{"id":275797,"date":"2026-10-25T14:57:00","date_gmt":"2026-10-25T17:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=275797"},"modified":"2026-10-24T18:58:02","modified_gmt":"2026-10-24T21:58:02","slug":"dar-um-nome-ao-que-voce-sente-pode-mudar-sua-reacao-a-emocao-e-um-estudo-de-psicologia-observou-esse-efeito-no-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/25\/dar-um-nome-ao-que-voce-sente-pode-mudar-sua-reacao-a-emocao-e-um-estudo-de-psicologia-observou-esse-efeito-no-cerebro\/","title":{"rendered":"Dar um nome ao que voc\u00ea sente pode mudar sua rea\u00e7\u00e3o \u00e0 emo\u00e7\u00e3o, e um estudo de psicologia observou esse efeito no c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nomear emo\u00e7\u00f5es<\/strong> pode alterar a resposta do c\u00e9rebro diante de imagens negativas, segundo um estudo da <strong>Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles<\/strong>. Volunt\u00e1rios nomearam emo\u00e7\u00f5es em fotografias de rostos. Houve <strong>mudan\u00e7a na atividade cerebral medida<\/strong>, mas isso n\u00e3o prova que dizer \u201cestou triste\u201d resolve sozinho um sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os participantes precisaram fazer?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe do psic\u00f3logo <strong>Matthew Lieberman<\/strong> reuniu <strong>30 adultos<\/strong> e mostrou fotografias de rostos com express\u00f5es, como raiva e medo. Em algumas tarefas, os volunt\u00e1rios escolhiam uma palavra que combinava com a emo\u00e7\u00e3o mostrada. Em outras, identificavam o nome correspondente ao g\u00eanero do rosto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os participantes passaram por <strong>resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional<\/strong>, exame que acompanha altera\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 atividade cerebral. A proposta era comparar <strong>formas diferentes de observar as imagens<\/strong>. N\u00e3o se tratava de uma sess\u00e3o de terapia, nem de pedir que os volunt\u00e1rios descrevessem problemas pessoais reais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-275831\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/cabeca-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisadores observaram mudan\u00e7as na atividade cerebral relacionadas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de sentimentos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O c\u00e9rebro respondeu de modo diferente \u00e0s palavras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na <a href=\"https:\/\/newsroom.ucla.edu\/releases\/Putting-Feelings-Into-Words-Produces-8047\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da UCLA<\/strong><\/a>, os pesquisadores relatam menor atividade da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Am%C3%ADgdala_cerebelosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>am\u00edgdala cerebral<\/strong><\/a> quando a pessoa escolhia o nome da emo\u00e7\u00e3o. Essa regi\u00e3o participa de respostas a est\u00edmulos relevantes, inclusive amea\u00e7adores. O resultado foi comparado a <strong>outras condi\u00e7\u00f5es de identifica\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, aumentou a atividade de <strong>uma regi\u00e3o pr\u00e9-frontal direita<\/strong>, ligada a processos de linguagem e regula\u00e7\u00e3o. Os dados indicam <strong>uma rela\u00e7\u00e3o entre nomear e reagir<\/strong> \u00e0s imagens no experimento. N\u00e3o demonstram que toda emo\u00e7\u00e3o dif\u00edcil desaparece ao receber um nome.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como dar nome \u00e0 emo\u00e7\u00e3o pode ajudar no cotidiano?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pessoa diz que est\u00e1 simplesmente <strong>\u201cmal\u201d<\/strong> ap\u00f3s uma conversa dif\u00edcil. Ao pensar melhor, pode perceber medo de perder o emprego, raiva por uma ofensa ou tristeza por uma despedida. <strong>Separar esses sentimentos<\/strong> pode tornar mais clara a decis\u00e3o sobre o que fazer depois.<\/p>\n\n\n\n<div>Algumas perguntas ajudam a sair de uma descri\u00e7\u00e3o muito vaga:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Raiva:<\/strong> houve alguma fala ou atitude que pareceu desrespeitosa?<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Medo:<\/strong> qual possibilidade futura est\u00e1 causando preocupa\u00e7\u00e3o agora?