Cereja de Fases: linha de O Boticário foca no conforto no ciclo menstrual
Com fragrância desenvolvida para acolher durante a TPM, nova linha promete transformar o cuidado corporal durante o ciclo menstrual
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A linha Cuide-se Bem Cereja de Fases, de O Boticário, chegou ao mercado prometendo cuidar especificamente do ciclo menstrual. Trata-se de uma iniciativa inédita no mercado brasileiro, com fórmulas pensadas para acompanhar as oscilações físicas e emocionais de pessoas que menstruam ao longo do mês.
Desenvolvida em parceria com a marca Pantys e com apoio científico Centro de Pesquisa da Mulher, do Grupo Boticário, os produtos são focados em aliviar cólicas, odores e alterações na pele, prometendo uma experiência sensorial acolhedora.
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Tudo isso graças a uma fragrância floriental frutal adocicada, com destaque para a cereja envolta em notas cremosas de baunilha e chocolate branco. A construção olfativa aposta na aromacologia para induzir conforto emocional, algo que, ainda que não tenha efeito farmacológico, pode influenciar o humor e a percepção de bem-estar.
Com um portfólio amplo, a linha percorre todas as etapas do cuidado corporal, do banho à hidratação, passando pela perfumação e cuidado com as acnes que aparecem no período. A reportagem do Estado de Minas recebeu e testou os produtos e detalha cada um a seguir.
Spray íntimo
O spray íntimo é um dos produtos mais interessantes da linha. É um produto que funciona como um desodorante íntimo, mantendo a sensação de frescor e inibindo a umidade. Também ajuda a disfarçar alguns odores que podem incomodar algumas pessoas.
A fórmula aposta em propelentes (butano, propano e isobutano) para garantir secagem imediata e sensação refrescante, algo particularmente útil durante a menstruação, quando o uso de absorventes pode gerar desconforto térmico. Entre os ativos, destacam-se o oleato de decila e o óleo de soja, que evitam ressecamento, além da vitamina E e da calêndula, que ajudam a acalmar a pele.
A presença de prebióticos e a ausência de álcool etílico são pontos positivos importantes, reduzindo o risco de irritação. Além disso, não altera o pH vaginal.
Por outro lado, o perfume pode ser um problema para peles sensíveis ou pessoas com histórico de candidíase. É um produto seguro para uso externo (vulva), mas absolutamente contraindicado para uso interno.
Vale a pena?
O spray é aerosol, tem 75 ml e custa R$ 44,90 no site da marca. No custo-benefício, cumpre bem a proposta de praticidade e conforto — especialmente fora de casa —, mas deve ser encarado como complemento, não substituto da higiene.
No mercado, existem produtos com propostas semelhantes, como o da Vagisil, que tem o mesmo volume e custa R$ 33,90. Outra opção é o da Giovanna Baby, que tem 100 ml e é vendido por cerca de R$ 20. Nenhum deles foi testado pela reportagem.
Sabonete em barra
O sabonete em barra entrega exatamente o que promete no sensorial: espuma cremosa, fragrância marcante e sensação imediata de maciez. É um produto prazeroso, daqueles que transformam o banho em ritual.
A fórmula, no entanto, é tradicional: sais de ácidos graxos (derivados de palma), com pH alcalino. Isso significa maior potencial de ressecamento, especialmente em peles sensíveis. A glicerina ajuda a compensar, mas não anula completamente o efeito.
Os extratos de frutas vermelhas têm mais função estética do que tratamento real, considerando o tempo curto de contato com a pele. Já a alta carga de fragrância pode ser um ponto negativo para quem tem tendência a irritações.
Vale a pena?
A caixa tem quatro sabonetes, cada um com 80g, e custa R$ 36,90. É um produto que vale pelo sensorial e pelo custo acessível, mas não é a melhor escolha para áreas delicadas — e tampouco apresenta impacto relevante nos desconfortos do ciclo. O usuário consegue uma sensação parecida com outros sabonetes de cereja no mercado.
Sabonete líquido
O sabonete líquido é, tecnicamente, o produto mais interessante da etapa de limpeza. Voltado para o corpo e o rosto, ele ajuda a controlar a oleosidade, que tende a aumentar nessa época do mês, sem deixar repuxando. Isso ocorre porque a fórmula combina tensoativos (Sodium Laureth Sulfate, Decyl Glucoside e Cocamidopropyl Betaine), que equilibram eficiência e suavidade.
