{"id":276270,"date":"2026-10-27T22:17:00","date_gmt":"2026-10-28T01:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=276270"},"modified":"2026-10-26T20:36:21","modified_gmt":"2026-10-26T23:36:21","slug":"uma-pequena-placa-de-argila-mostra-como-os-babilonios-desenhavam-o-mundo-com-cidades-cercadas-por-um-rio-amargo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/27\/uma-pequena-placa-de-argila-mostra-como-os-babilonios-desenhavam-o-mundo-com-cidades-cercadas-por-um-rio-amargo\/","title":{"rendered":"Uma pequena placa de argila mostra como os babil\u00f4nios desenhavam o mundo, com cidades cercadas por um \u201crio amargo\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>mapa babil\u00f4nico<\/strong> gravado numa pequena <strong>placa de argila<\/strong> mostra a <strong>Babil\u00f4nia<\/strong> e outras regi\u00f5es dentro de um anel de \u00e1gua chamado de <strong>rio amargo<\/strong>. Datado do s\u00e9culo VI a.C., preservado pelo Museu Brit\u00e2nico, o objeto mistura lugares conhecidos e refer\u00eancias m\u00edticas, revelando outra maneira de representar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como ler o mapa babil\u00f4nico gravado em argila?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tabuinha mede aproximadamente <strong>12,2 cent\u00edmetros de altura<\/strong> e <strong>8,2 cent\u00edmetros de largura<\/strong>. Al\u00e9m de desenhos, cont\u00e9m <strong>inscri\u00e7\u00f5es cuneiformes<\/strong>, sistema de escrita feito com sinais em forma de cunha. O conjunto exige observar s\u00edmbolos, palavras e espa\u00e7os, n\u00e3o apenas a figura circular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme a <a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/asset\/map-of-the-world\/SAGUMQ2eG-m7jg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>apresenta\u00e7\u00e3o do Museu Brit\u00e2nico<\/strong><\/a>, a pe\u00e7a foi encontrada em <strong>Abu Habba<\/strong>, no atual Iraque, e pertence ao per\u00edodo babil\u00f4nico tardio. A superf\u00edcie apresenta perdas e lacunas, por isso <strong>alguns detalhes permanecem incertos<\/strong> para os estudiosos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-276295\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem01_1280x720_1793051982929.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A representa\u00e7\u00e3o mistura lugares conhecidos e uma maneira pr\u00f3pria de entender os limites do mundo<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Babil\u00f4nia aparece dentro de um anel de \u00e1gua<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desenho coloca <strong>Babil\u00f4nia<\/strong> na parte superior do interior do c\u00edrculo, representada como um <strong>ret\u00e2ngulo<\/strong>. Tamb\u00e9m aparecem refer\u00eancias \u00e0 <strong>Ass\u00edria<\/strong>, a Elam e a outras localidades. As posi\u00e7\u00f5es n\u00e3o seguem uma escala moderna, embora preservem certas rela\u00e7\u00f5es espaciais reconhec\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um cintur\u00e3o de \u00e1gua envolve a \u00e1rea central. A express\u00e3o traduzida como <strong>mar salgado<\/strong> ou <strong>rio amargo<\/strong> identifica essa borda. <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/09\/20\/chao-de-caverna-moldado-ha-13-mil-anos-forma-rios-e-vales-em-miniatura-e-pode-ser-o-mapa-3d-mais-antigo-do-mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>O mapa<\/strong><\/a> n\u00e3o desenha fronteiras de pa\u00edses atuais; apresenta uma <strong>organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da geografia mesopot\u00e2mica<\/strong>, em que territ\u00f3rio e tradi\u00e7\u00e3o se relacionam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o rio amargo cerca as cidades?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O anel aqu\u00e1tico marca uma <strong>separa\u00e7\u00e3o entre regi\u00f5es familiares<\/strong> e espa\u00e7os externos que pareciam remotos. O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Mapa-m%C3%BAndi_babil%C3%B3nico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>mapa-m\u00fandi babil\u00f4nico<\/strong><\/a> combina nomes de lugares com elementos simb\u00f3licos. Por isso, n\u00e3o deve ser interpretado como uma fotografia geogr\u00e1fica ou um levantamento t\u00e9cnico da superf\u00edcie terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na vis\u00e3o representada pelo objeto, a \u00e1gua estabelece uma esp\u00e9cie de <strong>limite do mundo conhecido<\/strong>. Essa escolha diz algo sobre <strong>como os escribas classificavam o espa\u00e7o<\/strong>, n\u00e3o sobre a exist\u00eancia f\u00edsica de