{"id":274180,"date":"2026-10-18T14:57:00","date_gmt":"2026-10-18T17:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=274180"},"modified":"2026-10-17T23:18:24","modified_gmt":"2026-10-18T02:18:24","slug":"pessoas-que-montam-um-objeto-com-as-proprias-maos-podem-dar-a-ele-mais-valor-do-que-quem-apenas-comprou-pronto-segundo-a-psicologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/10\/18\/pessoas-que-montam-um-objeto-com-as-proprias-maos-podem-dar-a-ele-mais-valor-do-que-quem-apenas-comprou-pronto-segundo-a-psicologia\/","title":{"rendered":"Pessoas que montam um objeto com as pr\u00f3prias m\u00e3os podem dar a ele mais valor do que quem apenas comprou pronto, segundo a psicologia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>efeito IKEA<\/strong> ajuda a explicar por que uma estante montada em casa pode parecer mais valiosa para quem apertou os parafusos do que para quem recebeu tudo pronto. Em <strong>quatro estudos<\/strong>, pesquisadores encontraram maior valoriza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es, sobretudo quando a montagem foi <strong>conclu\u00edda com sucesso<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o efeito IKEA muda o valor de um objeto?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma pessoa monta uma estante, ela n\u00e3o v\u00ea apenas a madeira e os parafusos. Tamb\u00e9m reconhece o trabalho que fez e a dificuldade que superou. O <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/09\/18\/aquele-movel-que-voce-montou-sozinho-pode-parecer-melhor-do-que-realmente-e-e-a-psicologia-ja-deu-um-nome-para-isso\/\"><strong>efeito IKEA<\/strong><\/a> descreve a tend\u00eancia de atribuir <strong>valor maior \u00e0 pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o<\/strong>, mesmo sem melhora objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno tamb\u00e9m aparece em atividades que n\u00e3o envolvem m\u00f3veis. A <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IKEA_effect\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>descri\u00e7\u00e3o do efeito IKEA<\/strong><\/a> re\u00fane esse tipo de prefer\u00eancia por produtos feitos ou montados pela pr\u00f3pria pessoa. Esse valor \u00e9 subjetivo: uma pe\u00e7a comum n\u00e3o se torna <strong>tecnicamente superior<\/strong> apenas por exigir esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274191\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/estudo23.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Participar da cria\u00e7\u00e3o de algo pode despertar um sentimento de orgulho que vai al\u00e9m do valor do objeto<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quatro estudos investigaram o trabalho manual<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Michael Norton, Daniel Mochon e Dan Ariely analisaram caixas de montagem, dobraduras e blocos de brinquedo. O <a href=\"https:\/\/dash.harvard.edu\/entities\/publication\/73120378-ce76-6bd4-e053-0100007fdf3b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>estudo disponibilizado por Harvard<\/strong><\/a> foi publicado em 2012 no <em>Journal of Consumer Psychology<\/em> e reuniu <strong>quatro experimentos<\/strong> com tarefas simples.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Participantes atribu\u00edram valor elevado \u00e0s pr\u00f3prias constru\u00e7\u00f5es e, em certos testes, avaliaram suas dobraduras amadoras de modo pr\u00f3ximo a trabalhos de especialistas. Isso n\u00e3o mostra que fossem igualmente bem-feitas. Mostra uma diferen\u00e7a entre <strong>valor percebido<\/strong> e <strong>qualidade avaliada por terceiros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que acontece quando a montagem n\u00e3o termina?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores observaram um limite importante: a <strong>valoriza\u00e7\u00e3o extra<\/strong> diminuiu quando a pessoa n\u00e3o conseguia terminar o objeto. O mesmo ocorreu quando ela constru\u00eda a pe\u00e7a e depois precisava desmont\u00e1-la. O resultado aponta para a import\u00e2ncia de <strong>ver o trabalho conclu\u00eddo<\/strong> e reconhecer sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o quer dizer que toda tarefa incompleta perde valor sentimental. Os testes avaliaram situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de constru\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o a pagar. A conclus\u00e3o mais segura \u00e9 que <strong>concluir com sucesso<\/strong> foi essencial para o efeito encontrado nos experimentos, sem provar uma <strong>regra universal<\/strong> sobre apego.