{"id":274874,"date":"2026-10-21T08:17:00","date_gmt":"2026-10-21T11:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=274874"},"modified":"2026-10-20T10:43:57","modified_gmt":"2026-10-20T13:43:57","slug":"pesquisadores-extraem-dna-de-um-tijolo-de-2-900-anos-e-identificam-vestigios-de-34-grupos-de-plantas-preservados-no-barro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/21\/pesquisadores-extraem-dna-de-um-tijolo-de-2-900-anos-e-identificam-vestigios-de-34-grupos-de-plantas-preservados-no-barro\/","title":{"rendered":"Pesquisadores extraem DNA de um tijolo de 2.900 anos e identificam vest\u00edgios de 34 grupos de plantas preservados no barro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um <strong>tijolo de 2.900 anos<\/strong>, retirado do pal\u00e1cio de <strong>Assurnasirpal II<\/strong>, em <strong>Nimrud<\/strong>, no atual Iraque, guardou DNA de <strong>34 grupos de plantas<\/strong>. A descoberta aconteceu ap\u00f3s pesquisadores examinarem o interior do barro e mostrou que at\u00e9 uma pe\u00e7a cotidiana de constru\u00e7\u00e3o pode conservar pistas sobre a vegeta\u00e7\u00e3o antiga.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como um tijolo de Nimrud guardou DNA por tantos s\u00e9culos?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tijolo veio do pal\u00e1cio noroeste da antiga cidade ass\u00edria de <strong>Kalhu, hoje Nimrud<\/strong>. Segundo a <a href=\"https:\/\/www.ox.ac.uk\/news\/2023-08-22-researchers-extract-ancient-dna-2900-year-old-clay-brick-revealing-time-capsule\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Universidade de Oxford<\/strong><\/a>, sua inscri\u00e7\u00e3o em escrita cuneiforme menciona <strong>Assurnasirpal II<\/strong> e permite situar a fabrica\u00e7\u00e3o aproximadamente entre <strong>879 e 869 a.C.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os artes\u00e3os misturavam barro com materiais vegetais, como palha, e deixavam as pe\u00e7as <strong>secar ao sol<\/strong>. Como esse tijolo <strong>n\u00e3o foi queimado num forno<\/strong>, fragmentos de material gen\u00e9tico puderam permanecer protegidos no seu interior durante muitos s\u00e9culos. Essa secagem tamb\u00e9m explica por que a composi\u00e7\u00e3o do barro merece aten\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274892\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra2-3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A descoberta mostra como objetos comuns podem preservar vest\u00edgios que ningu\u00e9m imaginava encontrar<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A coleta ocorreu numa parte interna da pe\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, durante um trabalho de digitaliza\u00e7\u00e3o no <strong>Museu Nacional da Dinamarca<\/strong>, pesquisadores recolheram amostras de uma <strong>fratura que exp\u00f4s o interior<\/strong> do objeto. Assim, reduziram o risco de analisar somente material depositado na superf\u00edcie em tempos recentes.<\/p>\n\n\n\n<div>O caminho da investiga\u00e7\u00e3o reuniu etapas que ajudam a entender o resultado:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Origem conhecida:<\/strong> a inscri\u00e7\u00e3o ligou o tijolo ao pal\u00e1cio ass\u00edrio e a uma \u00e9poca espec\u00edfica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Amostra protegida:<\/strong> o barro foi examinado na regi\u00e3o interna da fratura.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Extra\u00e7\u00e3o de DNA:<\/strong> t\u00e9cnicas de laborat\u00f3rio recuperaram pequenos fragmentos de material gen\u00e9tico.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Compara\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica:<\/strong> as sequ\u00eancias foram relacionadas a diferentes grupos de plantas.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho n\u00e3o identificou um jardim inteiro ou todas as esp\u00e9cies daquela paisagem. Ele mostrou que a <strong>argila pode guardar vest\u00edgios biol\u00f3gicos<\/strong> que sobrevivem muito al\u00e9m da vida das plantas e dos construtores. No estudo, a proced\u00eancia do objeto foi t\u00e3o importante quanto os resultados laboratoriais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais plantas apareceram nos exames?