<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Tristeza:<\/strong> houve perda, frustra\u00e7\u00e3o ou decep\u00e7\u00e3o que merece aten\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas perguntas s\u00e3o <strong>uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica poss\u00edvel<\/strong>, n\u00e3o uma etapa testada diretamente com os participantes da UCLA. Uma situa\u00e7\u00e3o pode reunir v\u00e1rias emo\u00e7\u00f5es, e algumas pessoas precisam de <strong>tempo para reconhecer o que sentem<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio encontrar o nome perfeito imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estudo mediu atividade cerebral, n\u00e3o cura<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo <em>Putting Feelings Into Words: Affect Labeling Disrupts Amygdala Activity in Response to Affective Stimuli<\/em> saiu em <strong>2007, na revista Psychological Science<\/strong>. O <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/17576282\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>registro do estudo no PubMed<\/strong><\/a> confirma o contraste entre respostas da am\u00edgdala e da regi\u00e3o pr\u00e9-frontal durante a identifica\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses resultados sustentam <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/11\/usar-o-proprio-nome-ao-conversar-consigo-pode-ajudar-a-controlar-emocoes-em-momentos-dificeis-segundo-pesquisadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>uma hip\u00f3tese sobre regula\u00e7\u00e3o emocional<\/strong><\/a>, mas n\u00e3o substituem estudos cl\u00ednicos sobre melhora duradoura. Reconhecer a raiva n\u00e3o interrompe automaticamente uma injusti\u00e7a; nomear o medo n\u00e3o elimina <strong>uma amea\u00e7a concreta<\/strong>. Emo\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m dependem das condi\u00e7\u00f5es vividas pela pessoa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-275833\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/mesa-4.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nem sempre precisamos mudar uma situa\u00e7\u00e3o para come\u00e7ar a reagir de maneira diferente ao que sentimos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sentimentos semelhantes podem pedir respostas diferentes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chamar uma rea\u00e7\u00e3o de <strong>raiva<\/strong> \u00e9 apenas uma parte de compreend\u00ea-la. Se surgiu ap\u00f3s um desacordo, talvez seja \u00fatil conversar. Se apareceu diante de uma amea\u00e7a, o caminho pode exigir afastamento e prote\u00e7\u00e3o. <strong>O nome da emo\u00e7\u00e3o<\/strong> n\u00e3o determina sozinho qual decis\u00e3o \u00e9 segura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m pode haver <strong>mistura de tristeza e medo<\/strong>, ou dificuldades para identificar palavras adequadas. O estudo comparou escolhas entre r\u00f3tulos para rostos apresentados numa tela. Ele n\u00e3o verificou <strong>todas as situa\u00e7\u00f5es pessoais<\/strong> em que algu\u00e9m tenta organizar pensamentos e sentimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando reconhecer o sentimento \u00e9 apenas o primeiro passo?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dar nome ao que se sente pode facilitar <strong>uma conversa mais objetiva<\/strong> ou a escolha de procurar ajuda. Algu\u00e9m que percebe medo de uma situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica talvez precise de informa\u00e7\u00f5es e prote\u00e7\u00e3o. Quem est\u00e1 triste pode buscar <strong>apoio e espa\u00e7o para descansar<\/strong>, sem se cobrar al\u00edvio imediato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta da UCLA ajuda a explicar por que <strong>as palavras podem participar da rea\u00e7\u00e3o emocional<\/strong>. Seu alcance, por\u00e9m, continua ligado ao modo como a pesquisa foi feita. Nomear sentimentos \u00e9 um recurso poss\u00edvel, n\u00e3o uma obriga\u00e7\u00e3o e muito menos <strong>substituto de cuidado profissional<\/strong> quando necess\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nomear emo\u00e7\u00f5es pode alterar a resposta do c\u00e9rebro diante de imagens negativas, segundo um estudo da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles. Volunt\u00e1rios nomearam emo\u00e7\u00f5es em fotografias de rostos. 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