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O apego pode aparecer em v\u00e1rias cria\u00e7\u00f5es caseiras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno fica f\u00e1cil de perceber quando uma pe\u00e7a simples exige aten\u00e7\u00e3o pessoal. Uma dobradura feita durante uma tarde pode parecer especial, embora outra semelhante esteja \u00e0 venda. O <strong>tempo investido na cria\u00e7\u00e3o<\/strong> pode influenciar a avalia\u00e7\u00e3o, sobretudo se houver <strong>resultado pronto<\/strong> para usar ou guardar.<\/p>\n\n\n\n<div>Algumas situa\u00e7\u00f5es ajudam a reconhecer essa diferen\u00e7a de valor:<\/div>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Estante:<\/strong> o m\u00f3vel montado em casa pode despertar mais apego.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Dobradura:<\/strong> o trabalho feito \u00e0 m\u00e3o ganha import\u00e2ncia pessoal.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Decora\u00e7\u00e3o:<\/strong> uma pe\u00e7a simples lembra a dedica\u00e7\u00e3o ao acabamento.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Brinquedo:<\/strong> blocos encaixados pelo pr\u00f3prio dono podem parecer especiais.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/29080469\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>pesquisa publicada na revista Cognition<\/strong><\/a> encontrou valoriza\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias tamb\u00e9m entre crian\u00e7as. Seus resultados sugerem que esfor\u00e7o e propriedade, isoladamente, n\u00e3o explicam todo o fen\u00f4meno. \u00c9 uma evid\u00eancia complementar, com <strong>participantes e procedimentos diferentes<\/strong> daqueles do estudo original.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-274193\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3-750x421.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/objetos3-3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A psicologia explica por que tendemos a valorizar mais aquilo que ajudamos a construir<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como separar carinho pessoal de qualidade?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel gostar muito de uma mesa que ficou torta e, ao mesmo tempo, reconhecer que precisa de ajuste. O <strong>apego \u00e0 pr\u00f3pria montagem<\/strong> n\u00e3o substitui medidas de seguran\u00e7a, firmeza, acabamento e durabilidade. Para comprar ou vender algo, tamb\u00e9m importa observar <strong>pre\u00e7os de pe\u00e7as semelhantes<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma forma simples de fazer essa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 imaginar <strong>o mesmo objeto<\/strong> pronto, mas montado por outra pessoa. Se o valor mudar muito s\u00f3 porque houve participa\u00e7\u00e3o pessoal, o efeito pode estar presente. Isso \u00e9 uma <strong>pergunta pr\u00e1tica de reflex\u00e3o<\/strong>, n\u00e3o um teste capaz de medir o fen\u00f4meno individualmente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O esfor\u00e7o pode aumentar o afeto pela pe\u00e7a pronta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito IKEA ajuda a entender por que criar algo pode produzir orgulho e prefer\u00eancia. Nos experimentos, por\u00e9m, o resultado dependeu de <strong>concluir a atividade<\/strong>. A valoriza\u00e7\u00e3o encontrada descreve a opini\u00e3o de quem produziu a pe\u00e7a, n\u00e3o uma garantia de que outras pessoas pagar\u00e3o <strong>mais dinheiro<\/strong> por ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guardar uma dobradura ou preferir uma estante montada em casa pode ser uma escolha afetiva leg\u00edtima. Para avaliar utilidade, seguran\u00e7a e custo, vale olhar tamb\u00e9m para crit\u00e9rios externos. Assim, o <strong>valor sentimental<\/strong> continua presente sem ser confundido com a <strong>qualidade real do objeto<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O efeito IKEA ajuda a explicar por que uma estante montada em casa pode parecer mais valiosa para quem apertou os parafusos do que para quem recebeu tudo pronto. 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