{"id":274875,"date":"2026-10-21T14:37:00","date_gmt":"2026-10-21T17:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=274875"},"modified":"2026-10-20T10:43:55","modified_gmt":"2026-10-20T13:43:55","slug":"vasos-de-bronze-de-2-500-anos-guardavam-uma-substancia-pegajosa-e-novos-testes-apontam-para-mel-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/21\/vasos-de-bronze-de-2-500-anos-guardavam-uma-substancia-pegajosa-e-novos-testes-apontam-para-mel-antigo\/","title":{"rendered":"Vasos de bronze de 2.500 anos guardavam uma subst\u00e2ncia pegajosa, e novos testes apontam para mel antigo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vasos de <strong>bronze com cerca de 2.500 anos<\/strong>, encontrados em um santu\u00e1rio de <strong>Paestum, na It\u00e1lia<\/strong>, guardavam um res\u00edduo pegajoso. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de d\u00favidas, novos testes localizaram <strong>a\u00e7\u00facares e prote\u00ednas ligadas \u00e0s abelhas<\/strong>, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de que o material teria inclu\u00eddo mel oferecido em um antigo ritual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Onde apareceram os vasos com a subst\u00e2ncia misteriosa?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os recipientes foram encontrados em 1954, num <strong>santu\u00e1rio subterr\u00e2neo de Paestum<\/strong>, antiga cidade de origem grega na atual It\u00e1lia. A estrutura \u00e9 situada entre <strong>530 e 510 a.C.<\/strong> e continha vasos de bronze com uma massa espessa de apar\u00eancia pouco familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a descoberta, o local sugeria a possibilidade de uma <strong>oferenda feita aos deuses<\/strong>. Na Antiguidade, o mel tinha valor alimentar e ritual, mas o <strong>aspecto de um res\u00edduo envelhecido<\/strong> n\u00e3o bastava para dizer exatamente quais subst\u00e2ncias foram depositadas ali. O rito exato n\u00e3o foi registrado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274882\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Novas t\u00e9cnicas de an\u00e1lise trouxeram pistas que n\u00e3o haviam sido identificadas nos primeiros estudos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A primeira identifica\u00e7\u00e3o mudou com an\u00e1lises posteriores<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente, arque\u00f3logos interpretaram a subst\u00e2ncia como poss\u00edvel <strong>mel preservado nos vasos<\/strong>. Depois, tr\u00eas equipes que analisaram o material ao longo de d\u00e9cadas n\u00e3o confirmaram essa ideia e sugeriram <strong>misturas de ceras, gorduras ou resinas<\/strong>, acompanhadas de outros res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<div>As interpreta\u00e7\u00f5es passaram por tr\u00eas momentos documentados:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Descoberta em 1954:<\/strong> o contexto religioso levou \u00e0 suspeita inicial de mel.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>An\u00e1lises antigas:<\/strong> os resultados qu\u00edmicos n\u00e3o confirmaram essa identifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exames de 2025:<\/strong> novas t\u00e9cnicas encontraram pistas moleculares de produtos das abelhas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando as amostras chegaram ao <strong>Museu Ashmolean, em Oxford<\/strong>, uma nova equipe p\u00f4de reexaminar o problema. A quest\u00e3o deixou de depender apenas da apar\u00eancia ou da ideia de oferenda: passou a envolver a <strong>composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica preservada<\/strong>. Assim, a mesma massa recebeu explica\u00e7\u00f5es distintas conforme as ferramentas dispon\u00edveis em cada \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/20\/arqueologos-encontram-vestigios-de-uma-moradia-de-13-800-anos-no-alasca-com-fogueira-forno-de-terra-e-agulhas-de-osso-que-revelam-como-viviam-os-primeiros-habitantes-da-regiao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arque\u00f3logos encontram vest\u00edgios de uma moradia de 13.800 anos no Alasca, com fogueira, forno de terra e agulhas de osso que revelam como viviam os primeiros habitantes da regi\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais subst\u00e2ncias sugerem que havia mel?