Disputa pelo Senado trava decisão da federação União/PP em Minas Gerais
Impasse está na disputa pelas vagas do Senado, envolvendo o ex-secretário Marcelo Aro e o senador Carlos Viana. Tensão pode inviabilizar composição com PSD
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A poucos dias do prazo final para a definição das chapas, o destino da federação União/PP em Minas Gerais segue incerto. Criada oficialmente neste ano, a federação reúne duas das principais forças do centrão e tem peso decisivo nas eleições, justamente por concentrar recursos, tempo no horário eleitoral gratuito e capilaridade política.
No estado, o principal impasse está na disputa pelas vagas ao Senado. O ex-secretário da Casa Civil Marcelo Aro (PP), pré-candidato ao cargo, resiste a dividir espaço com o senador Carlos Viana (PSD), que busca a reeleição. A tensão entre os dois escalou a ponto de inviabilizar, até o momento, uma composição entre o PSD e a federação em torno da candidatura do governador Mateus Simões (PSD) a um novo mandato.
Em entrevista à "TV Plan", de Poços de Caldas, Aro afirmou que a federação “não estará com o PSD se o PSD tiver candidato ao Senado”. O bloco, inclusive, remarcou sua convenção para 3 de agosto, logo após o encontro partidário do PSD, previsto para 2 de agosto.
Aro rejeita a possibilidade de formar dobradinha com Viana na disputa pelas duas vagas ao Senado e afirma que a filiação do senador ao PSD para disputar a reeleição foi um dos maiores erros de estratégia da legenda. A avaliação de Aro é que há risco de derrota, já que a direita também deve lançar o deputado federal Domingos Sávio (PL), que contará com o apoio do eleitorado bolsonarista.
Como há duas vagas na chapa majoritária, o PSD defende a composição com Aro e Viana. No entanto, o ex-secretário considera que a presença do senador compromete seu desempenho eleitoral. Por isso, exige que Viana não seja referendado na convenção do partido. Caso o PSD homologue a candidatura, Aro já admite desembarcar da campanha de Simões.
Aliado de ambos, o governador tenta manter a federação em sua chapa, como acordado previamente com as direções nacionais dos partidos, de olho no tempo de televisão, estimado em cerca de 20% do total. Simões já reconheceu publicamente o impasse e aguarda uma definição do bloco para concluir a montagem de sua candidatura. Viana garante que sua candidatura será homologada pelo PSD na convenção.
Com desempenho ainda instável nas pesquisas, Simões depende do horário eleitoral gratuito para ampliar suas chances de chegar ao segundo turno. No entanto, nos bastidores, a leitura é de que a disputa pelo Senado contaminou toda a estratégia da federação em Minas, dificultando a construção de um palanque unificado em torno de Simões.
Prefeito resiste
Diante da falta de consenso, o bloco passou a trabalhar com cenários alternativos: lançar candidatura própria ao governo, com o próprio Aro como possível nome, ou apoiar outro candidato fora do grupo de Simões, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não oficializou sua intenção de disputar o cargo, apesar de liderar as pesquisas e dar sinais de que pretende entrar na corrida. Ou até mesmo se aliar ao PL, caso não vingue uma aliança entre os liberais e o senador Cleitinho.
Além do embate entre Aro e Viana, o coordenador da federação no estado, o prefeito de Belo Horizonte Álvaro Damião (União), também tem sinalizado resistência a uma aliança com o governador, ao criticar, mais de uma vez publicamente, o tratamento dispensado pelo governo estadual à capital.
Nesta semana, durante um evento da prefeitura, Damião voltou a negar que a federação esteja fechada com Simões e afirmou que o grupo mantém diálogo com diferentes forças políticas, incluindo o PT. O prefeito tem se aproximado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem aparece frequentemente em agendas na capital. O PT, inclusive, teria vetado uma possível aliança com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), pré-candidato ao governo de Minas, para não comprometer um eventual apoio de Damião à reeleição de Lula. Caso não seja eleito governador, Gabriel deve disputar novamente a Prefeitura de Belo Horizonte, em 2028, em um possível confronto direto com o atual prefeito.
Damião também já declarou apoio à candidatura de Aro ao Senado, citando o respaldo da federação e do ex-secretário, que controla um grupo de vereadores da capital, a projetos da prefeitura na Câmara Municipal, o que amplia ainda mais a resistência à inclusão de Viana na mesma chapa.
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A federação, entretanto, não tem mais tempo pela frente, já que a campanha começa oficialmente no próximo dia 16 e todas as chapas e alianças devem estar definidas até um dia antes na Justiça Eleitoral.