{"id":278408,"date":"2026-11-04T14:37:00","date_gmt":"2026-11-04T17:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=278408"},"modified":"2026-11-03T23:50:31","modified_gmt":"2026-11-04T02:50:31","slug":"templos-foram-escavados-de-cima-para-baixo-na-rocha-da-etiopia-paredes-e-corredores-de-lalibela-fazem-parte-da-propria-montanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/11\/04\/templos-foram-escavados-de-cima-para-baixo-na-rocha-da-etiopia-paredes-e-corredores-de-lalibela-fazem-parte-da-propria-montanha\/","title":{"rendered":"Templos foram escavados de cima para baixo na rocha da Eti\u00f3pia: paredes e corredores de Lalibela fazem parte da pr\u00f3pria montanha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 primeira vista, parece uma igreja colocada no fundo de uma imensa escava\u00e7\u00e3o. Mas, em <strong>Lalibela<\/strong>, na Eti\u00f3pia, o terreno foi escavado para formar paredes, entradas e corredores. As <strong>igrejas talhadas na rocha<\/strong> nasceram do trabalho cuidadoso sobre a pedra e continuam ligadas \u00e0 f\u00e9 de quem frequenta o lugar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como se faz uma igreja sem empilhar paredes?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em constru\u00e7\u00f5es comuns, as paredes sobem com tijolos ou pedras colocadas umas sobre as outras. Em <strong>Lalibela<\/strong>, artes\u00e3os retiraram material da rocha at\u00e9 deixar <strong>blocos e superf\u00edcies ligados ao terreno<\/strong>. Depois abriram acessos, janelas, colunas e espa\u00e7os internos nessas massas j\u00e1 delimitadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/whc.unesco.org\/en\/list\/18\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>UNESCO reconhece onze igrejas monol\u00edticas<\/strong><\/a> no conjunto medieval. Muitas foram cercadas por cortes profundos, que criaram p\u00e1tios abaixo da superf\u00edcie. Dizer que foram trabalhadas de cima para baixo descreve a l\u00f3gica da escava\u00e7\u00e3o, mas <strong>n\u00e3o estabelece sequ\u00eancia igual<\/strong> para cada parede.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-278451\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">As constru\u00e7\u00f5es revelam o conhecimento necess\u00e1rio para criar igrejas sem levantar paredes convencionais &#8211; IMAGEM ILUSTRATIVA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os corredores unem os espa\u00e7os escavados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os templos n\u00e3o aparecem como constru\u00e7\u00f5es isoladas no terreno. <strong>Passagens, trincheiras e t\u00faneis<\/strong> conectam diferentes igrejas e \u00e1reas de circula\u00e7\u00e3o. Em alguns pontos, h\u00e1 acessos a cavernas e lugares de recolhimento religioso. A <strong>rede de caminhos<\/strong> ajuda a entender a obra como um conjunto planejado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos exemplos mais conhecidos \u00e9 <strong>Biete Ghiorgis<\/strong>, a igreja de S\u00e3o Jorge, com desenho em forma de cruz. Ela fica separada dos grupos principais, mas tem liga\u00e7\u00e3o por trincheiras. O formato chama aten\u00e7\u00e3o, embora <strong>outras igrejas tenham plantas diferentes<\/strong> e n\u00e3o devam ser descritas como c\u00f3pias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a \u00e1gua exige tanta aten\u00e7\u00e3o nesse lugar?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escava\u00e7\u00e3o deixou superf\u00edcies de pedra expostas a chuva, eros\u00e3o e infiltra\u00e7\u00f5es. Para enfrentar essas condi\u00e7\u00f5es, o conjunto recebeu <strong>valas de drenagem e canais<\/strong>. A \u00e1gua precisava encontrar sa\u00edda, porque sua perman\u00eancia junto \u00e0s paredes podia ampliar rachaduras e acelerar a perda de material.<\/p>\n\n\n\n<div>A conserva\u00e7\u00e3o depende de v\u00e1rios elementos que trabalham juntos no mesmo terreno:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>P\u00e1tios escavados:<\/strong> d\u00e3o acesso \u00e0s fachadas abaixo do n\u00edvel do terreno.