{"id":275621,"date":"2026-10-24T22:57:00","date_gmt":"2026-10-25T01:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=275621"},"modified":"2026-10-23T20:37:37","modified_gmt":"2026-10-23T23:37:37","slug":"um-navio-grego-de-cerca-de-2-400-anos-permaneceu-preservado-a-mais-de-2-km-de-profundidade-porque-a-agua-ao-redor-quase-nao-tinha-oxigenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/24\/um-navio-grego-de-cerca-de-2-400-anos-permaneceu-preservado-a-mais-de-2-km-de-profundidade-porque-a-agua-ao-redor-quase-nao-tinha-oxigenio\/","title":{"rendered":"Um navio grego de cerca de 2.400 anos permaneceu preservado a mais de 2 km de profundidade porque a \u00e1gua ao redor quase n\u00e3o tinha oxig\u00eanio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um <strong>navio grego de 2.400 anos<\/strong> foi localizado a mais de <strong>2 quil\u00f4metros de profundidade<\/strong> no Mar Negro, perto da Bulg\u00e1ria. O casco e partes da estrutura sobreviveram gra\u00e7as \u00e0 \u00e1gua profunda, com <strong>quase nenhum oxig\u00eanio<\/strong>. O achado permite estudar uma embarca\u00e7\u00e3o antes conhecida principalmente por representa\u00e7\u00f5es antigas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O barco apareceu durante uma grande pesquisa no Mar Negro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O navio foi identificado em <strong>2017<\/strong> pelo <strong>Black Sea Maritime Archaeology Project<\/strong>, conhecido como Black Sea MAP. A equipe internacional investigava o fundo do mar pr\u00f3ximo \u00e0 costa b\u00falgara para estudar embarca\u00e7\u00f5es antigas e mudan\u00e7as ocorridas na paisagem submersa ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a <a href=\"https:\/\/www.southampton.ac.uk\/archaeology\/news\/2018\/10\/23-oldest-intact-shipwreck-found.page\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Universidade de Southampton<\/strong><\/a>, o projeto mapeou mais de <strong>2 mil quil\u00f4metros quadrados<\/strong> de fundo marinho e identificou <strong>65 naufr\u00e1gios<\/strong>. O conjunto inclui embarca\u00e7\u00f5es de diferentes \u00e9pocas, mas a pe\u00e7a grega chamou aten\u00e7\u00e3o pelo estado excepcional de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-275632\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A aus\u00eancia de oxig\u00eanio em grandes profundidades teve um papel importante na preserva\u00e7\u00e3o da estrutura &#8211; IMAGEM ILUSTRATIVA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a madeira conseguiu resistir por tantos s\u00e9culos?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas grandes profundidades dessa regi\u00e3o do <strong>Mar Negro<\/strong>, a \u00e1gua pode apresentar condi\u00e7\u00f5es <strong>an\u00f3xicas<\/strong>, isto \u00e9, praticamente sem oxig\u00eanio dispon\u00edvel. Isso <strong>reduz a atividade de organismos<\/strong> que normalmente degradam a madeira e ajuda a preservar estruturas que, em ambientes mais oxigenados, se perderiam muito mais rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa caracter\u00edstica n\u00e3o significa que <strong>todo o Mar Negro<\/strong> seja desprovido de oxig\u00eanio. A prote\u00e7\u00e3o ocorreu nas <strong>condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas<\/strong> em que o navio permaneceu. Tamb\u00e9m n\u00e3o quer dizer que a embarca\u00e7\u00e3o esteja imune a qualquer mudan\u00e7a ou risco, mas explica a sobreviv\u00eancia incomum de partes delicadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O estudo identificou componentes raros de encontrar reunidos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O barco conservou elementos como <strong>mastro, lemes e bancos de remadores<\/strong>. A presen\u00e7a desses componentes ajuda a reconstruir o modo como a embarca\u00e7\u00e3o poderia ser conduzida. Em muitos naufr\u00e1gios, s\u00f3 restam fragmentos do casco ou materiais resistentes, e detalhes de madeira desaparecem antes de serem registrados.<\/p>\n\n\n\n<div>As principais pistas consideradas na identifica\u00e7\u00e3o do navio incluem:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Casco preservado:<\/strong> grande parte da forma da embarca\u00e7\u00e3o permanece reconhec\u00edvel.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mastro:<\/strong> estrutura que ajuda a compreender o uso de vela.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Lemes:<\/strong> elementos importantes para estudar a dire\u00e7\u00e3o do barco.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Bancos:<\/strong> pe\u00e7as ligadas ao trabalho dos remadores.