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Acusação teme "operação Limpeza" para eliminar peças-chave do caso Bruno

Advogado da mãe de Eliza acredita que peças-chave do caso Bruno estão marcadas para morrer. Ele quer a prisão de ex-policial que ligou 23 vezes para Macarrão no dia do crime.

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postado em 23/08/2012 06:00 / atualizado em 23/08/2012 09:01

Pedro Ferreira

Cristina Horta/EM/D.A Press - 12/04/2012


Mais pessoas envolvidas no caso Bruno podem estar com os dias contatos, alerta o assistente de acusação no processo, José Arteiro Cavalcante Lima. “Não tenho dúvidas de que o assassinato de Sérgio Rosa Sales foi mesmo queima de arquivo. Eles começaram a operação limpeza”, afirmou o advogado criminalista contratado pela mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura. Segundo ele, Sérgio pode ser o segundo de uma lista de pessoas marcadas para morrer. “Sósia da dona Sônia foi esfaqueada e morta em Campo Grande e há suspeita de que o alvo era ela”, afirmou.

José Arteiro diz não entender o motivo que levou o policial civil José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, a não ser preso na época das investigações. “Foi ele quem apresentou Bola, o matador, para Macarrão. No dia da morte de Eliza, Zezé telefonou 23 vezes para Macarrão. Logo depois que Eliza morreu, Zezé tratou logo de sair da polícia e pediu aposentadoria”, acrescentou. Segundo ele, o policial também manteve contatos com o goleiro Bruno. “Não entendo porquê a polícia não indiciou o Zezé e também não consigo entender o fato de o Ministério Público não tê-lo denunciado. O promotor tinha a obrigação de apurar o envolvimento dele no crime, de pedir diligências à polícia. O Zezé é tão perigoso quanto os outros que estão presos”, disse José Arteiro.

De acordo com José Arteiro, além de colegas na Polícia Civil, Zezé e Bola eram amigos há muitos anos. “Zezé foi o intermediário, apresentou o matador para Macarrão. O Sérgio chegou a entregar o Bruno para a polícia no seu primeiro depoimento, onde ele diz que falou para o Bruno que ele não deveria ter feito aquilo (matar Eliza), mas que o Bruno teria dito que já estava feito e que não tinha mais nada o que conversar”, conta o advogado.

Ainda de acordo com José Arteiro, quando Eliza foi entregue a Bola próximo ao Mineirão, para que fosse levada para a casa dele em Vespasiano, onde foi morta, o ex-policial estava acompanhado de um homem negro, que, na sua opinião, era o Zezé. “A polícia sabe que havia um homem negro envolvido nessa história. O menor estava junto e falou isso para a polícia. Todo mundo sabe que o homem negro era o Zezé”, afirmou Arteiro.

A Polícia Civil informou que Zezé realmente se encontrou duas vezes com Bola no dia do crime, mas que não houve provas do envolvimento dele na morte de Eliza e nem na ocultação do corpo. A Polícia Civil confirmou que Zezé e Macarrão conversaram 23 vezes por telefone em seis horas no dia em que Eliza e o bebê foram trazidos do Rio para Minas, em 4 de junho de 2010.

Cristina Horta/EM/D.A Press - 29/04/2011
Para defesa é caso isolado


Para o advogado Zanone Manoel Oliveira Junior, que representa o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, a morte de Sérgio não interfere na defesa do acusado de assassinar e ocultar o corpo de Eliza Samudio. Zanone lembra que, na audiência no Tribunal do Júri de Contagem, Sérgio não reconheceu Marcos Aparecido. “Ele disse em juízo que tudo o que falou aos policiais ouviu do menor. Pedi que ele apontasse o Marcos de quem falavam e Sérgio afirmou que não era meu cliente. Não foi por medo, até porque ele era réu e estava com advogados, na frente de todo mundo. Não acho que tenha sido queima de arquivo e isso não vai causar nenhum efeito negativo na minha defesa.”

O advogado Rui Pimenta, defensor do goleiro Bruno, afirmou que o assassinato de Sérgio é um caso isolado e não tem nada a ver com o processo envolvendo seu cliente. “Há depoimentos de moradores do bairro de que Sérgio estava envolvido com a mulher de um sujeito perigoso da região”, disse Pimenta. A assessoria de imprensa do Ministério Público informou que o promotor que assumiu o processo da morte de Eliza Samudio, Henri Wagner Vasconcelos de Castro, participava de um júri até a noite de ontem e não poderia se manifestar sobre o assassinato de Sérgio.

A ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, prefere não comentar a morte de Sérgio. Se foi vingança ou queima de arquivo, segundo ela, a polícia deve investigar quem sairia prejudicado com ele vivo. “Rezo a oração dos sábios. Não sei direito o que aconteceu”, disse. Dayanne conta que na manhã de ontem recebeu um telefonema da irmã de Sérgio, Célia, falando do crime. “Não sei se Sérgio vinha sendo ameaçado ou se tinha brigado com alguém. Falo mais com a irmã dele e não tenho muito contato com a sua família. Nem a família sabe o que aconteceu”, disse Dayanne. A filha mais velha dela com o goleiro Bruno, de 6 anos, ficou sabendo do crime pelo rádio. “Ela chegou para mim chorando, querendo saber o que tinha acontecido com o tio Sérgio dela. Ela gostava muito dele e eu não tive como esconder nada”, disse Dayanne.
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