEMUNHAS COBRARAM MUITO POUCO DAS INVESTIGAÇÕES FEITAS. SE A PESSOA TESTEMUNHOU CERTO TINHA Q HAVER UMA MUDANÇA NO CASO. POIS FALSO TESTEMUNHO É CRIME. SE EU ESTIVER ERRADO EM MINHAS CONVICÇOES, POIS ME CORRIJAM.
 
DEMERVALDO
DEMERVALDO - 07 de Maio às 09:47
Esse tipo de erro para mim são imperdoáveis. Deveria ser um crime comparado ao homicídio qualificado. A polícia, a justiça, e também asociedade, deveriam ser mais prudentes ao acusar uma pessoa. Imaginem a angústia desse porteiro que certamente fora ironizado ao se dizer inocente. REVOLTANTE.
 
wagner
wagner - 07 de Maio às 09:19
enquanto a PC tiver em seus quadros profissionais que se preocupam mais em aparecer na mídia do que realmente trabalhar bem, sempre teremos inquéritos mal conduzidos...
 
joao
joao - 07 de Maio às 09:16
Quem vai devolver a vida que esse senhor passou atras das grades? Quem vai apagar a descriminação humilhante causada pela acusão de estrupo de uma criança? Aonde está a turma dos direitos humanos, dos movimentos sociais, dos caras borradas, dos políticos que dizem lutar pela sociedade?
 
francys
francys - 07 de Maio às 09:01
Aécio/Anastasia destruiram a ex-melhor polícia do Brasil! Muito triste.
 
Marcelo
Marcelo - 07 de Maio às 09:00
CSI belzonte, que coisa!!!!!!
 
Antonio
Antonio - 07 de Maio às 08:42
Quando tomamos conhecimento de crimes violentos,sempre pensamos em punir com pena de morte,mas casos como este nos faz refletir de como poderia ser morto um inocente por engano.O que realmente precisamos é de cumprimento das leis com rigor e mais agilidade.
 
Marcio
Marcio - 07 de Maio às 08:32
Só tem uma palavra para definir o trabalho da "laboriosa" polícia Civil: preguiça.
 
clsoli
clsoli - 07 de Maio às 08:29
Comentários felizes dos Srs.Ricardo Teixeira e Jesus souza, a PC realmente está jogada às traças, mal preparada, mal remunerada, mal educada, mal investida, e outros vários males.....Fatos igual a este infelizmente irão acontecer enquanto o governo não investir na polícia investigativa...
 
Ricardo
Ricardo - 07 de Maio às 06:57
Polícia mal treinada e mal paga, e com pressão para mostrar resultado, dá nisso. Trabalho porco. Agora, o Estado terá de arcar com pesada indenização, por ter com sua incompetência destruído a vida de um inocente.
 
jesus
jesus - 07 de Maio às 06:55
O motivo de tanta violencia está aí, na impunidade, se fosse realmente o Paulo Antonio, foi condenado a 16 e só cumpriu 5,7 anos, e as vítimas continuam com o trauma até hoje,portanto elas estão condenadas pelo resto de suas vidas. E a PC quantos erros é incompetencia e omissão