um oceano circular envolvendo todas as cidades da Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As regi\u00f5es externas juntam geografia e mito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fora do cintur\u00e3o aparecem <strong>formas triangulares<\/strong>, associadas a regi\u00f5es ou ilhas. Os pesquisadores calculam que o desenho podia incluir originalmente <strong>oito desses espa\u00e7os<\/strong>. Os textos preservados mencionam seres extraordin\u00e1rios e personagens heroicos, misturando observa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio com <strong>narrativas m\u00edticas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div>Para interpretar a composi\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u00fatil observar quatro elementos diferentes, sem supor que todos sejam retratos de lugares reais:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ret\u00e2ngulo interno:<\/strong> indica a cidade de Babil\u00f4nia, em posi\u00e7\u00e3o destacada no interior do c\u00edrculo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Cidades nomeadas:<\/strong> incluem refer\u00eancias \u00e0 Ass\u00edria e a Elam, territ\u00f3rios reconhecidos pelos escribas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Anel de \u00e1gua:<\/strong> representa o mar salgado ou rio amargo, que separa \u00e1reas internas e externas.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tri\u00e2ngulos externos:<\/strong> sugerem regi\u00f5es situadas al\u00e9m desse cintur\u00e3o, associadas a relatos extraordin\u00e1rios.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura depende tanto dos sinais preservados quanto das <strong>partes desaparecidas da argila<\/strong>. O desenho fornece pistas sobre conhecimento espacial, enquanto os textos mostram que esse conhecimento convivia com <strong>explica\u00e7\u00f5es religiosas e narrativas tradicionais<\/strong> entre os babil\u00f4nios.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-276296\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/arqueoliga3-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pequenos detalhes gravados no barro ajudam a reconstruir conhecimentos de uma civiliza\u00e7\u00e3o antiga<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desenho era um mapa como os de hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o. A an\u00e1lise do <a href=\"https:\/\/smarthistory.org\/map-of-the-world\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Museu Brit\u00e2nico publicada na Smarthistory<\/strong><\/a> ressalta que sua finalidade envolve a <strong>vis\u00e3o m\u00edtica do mundo<\/strong>, embora v\u00e1rias localidades tenham posi\u00e7\u00f5es aproximadas coerentes. O documento n\u00e3o oferece escalas, coordenadas ou instru\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o equivalentes \u00e0s atuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m n\u00e3o comprova a localiza\u00e7\u00e3o da <strong>arca de No\u00e9<\/strong> nem de qualquer outro objeto mencionado em tradi\u00e7\u00f5es religiosas. Interpretar tri\u00e2ngulos e inscri\u00e7\u00f5es exige <strong>cuidado com hip\u00f3teses<\/strong>, especialmente quando leituras recentes apresentam afirma\u00e7\u00f5es que ultrapassam a documenta\u00e7\u00e3o preservada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma placa pequena preserva uma vis\u00e3o de mundo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Produzido h\u00e1 cerca de <strong>2.600 anos<\/strong>, o mapa permite observar a rela\u00e7\u00e3o entre escrita, desenho e cultura. Colocar <strong>Babil\u00f4nia<\/strong> em posi\u00e7\u00e3o destacada e cercar terras por \u00e1gua mostra uma perspectiva espec\u00edfica, formada em circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas diferentes das nossas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia da pe\u00e7a n\u00e3o depende de estar geograficamente correta pelos padr\u00f5es atuais. Seu valor est\u00e1 em revelar <strong>como o espa\u00e7o era imaginado e organizado<\/strong>, reunindo <strong>cidades reais<\/strong>, caminhos de interpreta\u00e7\u00e3o e territ\u00f3rios simb\u00f3licos numa superf\u00edcie que cabe nas m\u00e3os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mapa babil\u00f4nico gravado numa pequena placa de argila mostra a Babil\u00f4nia e outras regi\u00f5es dentro de um anel de \u00e1gua chamado de rio amargo. Datado do s\u00e9culo VI a.C., preservado pelo Museu Brit\u00e2nico, o objeto mistura lugares conhecidos e refer\u00eancias m\u00edticas, revelando outra maneira de representar o mundo. 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