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Profundidade:<\/strong> ambiente com pouco oxig\u00eanio favoreceu a conserva\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a href=\"https:\/\/cordis.europa.eu\/article\/id\/124231-trending-science-scientists-discover-worlds-oldest-intact-shipwreck\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>servi\u00e7o cient\u00edfico da Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/a> tamb\u00e9m descreve a embarca\u00e7\u00e3o como mercante e informa comprimento aproximado de <strong>23 metros<\/strong>. Isso n\u00e3o significa que sua carga j\u00e1 tenha sido identificada com seguran\u00e7a: os registros divulgados mant\u00eam quest\u00f5es em aberto sobre o conte\u00fado transportado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como foi poss\u00edvel examinar e datar o naufr\u00e1gio?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa usou <strong>sonares, c\u00e2meras e ve\u00edculos operados remotamente<\/strong> para observar o fundo do mar sem depender de mergulhadores naquela profundidade. Essas ferramentas permitiram registrar o local e comparar a estrutura do navio com embarca\u00e7\u00f5es representadas na <strong>cer\u00e2mica grega antiga<\/strong>, incluindo cenas ligadas \u00e0 viagem de Odisseu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um <strong>pequeno fragmento de madeira<\/strong> foi submetido \u00e0 <strong>data\u00e7\u00e3o por carbono-14<\/strong>. O resultado situou o navio por volta de <strong>400 a.C.<\/strong>, aproximadamente 2.400 anos antes do an\u00fancio feito em 2018. A idade veio do material analisado, n\u00e3o apenas de uma compara\u00e7\u00e3o visual com desenhos de barcos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-275634\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/navio3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O achado oferece uma oportunidade rara de estudar como eram constru\u00eddos os navios na Antiguidade &#8211; IMAGEM ILUSTRATIVA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que ainda n\u00e3o se sabe sobre a viagem?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com o <strong>casco e os componentes preservados<\/strong>, a equipe n\u00e3o pode afirmar qual era a rota completa do navio, de onde saiu ou para quem levava mercadorias. A identifica\u00e7\u00e3o como embarca\u00e7\u00e3o comercial \u00e9 uma interpreta\u00e7\u00e3o apoiada no formato e no conhecimento sobre navega\u00e7\u00e3o antiga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os registros publicados tamb\u00e9m n\u00e3o trazem uma <strong>lista comprovada de toda a carga<\/strong>. Para estudar esses detalhes seriam necess\u00e1rias evid\u00eancias adicionais e procedimentos cuidadosos. A grande profundidade, embora tenha favorecido a preserva\u00e7\u00e3o, torna qualquer nova investiga\u00e7\u00e3o <strong>tecnicamente complexa<\/strong> e exige equipamentos especializados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O achado permite entender melhor a navega\u00e7\u00e3o antiga<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ancient_Black_Sea_shipwrecks\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>descobertas de naufr\u00e1gios no Mar Negro<\/strong><\/a> oferecem registros materiais de viagens e trocas comerciais. O novo achado aproxima desenhos antigos da estrutura real de um barco, mostrando que <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/09\/26\/uma-lampada-grega-de-2-400-anos-foi-moldada-como-um-navio-de-guerra-e-ate-o-pavio-ficava-escondido-na-proa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>representa\u00e7\u00f5es de navios gregos<\/strong><\/a> podem ajudar a formular perguntas, mas n\u00e3o substituir o exame das pe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo de um <strong>navio preservado em \u00e1guas profundas<\/strong> amplia o conhecimento sobre constru\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o mar\u00edtima no mundo antigo. Ao mesmo tempo, deixa claro o limite da descoberta: <strong>preserva\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria n\u00e3o equivale a conhecimento completo<\/strong> sobre a rota, a tripula\u00e7\u00e3o ou o destino da viagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um navio grego de 2.400 anos foi localizado a mais de 2 quil\u00f4metros de profundidade no Mar Negro, perto da Bulg\u00e1ria. O casco e partes da estrutura sobreviveram gra\u00e7as \u00e0 \u00e1gua profunda, com quase nenhum oxig\u00eanio. O achado permite estudar uma embarca\u00e7\u00e3o antes conhecida principalmente por representa\u00e7\u00f5es antigas. 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