Ele tem uma espuma cremosa e traz uma sensação de frescor bem agradável. O destaque vai para o ácido salicílico, que atua no controle da oleosidade e na desobstrução dos poros, algo particularmente útil em fases do ciclo em que a pele tende a ficar mais acneica. Outro ingrediente interessante é o ácido lático, que faz uma esfoliação química, ajudando na renovação celular e uniformização da textura da pele.
A fórmula também conta com pantenol, que tem ação reparadora, prevenindo o ressecamento excessivo. Já o chá verde tem ação calmante.
Vale a pena?
Na comparação direta, os dois sabonetes partem de propostas quase opostas dentro da mesma linha. O sabonete em barra aposta na tradição da saponificação, com pH alcalino e limpeza mais “mecânica”, oferecendo aquela sensação imediata de pele limpa e perfumada, mas com maior risco de ressecamento e desequilíbrio da barreira cutânea — especialmente em peles sensíveis.
Já o sabonete líquido adota uma formulação mais moderna, com pH ajustado e um sistema de tensoativos combinado a ativos como o ácido salicílico, o que garante uma limpeza mais direcionada, especialmente para controle de oleosidade e acne. Enquanto a barra se destaca pelo sensorial e pela experiência de banho, o líquido entrega maior precisão dermatológica. Em termos práticos, o primeiro funciona melhor como produto de uso corporal geral, enquanto o segundo se encaixa melhor em rotinas de tratamento, sobretudo em fases do ciclo em que a pele tende a ficar mais oleosa.
O sabonete líquido é indicado para todos os tipos de pele, especialmente mistas ou oleosas. A embalagem com 200 ml custa R$ 52,90. No custo-benefício, é um produto funcional e coerente com a proposta da linha, especialmente para quem sofre com alterações cutâneas hormonais.
No entanto, no mercado, existem produtos voltados especificamente para pele acneica, como o Dermotivin Oil Control, encontrado por R$ 30 a embalagem com 70 ml. Outra opção é o Sabonete de Limpeza Profunda Antioleosidade Cetaphil Oil Control, que custa R$ 33,90 a embalagem com 124 ml. Ambas as opções testadas pela reportagem.
Loção hidratante
A loção hidratante segue a proposta de outros produtos do tipo de O Boticário, com hidratação leve e com destaque maior para a fragrância. Com rápida absorção, é uma boa opção para dias quentes, especialmente para quem não tem a pele muito seca ou ressecada.
A fórmula inclui glicerina, que garante retenção hídrica, enquanto silicones como dimeticona formam um filme protetor contra agressões externas. Já o octenilsuccinato de amido de alumínio reduz o brilho e cria o efeito “toque seco”, atendendo a uma demanda comum em climas quentes ou em fases de maior oleosidade corporal.
A presença de vitamina E e óleo de soja reforça a hidratação, enquanto o ácido láctico ajuda a manter o pH equilibrado.
Valor a pena?
É uma boa opção de hidratação diária para peles normais a levemente secas, especialmente durante o período menstrual. Apesar de ser um hidratante pouco potente, há um alerta para quem tem pele sensível ou é alérgico a fragrâncias e corantes.
A loção está disponível em duas versões: a de 400 ml custa R$ 74,90; e a de 200 ml, R$ 54,90. O usuário consegue uma sensação parecida com outros produtos semelhantes no mercado, dentro até mesmo do portfólio da marca.
Creme relaxante
Mais que hidratação e pele perfumada, o creme relaxante é uma ótima opção para o fim do dia, quando as pernas estão pesadas ou as costas doloridas por conta da menstruação. Ele demora um pouco mais para ser absorvido, mas é melhor para massagear.
Na fórmula, o creme relaxante se diferencia ao incorporar ativos com ação neurossensorial. O mentol gera sensação de resfriamento que pode modular a percepção de dor. Já a arnica é um anti-inflamatório tópico e estimulante da circulação.
A fórmula é mais rica que a loção, com manteiga de karité e pantenol, o que garante hidratação mais duradoura e reparação da barreira cutânea. A presença de propilenoglicol favorece a penetração dos ativos, aumentando sua eficácia.
No entanto, a combinação de mentol, arnica e fragrância eleva o risco de irritação, especialmente em peles sensíveis. É um produto de uso localizado, especialmente em pernas, costas e pés.
Vale a pena?