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a <a href=\"https:\/\/www.acs.org\/pressroom\/presspacs\/2025\/july\/is-this-what-2500-year-old-honey-looks-like.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>American Chemical Society<\/strong><\/a>, os pesquisadores identificaram <strong>a\u00e7\u00facares do grupo das hexoses<\/strong>, sinais de a\u00e7\u00facar degradado junto ao cobre e <strong>prote\u00ednas associadas \u00e0 geleia real<\/strong>, subst\u00e2ncia produzida por abelhas. A investiga\u00e7\u00e3o incluiu sinais qu\u00edmicos que resistiram \u00e0 passagem do tempo, apesar da degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, publicado no <a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/jacs.5c04888\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Journal of the American Chemical Society<\/strong><\/a>, tamb\u00e9m encontrou semelhan\u00e7as qu\u00edmicas com <strong>mel e cera de abelha<\/strong> atuais. A composi\u00e7\u00e3o antiga era mais complexa, o que ajuda a explicar por que os exames anteriores chegaram a conclus\u00f5es diferentes. S\u00e3o sinais analisados em conjunto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274884\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/baldes3-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O achado mostra como pequenas quantidades de material podem revelar antigos h\u00e1bitos alimentares<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O novo teste prova que os vasos continham apenas mel?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o.<\/strong> Os dados apoiam a hip\u00f3tese de que havia <strong>mel ou favos de mel<\/strong> entre os conte\u00fados originais. Contudo, os pesquisadores n\u00e3o descartam a presen\u00e7a de <strong>outros produtos das abelhas<\/strong> e de subst\u00e2ncias que se alteraram durante os s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contato prolongado com o metal e as mudan\u00e7as naturais da mat\u00e9ria dificultam recuperar a receita inicial. Assim, dizer que a mistura tinha mel \u00e9 diferente de afirmar que o vaso continha <strong>mel puro, sem ingredientes adicionais<\/strong>. Por isso, os dados indicam possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os recipientes ajudam a entender antigos rituais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A antiga <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Paestum\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Paestum<\/strong><\/a> foi uma cidade grega do sul da It\u00e1lia antes de passar por outras fases hist\u00f3ricas. Seus espa\u00e7os religiosos preservaram objetos que ajudam a investigar <strong>oferendas e pr\u00e1ticas de culto<\/strong> sem precisar imaginar cerim\u00f4nias n\u00e3o documentadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo n\u00e3o identifica quem levou os vasos ao santu\u00e1rio nem o motivo exato do gesto. A exist\u00eancia de um recipiente com prov\u00e1vel mel, por\u00e9m, mostra como <strong>produtos naturais valorizados<\/strong> podiam entrar na rela\u00e7\u00e3o entre comunidades e seus lugares sagrados. N\u00e3o se conhece a cerim\u00f4nia exata.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma d\u00favida antiga ganhou uma resposta mais precisa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais importante \u00e9 a sequ\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o: <strong>uma identifica\u00e7\u00e3o inicial foi contestada<\/strong>, e novas ferramentas ofereceram evid\u00eancias antes indispon\u00edveis. Esse processo mostra como museus e laborat\u00f3rios podem revisar conclus\u00f5es antigas sem apagar as d\u00favidas que permanecem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O res\u00edduo j\u00e1 n\u00e3o precisa ser tratado como uma massa completamente desconhecida. Hoje, os sinais de <strong>a\u00e7\u00facares e prote\u00ednas de abelhas<\/strong> sustentam a presen\u00e7a de mel, enquanto a composi\u00e7\u00e3o completa da oferenda ainda exige <strong>cuidado na interpreta\u00e7\u00e3o<\/strong>. O caso tamb\u00e9m exemplifica a utilidade de conservar amostras para an\u00e1lises futuras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vasos de bronze com cerca de 2.500 anos, encontrados em um santu\u00e1rio de Paestum, na It\u00e1lia, guardavam um res\u00edduo pegajoso. 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