{"id":278211,"date":"2026-11-03T22:17:00","date_gmt":"2026-11-04T01:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=278211"},"modified":"2026-11-02T22:39:53","modified_gmt":"2026-11-03T01:39:53","slug":"as-muralhas-de-great-zimbabwe-foram-erguidas-com-blocos-de-pedra-encaixados-sem-argamassa-complexo-ligado-ao-comercio-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/11\/03\/as-muralhas-de-great-zimbabwe-foram-erguidas-com-blocos-de-pedra-encaixados-sem-argamassa-complexo-ligado-ao-comercio-africano\/","title":{"rendered":"As muralhas de Great Zimbabwe foram erguidas com blocos de pedra encaixados sem argamassa: complexo ligado ao com\u00e9rcio africano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um enorme pared\u00e3o continua de p\u00e9, embora as pedras n\u00e3o tenham cimento nem argamassa. No <strong>Grande Zimb\u00e1bue<\/strong>, no sul da \u00c1frica, blocos de granito foram encaixados para formar curvas, passagens e recintos. As ru\u00ednas pertencem a uma antiga cidade que participou de redes de com\u00e9rcio que alcan\u00e7avam regi\u00f5es distantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como as muralhas de Great Zimbabwe ficaram de p\u00e9?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os construtores selecionavam e organizavam <strong>blocos de granito<\/strong> em camadas, ajustando o contato entre as pedras. O <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/11\/02\/piramides-de-meroe-se-erguem-em-antigos-cemiterios-no-sudao-os-reis-do-antigo-reino-cuxita-foram-enterrados-ao-longo-do-nilo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">peso das pe\u00e7as<\/a> e a forma das paredes ajudavam na estabilidade. A t\u00e9cnica \u00e9 chamada de <strong>alvenaria de pedra seca<\/strong>, pois dispensa um material \u00famido para unir os blocos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <a href=\"https:\/\/whc.unesco.org\/en\/list\/364\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>UNESCO descreve o Grande Zimb\u00e1bue<\/strong><\/a> como testemunho da civiliza\u00e7\u00e3o dos <strong>shona<\/strong> entre os s\u00e9culos XI e XV. O conjunto cresceu por fases. Por isso, muros de \u00e1reas diferentes n\u00e3o devem ser vistos como resultado de uma \u00fanica obra feita de uma vez.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-278234\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-2-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O encaixe dos blocos revela o conhecimento dos antigos construtores sobre o trabalho com pedra<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O conjunto reunia espa\u00e7os com usos diferentes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As ru\u00ednas incluem a <strong>\u00e1rea da colina<\/strong>, o <strong>Grande Recinto<\/strong> e constru\u00e7\u00f5es espalhadas pelo vale. Na colina, passagens estreitas ligam espa\u00e7os de pedra. J\u00e1 o Grande Recinto tem paredes curvas, uma passagem interna e uma torre de formato c\u00f4nico que continua chamando aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia tamb\u00e9m casas feitas com <strong>barro e materiais locais<\/strong> dentro de alguns espa\u00e7os delimitados por pedra. Nem toda a cidade era formada por paredes monumentais. As pessoas precisavam de \u00e1reas para morar, trabalhar e circular, al\u00e9m de lugares possivelmente ligados a cerim\u00f4nias e autoridade pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que o com\u00e9rcio revela sobre a antiga cidade?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Grande Zimb\u00e1bue foi um <strong>centro de trocas importante<\/strong> em sua \u00e9poca. A circula\u00e7\u00e3o de mercadorias ligava o interior da \u00c1frica a regi\u00f5es mais distantes. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o prova que a cidade controlasse sozinha todas as rotas ou que cada muro servisse para proteger produtos.<\/p>\n\n\n\n<div>As pistas arqueol\u00f3gicas apontam para diferentes atividades:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Paredes monumentais:<\/strong> indicam trabalho organizado e dom\u00ednio da constru\u00e7\u00e3o em granito.