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Interrogatório de testemunhas antecipa debate entre acusação e defesa no júri de Bola

No segundo dia do julgamento, três depoimentos foram colhidos e todos comprometeram a imagem do acusado. Defesa contesta e garante que foi beneficiada pelos relatos

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postado em 23/04/2013 22:57 / atualizado em 23/04/2013 23:19

Daniel Silveira

Renata Caldeira / TJMG.


O segundo dia do julgamento do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, pareceu adiantar como serão os debates entre acusação e defesa, que deve acontecer somente na quinta ou sexta-feira. Os defensores se esforçam em desqualificar as investigações e apontar que o acusado é vítima de perseguição, fruto de brigas com outros policiais. A promotoria, por sua vez, busca mostrar aos jurados o perfil do homem apontado como executor de Eliza Silva Samudio, que teria caráter cruel e dissimulado.
Acompanhe no blog a cobertura completa do julgamento

Três testemunhas foram ouvidas nesta terça-feira, uma arrolada pela acusação e duas pela defesa. O primeiro a prestar depoimento foi o detento Jailson Alves Oliveira, vizinho de cela de Bola na Penitenciária Nelson Hungria. Ele denunciou um suposto plano do ex-policial civil para matar a juíza Marixa Fabiane Rodrigues e outros envolvidos no caso Bruno. Além disso, afirmou ter ouvido do acusado que o corpo de Eliza só vai aparecer “no dia em que peixe falar”.

A defesa considerou que o depoimento de Jailson não tem credibilidade, uma vez que ele é autor confesso de vários crimes e se demonstra dissimulado. O advogado Fernando Magalhães afirma que a testemunha apenas relata o que ouviu na televisão, reproduzindo, segundo ele, a imagem negativa que a mídia criou sobre o acusado.

Já a promotoria se vale dos relatos do detento garantindo que são coerentes. Segundo o promotor Henry Vasconcelos, esta foi a nona vez que Jailson manteve inalterado o mesmo relato. Além disso, revelou saber fatos que somente poderia ter ouvido do próprio Bola, como a data de sua exoneração da Polícia Civil, ocorrida em 1992, e o início da numeração do Masp (matrícula no quadro da corporação) de Bola, que começava com 34.

Renata Caldeira / TJMG.
A próxima testemunha a depôr, arrolada pela defesa, foi o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Durval Ângelo. A defesa quis ouvir dele detalhes sobre as denúncias que o goleiro Bruno Fernandes e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, apresentaram ao grupo. O parlamentar acabou comprometendo os dois réus, já condenados. Isso porque afirmou que Bruno acionou a comissão se dizendo ameaçado, mas ao se apresentar não revelou nenhuma ameaça, bem como se mostrou tranquilo em relação ao processo. Já em relação ao amigo do goleiro, que reclamava ser tratado como homossexual na cadeia, Durval disse ter ficado “convicto da responsabilidade dele neste crime”. O deputado esclareceu que Macarrão afirmou ter mentido à polícia e à Justiça por orientação dos advogados.

A defesa quis, então, tratar com o parlamentar sobre denúncias envolvendo o extinto Grupo de Respostas Especiais (GRE) da Polícia Civil. Há provas no processo de que Bola integrou o grupo arbitrariamente, já que havia sido exonerado da corporação, e lá promovia treinamentos. O ex-policial, inclusive, responde processo criminal pelo assassinato de dois homens cometidos dentro do Centro de Treinamento do grupo, local do qual era responsável.

O nome do inspetor Júlio César Monteiro de Castro, que comandava o GRE, foi citado várias vezes pelo advogado Ércio Quaresma, que parece sustentar a tese de que há uma rixa entre ele e Bola. Para a promotoria, porém, isso acabou comprometendo o acusado, pois Durval Ângelo afirmou que Júlio nunca citou o nome de Bola nas denúncias que fez. Ao contrário, vizinhos do sítio onde funcionava o centro de treinamento do grupo foram quem afirmaram o envolvimento de um policial chamado Paulista (um dos codinomes de Marcos Aparecido) no desaparecimento e morte dos dois homens.

A defesa dispensou a terceira testemunha do dia, arrolada por ela própria, mas um dos jurados quis que ela fosse ouvida. Trata-se do atual corregedor da Polícia Civil, o delegado Renato Patrício Teixeira. Em seu depoimento, ele revelou que Bola foi exonerado da corporação, da qual fez parte apenas entre março de 1991 e junho de 1992, por falta de idoneidade moral. O ex-policial havia sido expulso da Polícia Militar de Minas Gerais e de São Paulo, por mau comportamento, e escondeu os dois fatos ao ingressar na Polícia Civil. Além disso, ao comentar as investigações acerca da atuação do GRE, disse saber que Bola tinha “staff” dentro do grupo, concedido por Júlio César Monteiro de Castro.

Terminados os trabalhos, o advogado Fernando Magalhães disse que todos os depoimentos foram favoráveis à defesa. Já o promotor Henry Vasconcelos foi categórico ao afirmar que a defesa saiu derrotada, pois não sabe trabalhar com as provas do processo.

Para esta quarta-feira estão previstos os depoimentos de mais duas testemunhas. Em seguida, o acusado passará a ser interrogado. Como a defesa garantiu que será muito extenso o interrogatório de uma das testemunhas, a previsão é que o réu só seja ouvido na quinta-feira.
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