Na comparação direta, a loção hidratante e o creme relaxante partem de uma mesma base sensorial, com rápida absorção, toque seco e fragrância marcante, mas se diferenciam na função e na densidade da fórmula. A loção atua como hidratante de manutenção, com foco em reposição hídrica leve via glicerina e formação de barreira com silicones, sendo mais versátil para uso diário e em grandes áreas do corpo.
Já o creme relaxante adiciona uma camada funcional mais complexa, incorporando ativos como mentol e arnica, que atuam na percepção de alívio muscular e cansaço, além de uma base mais nutritiva com manteiga de karité e pantenol. Na prática, a loção entrega conforto contínuo e perfumação, enquanto o creme é um produto de uso pontual, voltado para momentos de desconforto físico.
A escolha entre os dois depende menos do tipo de pele e mais da necessidade: hidratação cotidiana ou intervenção sensorial localizada. O creme não deve ser usado em mucosas, peles sensibilizadas e após a depilação.
O creme relaxante tem 200g e custa R$ 69,90. No mercado existem algumas alternativas para pés e pernas cansadas que também trazem o mentol e a arnica, como o Creme para Pernas Cansadas FORTILON, vendido a R$ 34,90, com 120 g.
Óleo térmico corporal
Um dos produtos mais interessantes da linha, o óleo térmico corporal traz a sensação de bolsa térmica, dando um quentinho que ajuda a aliviar a cólica. Além disso, não é pegajoso, sendo uma boa opção para massagens. Assim como a loção e o creme, deixa a pele macia e perfumada.
O óleo corporal foge do padrão lipídico tradicional ao adotar uma base predominantemente umectante (glicerina e glicóis), com emulsionantes que permitem fácil remoção e menor sensação pegajosa. Dessa forma, é fácil tirar o excesso no banho.
O agente chave, éter vanilil butílico, induz sensação de aquecimento. Diferente do calor físico, trata-se de um estímulo neurossensorial que promove vasodilatação superficial e sensação de conforto.
A formulação é inteligente ao equilibrar esse efeito com emolientes e fragrância, criando um produto híbrido entre tratamento e experiência. No entanto, o efeito térmico é transitório e dura alguns minutos, passando após a absorção. Mesmo assim, pode causar hiperemia (aumento do fluxo sanguíneo), vermelhidão ou desconforto em peles mais sensíveis.
Vale a pena?
Quando colocados lado a lado, óleo, creme relaxante e loção hidratante representam três níveis distintos de intervenção dentro da rotina corporal. A loção é a mais básica e versátil, focada em hidratação leve, rápida absorção e manutenção da maciez ao longo do dia, com forte apelo sensorial. O creme relaxante avança um passo ao incorporar ativos de ação neurossensorial, como mentol e arnica, entregando não só hidratação mais nutritiva, mas também alívio muscular localizado, ainda que com potencial maior de sensibilização.
Já o óleo corporal ocupa um território próprio: menos centrado na hidratação contínua e mais na experiência térmica, utilizando o éter vanilil butílico para promover aquecimento e relaxamento, especialmente em regiões como o abdômen. Em termos práticos, a loção funciona como cuidado diário, o creme como tratamento pontual de tensão e o óleo como recurso sensorial para conforto térmico — inclusive em cólicas leves —, com a ressalva de que é o mais limitado em duração de efeito e o mais específico em uso.
Com 110 ml, o óleo custa R$ 57,90. Para quem quer uma opção mais eficaz contra as cólicas, o melhor é usar um remédio indicado por um ginecologista, uma bolsa térmica ou até mesmo os adesivos térmicos.
Body splash
Seguindo a tendência gourmand, o body splash Cereja de Fases é uma ótima opção para o dia a dia. Ele tem projeção inicial elevada, com fixadores que ajudam a prolongar a fragrância na pele.
A pirâmide olfativa é construída para conforto. No topo, cereja em calda, pera, chantilly, maçã vermelha, groselha negra, framboesa. No corpo, jasmim, ylang, acorde red velvet, rosas, floral transparente. Por fim, no fundo, âmbar, caramelo de cereja, baunilha, madeiras cremosas e musk.
É uma fragrância acolhedora, menos doce do que parece, com um toque de frescor. No geral, é um produto que cumpre bem seu papel: perfumar com leveza e acompanhar o ritmo do dia, e das fases.
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Vale a pena?
O body splash com 200 ml custa R$ 92,90. Apesar de ser uma fragrância muito agradável, existem diversas opções de aromas de cereja no mercado, aqui o que mais vale é a avaliação individual de cada fragrância.