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Outro policial está envolvido na morte de Eliza Samudio

Promotor promete denunciar à Justiça ainda este ano detetive que apresentou Bola ao goleiro e que, às vésperas da morte de Eliza, falou 53 vezes com envolvidos

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postado em 27/11/2012 06:00 / atualizado em 27/11/2012 08:19

Paula Sarapu

O Ministério Público pretende provar à Justiça que o policial aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, também tem envolvimento no desaparecimento e morte de Eliza Samudio. A condenação do fiel escudeiro do goleiro Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e da ex-namorada do atleta Fernanda Gomes de Castro, na semana passada, lança luz  sobre o personagem que figurou como suspeito durante as investigações da Polícia Civil. Como consta no processo, foi Zezé quem apresentou Macarrão e Bruno ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Nos cinco últimos dias de vida de Eliza, outro forte indício, segundo as investigações: Zezé falou 53 vezes por celular com Macarrão, Bola e o menor J., primo de Bruno. O promotor Henry Wagner Vasconcelos, que conseguiu a condenação de Macarrão e Fernanda, pretende até dezembro denunciar Zezé à Justiça com base em provas do processo.

O policial aposentado conversou 18 vezes com o caseiro do sítio de Esmeraldas, Elenilson Vitor da Silva, entre os dias 5 e 10 de junho de 2010, período em que Eliza e o filho estavam no local. De acordo com o processo, Zezé ligou para a delegacia no dia em que ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, detida, foi acusada de sequestrar o bebê. Naquele dia, foi ele quem mandou um torpedo para o celular de Macarrão, informando-o sobre a movimentação da polícia em busca do menino. Macarrão chegou a orientar Dayanne a tirar Bruninho do sítio e ela então entregou a criança a Elenilson e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, amigo do goleiro. Os dois são réus, mas tiveram o processo desmembrado. O julgamento deles ainda não foi marcado.

Entre 5 de junho, quando Eliza chegou ao sítio, e o dia 10, data da morte, Zezé e Macarrão conversaram 37 vezes. A polícia suspeita também que ele foi o homem autorizado por Macarrão a subir até o quarto do motel em Contagem, onde Macarrão, Eliza, o menor e o bebê passaram a noite, chegando do Rio. O rastreamento de celulares pelas antenas das operadoras indica que os dois estavam na mesma região. Ali, foram 23 ligações entre os dois. No dia 9, quando a modelo era vigiada pelo grupo no sítio, segundo a acusação, foram 12 conversas pelo telefone de J., primo de Buno. À polícia o menor contou que Eliza foi entregue a um homem negro e de barba, características semelhantes às do suspeito.

“Na época, tentamos de tudo, mas não conseguimos elementos suficientes para indiciá-lo. Ouvimos o Zezé duas vezes e ele contou que era amigo de Bola e que os dois planejavam inaugurar um paintball. Sobre as ligações para Macarrão, ele disse que Bruno financiava seu grupo de pagode. Muitas vezes a polícia tem conhecimento, mas precisa trazer como prova”, explica a delegada Alessandra Wilke, que investigou o caso. “Zezé conhecia os dois e minha intuição diz que ele participou. Tínhamos indícios, mas isso não bastava. Com os autos suplementares , a polícia terá mais tempo para chegar até ele.”
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