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O desafio da leitura

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postado em 08/09/2014 18:23 / atualizado em 08/09/2014 18:55

Sônia Machado Jardim

Cristina Horta/EM/D.A.Press

A indústria de livros vive um grande desafio: formar novos leitores para, dessa forma, vencer a estagnação do faturamento das editoras, revelada recentemente por pesquisa divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP). Para a presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Livros (SNEL), Sônia Machado Jardim, os caminhos são muitos. Todos eles esbarram no desafio maior: cultivar em mais brasileiros o hábito da leitura.

Se olharmos os números da pesquisa "Produção e vendas do setor editorial brasileiro" em 2013, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) para o Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL) e para a Câmara Brasileira do Livro (CBL), verificamos que houve um aumento no número de exemplares vendidos para o mercado. Entretanto, esse crescimento não representou aumento de faturamento para o setor, se descontarmos a variação da inflação no período. Este é o panorama atual do setor editorial brasileiro. Na prática, foi necessário trabalhar mais para conseguir o mesmo resultado do ano anterior. E vender mais tem sido uma tendência que o mercado sinaliza desde 2004, com o início de uma trajetória de queda do preço médio constante do livro. Daquele ano até 2013, observamos uma queda real no preço médio constante de 43%.

Vários fatores explicam essa queda no preço: maior concorrência, estabilidade do câmbio, economia de escala, desoneração do PIS e Cofins, e maior oferta de títulos - o que cria um cenário atrativo para os leitores. Para baixar os preços, os editores também desenvolveram novas linhas de produtos, como as edições de bolso; edições com acabamento mais simplificado, porém de qualidade, o que acabou por atrair leitores inclusive dos segmentos C e D, uma vez que o livro se tornou mais acessível. O aumento de 4,3% no número de exemplares vendidos em 2013 em relação a 2012 mostrou que essa estratégia tem se mostrado vitoriosa. Mas ainda temos muito a conquistar.

O Brasil é um país de extensão continental. A rede de livrarias existente não consegue cobrir todo o nosso território. É possível pensar que existe uma demanda reprimida por livros quando vemos o sucesso das feiras de livros, que atraem, a cada dia, mais visitantes. Temos, então, a questão de como fazer chegar a esses leitores os livros que querem. Nos últimos anos, percebemos o aumento das vendas por catálogo como uma tentativa de fazer chegar o livro ao leitor que talvez não tenha o hábito de frequentar livrarias ou que não tenha uma livraria por perto. A venda pela internet é uma realidade. Diversas livrarias virtuais estão equipadas para atender os leitores espalhados pelo Brasil com um excelente nível de serviço. Isso sem falarmos na opção do livro digital, que vem a cada dia conquistando novos leitores pela facilidade de ter acesso a qualquer hora aos últimos lançamentos do mercado, sem precisar sair de casa ou aguardar o prazo de entrega.

Walter Craveiro/Divulgação

Pais engajados, filhos leitores

Todas as alternativas para aumentar a venda de livros no país não terão efeito caso não se consiga formar uma nova legião de leitores. E para que isso aconteça precisamos de pais engajados, que consigam passar para seus filhos o amor pela leitura e pelos livros, que ao fim de um árduo dia de trabalho tirem um momento para lerem um livro com seus filhos. O papel da escola nesse quadro também é fundamental. É na mais tenra idade que se desenvolve o hábito, o prazer pela leitura. Os professores, por sua vez, também precisam ser leitores apaixonados para que possam passar credibilidade nessa relação de afeto com o livro. Faltam programas voltados para fornecer ao professor livros de literatura, pois não podemos cobrar esta mudança de perfil dos professores sem dar os instrumentos para isso. Os programas atuais do MEC de Biblioteca do Professor são voltados para compra de livros técnicos para professores. Já o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) é voltado, atualmente, para a compra de livros de literatura exclusivamente para os alunos.

Dentro desse contexto, inclusive, um dado da pesquisa "Produção e vendas do setor editorial brasileiro" que preocupa é a redução da compra pelo governo para o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) em 2013. Esperamos que tenha sido um caso pontual e não uma política continuada do Ministério da Educação. Afinal, não podemos deixar que esta geração que hoje está na escola não tenha acesso a essa enorme diversidade de produção das editoras brasileiras - e que não fica a dever nada à produção internacional. A pesquisa "Retratos da leitura no Brasil", feita pelo Ibope Inteligência para o Instituto Pró-Livro, mostrou que o professor é quem mais influencia alguém a ler. Assim, é importante que as escolas tenham uma estrutura que permita que o hábito da leitura seja criado e cultivado, com horário na grade curricular para frequentar a biblioteca da escola exclusivamente para leitura, não para pesquisa escolar.

Em 2013, 62,2 mil títulos foram oferecidos ao mercado em 2013, dos mais diversos segmentos, gostos e interesses. Ou seja, existe variedade de produto para todo tipo de público. O que precisamos fazer, então, é transformar o brasileiro em um grande leitor, porque sabemos que quem lê escreve melhor, articula melhor os pensamentos e terá melhores condições de entrar no mercado de trabalho; terá melhores condições de se tornar um cidadão ativo, apto a participar de forma mais efetiva da construção de um Brasil melhor.

Sônia Machado Jardim é presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL)
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