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Caso Bruno causa decepção entre aspirantes a goleiro

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postado em 15/08/2010 13:30 / atualizado em 15/08/2010 13:41

Maurício Lara /Estado de Minas

Maria Tereza Correia/EM/D.A Press

O pequeno Tiago, de 9 anos, estava se preparando para começar a treinar no gol do time do Projeto Social do Santa Tereza, quando soube dos acontecimentos envolvendo o ídolo, o goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza, revelado no Atlético Mineiro. O menino ficou tão impressionado que desistiu do sonho. A mãe passou no campo do Santa Tereza para avisar que Tiago não ia mais treinar; nem queria mais jogar na posição.

Outro pequeno sonhador, Pedro Luiz, de 10, que frequenta o projeto De Olho no Futuro, do Centro de Futebol Zico, no Bairro Buritis, continua pensando em se tornar um grande goleiro, mas ficou abalado com a história envolvendo o jogador famoso e a modelo Eliza Samudio. “É muito triste”, lamenta Pedro Luiz, ao dizer que, depois de ver o noticiário, ficava pensando à noite, sem conseguir dormir. E fez sua análise: “A fama atrapalhou. Ele pensava que tinha muito poder. Só porque é famoso, não tem poder nenhum”. Por coincidência, Pedro Luiz torce para Atlético e Flamengo, os dois clubes que marcaram a carreira de Bruno.

“Isso tudo está mexendo com eles. Ninguém quer terminar como o Bruno. Querem achar outro caminho”, avalia a coordenadora do De Olho no Futuro, Maria Célia Castilho Pereira, referindo-se aos 350 meninos que frequentam as atividades do projeto. Segundo ela, os garotos tendem a fazer ligações entre a história de abandono do goleiro na infância com o desenrolar dos fatos. A explicação deles é que Bruno, na infância, não tinha ninguém para, ao chegar em casa, contar o que acontecera com ele durante o dia.

O treinador do projeto, Fernando Eustáquio Mateus, de 61 anos, considera que “não foi surpresa” a trama relatada pela polícia envolvendo atleta e mostra preocupação pelo fato de haver “outros Brunos sendo projetados por aí”. Depois da repercussão do caso, Fernando tem procurado conversar sobre o tema com os meninos que treina. “Aconselho que eles não façam chacota com o assunto. E que peguem o episódio como exemplo em relação às escolhas que podem ser feitas.”

Bobeira

O enfoque passa por mostrar o que o goleiro teve nas mãos. “Mostro o que o Bruno tinha – os melhores hotéis, comidas caras, carros, mulheres – e o que ele tem hoje. Mostro o tanto que ele perdeu”, conta Fernando, revelando que as crianças tinham o atleta como modelo. Mas isso mudou. O próprio Pedro Luiz reconsiderou: “Eu gostava dele; agora não gosto mais”.

O destino atual de quem teve tudo nas mãos impressiona os meninos que sonham com fama e glória. “Bruno foi para a cadeia por bobeira”, diz Pedro Luiz. “Ele perdeu a carreira toda, jogou tudo fora”, emenda Evandro Lucas Marques, de 14, goleiro na escolinha do Santa Tereza e outro que ficou triste com os acontecimentos. “Eu admirava muito o Bruno”, revela Evandro.

O meia-atacante Gustavo Henrique, de 14, do Santa Tereza, completa: “Ele tinha dinheiro, tinha carro, tinha mulher. Não sei o que dá na cabeça do cara”. Reviravolta também para o xará do jogador, de 12 anos, do mesmo Santa Tereza: “Ter o mesmo nome dele era bom, agora é ruim”. Para o zagueiro Guilherme, de 13, Bruno adquiriu má fama. “Ele ficou famoso, mas foi preso e, agora, ficou mais famoso ainda.”