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>\u00c1reas dom\u00e9sticas:<\/strong> mostram que a vida cotidiana acontecia dentro do complexo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Objetos de troca:<\/strong> ajudam a investigar contatos entre o interior e regi\u00f5es distantes.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Espa\u00e7os especiais:<\/strong> sugerem fun\u00e7\u00f5es sociais e rituais, algumas ainda debatidas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Great_Zimbabwe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>hist\u00f3rico arqueol\u00f3gico da cidade<\/strong><\/a> re\u00fane achados ligados a circula\u00e7\u00e3o de bens e produ\u00e7\u00e3o local. A presen\u00e7a de objetos vindos de longe permite falar em redes comerciais; j\u00e1 as rela\u00e7\u00f5es exatas de poder por tr\u00e1s dessas trocas exigem mais investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A autoria africana das constru\u00e7\u00f5es est\u00e1 documentada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, ideias coloniais tentaram negar que popula\u00e7\u00f5es africanas tivessem constru\u00eddo essas estruturas. A pesquisa arqueol\u00f3gica demonstrou sua liga\u00e7\u00e3o com <strong>comunidades africanas de l\u00edngua bantu<\/strong>, especialmente os antepassados dos shona. Essa identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de lendas sobre reis estrangeiros ou personagens b\u00edblicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o exigiu <strong>planejamento, trabalhadores e conhecimento t\u00e9cnico<\/strong>. O resultado n\u00e3o deve ser atribu\u00eddo a uma \u00fanica pessoa nem explicado como simples imita\u00e7\u00e3o de outros povos. As paredes s\u00e3o vest\u00edgios de uma sociedade com suas pr\u00f3prias escolhas arquitet\u00f4nicas, pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-278235\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/mureta.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A dimens\u00e3o do complexo ajuda a entender a import\u00e2ncia pol\u00edtica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem cuida das ru\u00ednas e do seu significado atual?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <a href=\"https:\/\/www.nmmz.co.zw\/world-heritage-sites\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Museus e Monumentos Nacionais do Zimb\u00e1bue<\/strong><\/a> reconhecem o local como um dos principais conjuntos de <strong>muralhas de pedra seca<\/strong> da regi\u00e3o. O patrim\u00f4nio foi inscrito na UNESCO em 1986. Sua conserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m envolve conhecimentos espec\u00edficos para manter as paredes est\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O monumento possui significado hist\u00f3rico para o pa\u00eds atual, cujo nome remete a essa tradi\u00e7\u00e3o. Proteger o local n\u00e3o \u00e9 apenas impedir que pedras caiam: \u00e9 tamb\u00e9m respeitar pesquisas, comunidades pr\u00f3ximas e as muitas camadas de ocupa\u00e7\u00e3o identificadas pelos arque\u00f3logos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As pedras contam uma hist\u00f3ria maior que a defesa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 motivo para imaginar todas as muralhas como <strong>fortifica\u00e7\u00f5es militares<\/strong>. Alguns recintos podem ter marcado autoridade, circula\u00e7\u00e3o ou atividades rituais. As interpreta\u00e7\u00f5es devem acompanhar as evid\u00eancias dispon\u00edveis e reconhecer que o uso de determinadas \u00e1reas ainda \u00e9 discutido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>Grande Zimb\u00e1bue<\/strong> permanece impressionante pelo encaixe das pedras, mas seu valor vai al\u00e9m da t\u00e9cnica. Casas, passagens, espa\u00e7os coletivos e contatos comerciais formam o retrato de uma sociedade africana capaz de construir uma cidade monumental e participar de redes amplas de interc\u00e2mbio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um enorme pared\u00e3o continua de p\u00e9, embora as pedras n\u00e3o tenham cimento nem argamassa. No Grande Zimb\u00e1bue, no sul da \u00c1frica, blocos de granito foram encaixados para formar curvas, passagens e recintos. As ru\u00ednas pertencem a uma antiga cidade que participou de redes de com\u00e9rcio que alcan\u00e7avam regi\u00f5es distantes. 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