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Corredores de pedra:<\/strong> ligam templos e espa\u00e7os religiosos pr\u00f3ximos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Canais de drenagem:<\/strong> ajudam a retirar \u00e1gua das \u00e1reas mais baixas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Prote\u00e7\u00e3o recente:<\/strong> tenta limitar os efeitos da chuva e da eros\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/www.wmf.org\/projects\/rock-hewn-churches\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>World Monuments Fund documenta trabalhos de conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> nas igrejas desde o s\u00e9culo XX. Isso mostra que <strong>preservar a pedra exige interven\u00e7\u00f5es<\/strong> constantes. Coberturas e reparos modernos n\u00e3o s\u00e3o prova de que cada parte vis\u00edvel hoje permaneceu intocada por oito s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O per\u00edodo medieval explica a import\u00e2ncia religiosa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tradi\u00e7\u00e3o associa a constru\u00e7\u00e3o ao <strong>rei Lalibela<\/strong>, da dinastia Zagwe, entre os <strong>s\u00e9culos XII e XIII<\/strong>. A proposta religiosa \u00e9 frequentemente relacionada \u00e0 ideia de uma <strong>Nova Jerusal\u00e9m<\/strong>, com lugares que recebem nomes ligados \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. As datas exatas de cada escava\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o igualmente conhecidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lalibela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>hist\u00f3ria da cidade de Lalibela<\/strong><\/a>, as igrejas aparecem ligadas a peregrina\u00e7\u00e3o e continuidade cultural. Essa rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou restrita \u00e0 Idade M\u00e9dia. Os templos <strong>seguem recebendo fi\u00e9is e celebra\u00e7\u00f5es<\/strong>, um uso vivo que precisa ser considerado junto das necessidades de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-278453\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/templos-3-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os corredores escavados conectam diferentes partes do conjunto religioso &#8211; IMAGEM ILUSTRATIVA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que muda quando a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a montanha?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As superf\u00edcies internas e externas fazem parte da mesma rocha, mas isso n\u00e3o elimina dificuldades estruturais. <strong>Fraturas naturais e desgaste<\/strong> exigem observa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. A estabilidade de um espa\u00e7o escavado depende tanto do formato escolhido quanto das <strong>caracter\u00edsticas da pedra<\/strong> e da a\u00e7\u00e3o da \u00e1gua ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem igrejas com <strong>pinturas, colunas e diferentes entradas<\/strong>, sinais de escolhas art\u00edsticas e fun\u00e7\u00f5es religiosas variadas. A decora\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser confundida com a t\u00e9cnica usada para retirar pedra. Uma imagem restaurada, por exemplo, pode ter partes antigas e interven\u00e7\u00f5es feitas para evitar perdas maiores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lalibela permanece um lugar de f\u00e9 e patrim\u00f4nio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reconhecimento como <strong>Patrim\u00f4nio Mundial em 1978<\/strong> n\u00e3o transformou o conjunto em simples cen\u00e1rio tur\u00edstico. Igrejas, caminhos e celebra\u00e7\u00f5es pertencem a uma <strong>paisagem religiosa<\/strong> utilizada no presente. Proteger o local envolve dialogar com a comunidade e respeitar sua rela\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com os edif\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <strong>Lalibela<\/strong>, a surpresa est\u00e1 em perceber que o espa\u00e7o foi criado sobretudo pela retirada de pedra. O que parece uma igreja escondida na montanha re\u00fane <strong>engenharia, arte e devo\u00e7\u00e3o<\/strong>. Conhecer os corredores e os cuidados atuais ajuda a enxergar todo esse trabalho, al\u00e9m das fachadas impressionantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 primeira vista, parece uma igreja colocada no fundo de uma imensa escava\u00e7\u00e3o. Mas, em Lalibela, na Eti\u00f3pia, o terreno foi escavado para formar paredes, entradas e corredores. 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