Quando o presidente Lyndon B. Johnson sancionou a Lei dos Direitos Civis, em 1964, e a Lei do Direito ao Voto, no ano seguinte, parecia que os Estados Unidos haviam encerrado um dos capítulos mais vergonhosos de sua história.
As placas que separavam brancos e negros desapareceram. Os ônibus deixaram de ter assentos reservados por raça. Escolas, universidades e repartições públicas passaram a conviver sob novas regras. O Estado já não protegia oficialmente a discriminação racial.
Mas uma lei pode mudar de um dia para o outro.
Uma sociedade, não.
Nas décadas seguintes, o país avançou de forma significativa. A presença de negros nas universidades aumentou, empresas passaram a adotar políticas de inclusão e o acesso ao voto tornou-se mais amplo. Em 2008, a eleição de Barack Obama, primeiro presidente negro da história americana, foi vista como a confirmação de que o sonho de Martin Luther King finalmente havia se tornado realidade.
A impressão durou pouco.
Enquanto parte da sociedade celebrava os avanços, outra reagia com ressentimento. Organizações supremacistas voltaram a crescer, impulsionadas principalmente pela internet. Redes sociais, fóruns digitais e aplicativos de mensagens substituíram antigas reuniões clandestinas e ampliaram o alcance de discursos extremistas.
Manifestante do movimento Black Lives Matter (BLM) segura um cartaz e grita palavras de ordem durante uma marcha pelo aniversário da morte de George Floyd
O racismo mudou de linguagem.
Em vez de defender abertamente a segregação, muitos grupos passaram a utilizar argumentos ligados ao nacionalismo, ao combate à imigração, à defesa da chamada "identidade ocidental" e a teorias conspiratórias para difundir ideias de exclusão racial.
A estratégia era diferente.
O objetivo permanecia o mesmo.
Em 12 de agosto de 2017, centenas de integrantes de grupos extremistas marcharam pela cidade de Charlottesville, na Virgínia, carregando tochas e entoando palavras de ordem racistas e antissemitas. A manifestação terminou em violência quando um simpatizante atropelou manifestantes contrários ao ato, matando a ativista Heather Heyer.
As imagens correram o mundo.
Pela primeira vez em décadas, símbolos ligados ao supremacismo branco voltavam a ocupar as ruas dos Estados Unidos de maneira organizada.
Ao mesmo tempo, episódios de violência policial contra cidadãos negros reacenderam uma antiga ferida.
Em 2013, surgiu o movimento Black Lives Matter, criado após a absolvição do homem que matou o adolescente Trayvon Martin. Nos anos seguintes, novas mortes ampliaram a mobilização.
O ponto de maior repercussão ocorreu em 25 de maio de 2020, quando George Floyd morreu durante uma abordagem policial em Minneapolis. As imagens gravadas por testemunhas desencadearam manifestações em todos os estados americanos e em dezenas de países.
As marchas revelaram que o problema já não estava escrito nas leis.
Estava nas estruturas da sociedade.
Diferenças de renda, acesso à educação, encarceramento, violência policial e oportunidades continuam atingindo de forma desproporcional a população negra.
É justamente essa permanência que explica por que uma fotografia feita no metrô de Washington, em julho de 2026, provocou tamanho impacto.
Ela lembrava que a luta iniciada por Rosa Parks não havia terminado.
A segregação legal ficou no passado.
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A disputa por igualdade, não.