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-023-38191-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Scientific Reports<\/strong><\/a> descreve <strong>34 grupos taxon\u00f4micos<\/strong>, classifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o equivale necessariamente a 34 esp\u00e9cies. Entre as sequ\u00eancias mais abundantes estavam plantas relacionadas \u00e0s fam\u00edlias da <strong>couve e da urze<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m surgiram grupos ligados a <strong>b\u00e9tulas, loureiros, gram\u00edneas e carvalhos<\/strong>. Algumas plantas poderiam integrar o ambiente, enquanto outras poderiam chegar \u00e0 massa por <strong>palha, restos vegetais ou esterco<\/strong>. Portanto, a presen\u00e7a de DNA n\u00e3o comprova cultivo no pr\u00f3prio pal\u00e1cio. N\u00e3o s\u00e3o necessariamente nomes de esp\u00e9cies individuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/20\/arqueologos-encontram-vestigios-de-uma-moradia-de-13-800-anos-no-alasca-com-fogueira-forno-de-terra-e-agulhas-de-osso-que-revelam-como-viviam-os-primeiros-habitantes-da-regiao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arque\u00f3logos encontram vest\u00edgios de uma moradia de 13.800 anos no Alasca, com fogueira, forno de terra e agulhas de osso que revelam como viviam os primeiros habitantes da regi\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O achado amplia as formas de investigar a natureza antiga<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um objeto arquitet\u00f4nico pode trazer informa\u00e7\u00e3o sobre o mundo natural porque seus componentes foram recolhidos de um ambiente real. Na antiga <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nimrud\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>cidade de Nimrud<\/strong><\/a>, o barro provavelmente vinha de \u00e1reas pr\u00f3ximas ao <strong>rio Tigre<\/strong>, misturado a materiais dispon\u00edveis para a constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe reuniu conhecimentos de <strong>arqueologia, hist\u00f3ria e gen\u00e9tica<\/strong>. Esse cruzamento ajuda a comparar os sinais encontrados no barro com descri\u00e7\u00f5es antigas e dados de plantas modernas, mas n\u00e3o permite reconstruir sozinho a <strong>vegeta\u00e7\u00e3o completa da regi\u00e3o<\/strong>. O trabalho considerou essa combina\u00e7\u00e3o de registros para evitar conclus\u00f5es fora do contexto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274893\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/pedra3-3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O estudo abriu novas possibilidades para investigar plantas que existiam em regi\u00f5es ocupadas por povos antigos<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9 poss\u00edvel repetir a an\u00e1lise em outros monumentos?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores veem nesse resultado uma <strong>prova de que a t\u00e9cnica funciona<\/strong> em determinadas pe\u00e7as de argila. Como tijolos aparecem em muitos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, materiais semelhantes podem oferecer novas pistas quando sua <strong>origem e conserva\u00e7\u00e3o<\/strong> s\u00e3o bem documentadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, pe\u00e7as queimadas, contaminadas ou expostas a condi\u00e7\u00f5es diferentes podem apresentar resultados piores. Cada caso exige <strong>coleta controlada e compara\u00e7\u00e3o cuidadosa<\/strong>, porque material gen\u00e9tico antigo costuma estar fragmentado e pode se misturar com sinais mais recentes. Os testes futuros precisar\u00e3o distinguir sempre o DNA antigo de poss\u00edveis contamina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tijolo virou uma fonte sobre seu pr\u00f3prio tempo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inscri\u00e7\u00e3o j\u00e1 contava quem mandara construir aquele pal\u00e1cio. Agora, o DNA acrescentou uma informa\u00e7\u00e3o inesperada: <strong>vest\u00edgios de plantas no barro<\/strong> sobreviveram por quase tr\u00eas mil\u00eanios. O valor da descoberta est\u00e1 na combina\u00e7\u00e3o entre <strong>data hist\u00f3rica conhecida<\/strong> e sinais biol\u00f3gicos recuperados de uma pe\u00e7a comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tijolo n\u00e3o revelou sozinho todas as plantas cultivadas pelos ass\u00edrios, mas mostrou um novo caminho de pesquisa. Em vez de observar apenas edif\u00edcios e ferramentas, os arque\u00f3logos tamb\u00e9m podem procurar <strong>marcas da vida natural<\/strong> guardadas nos pr\u00f3prios materiais de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um tijolo de 2.900 anos, retirado do pal\u00e1cio de Assurnasirpal II, em Nimrud, no atual Iraque, guardou DNA de 34 grupos de plantas. 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