{"id":244202,"date":"2026-07-09T12:55:00","date_gmt":"2026-07-09T15:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=244202"},"modified":"2026-07-08T11:52:18","modified_gmt":"2026-07-08T14:52:18","slug":"homem-que-procurava-um-animal-perdido-no-deserto-acabou-encontrando-pergaminhos-de-2-mil-anos-que-mudariam-o-estudos-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/07\/09\/homem-que-procurava-um-animal-perdido-no-deserto-acabou-encontrando-pergaminhos-de-2-mil-anos-que-mudariam-o-estudos-da-biblia\/","title":{"rendered":"Homem que procurava um animal perdido no deserto acabou encontrando pergaminhos de 2 mil anos que mudariam o estudos da B\u00edblia"},"content":{"rendered":"\n<p>Um som de barro quebrando dentro de uma caverna mudou a hist\u00f3ria da arqueologia. Em 1947, perto de Qumran, no Deserto da Judeia, um jovem pastor bedu\u00edno encontrou jarros antigos que guardavam pergaminhos esquecidos por cerca de 2 mil anos. A descoberta dos <strong>Manuscritos do Mar Morto<\/strong> abriu uma janela rara para a B\u00edblia, a religi\u00e3o e o mundo judaico antigo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A descoberta come\u00e7ou por acaso no Deserto da Judeia<\/h2>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o onde tudo aconteceu fica entre as colinas da Judeia e o Mar Morto, em uma paisagem \u00e1rida, marcada por cavernas de calc\u00e1rio e penhascos. Ali, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, circularam narrativas b\u00edblicas fortes, como a fuga de Davi do rei Saul e as tenta\u00e7\u00f5es de Jesus no deserto.<\/p>\n\n\n\n<p>Conta-se que um pastor da tribo Ta\u2019amireh procurava um animal perdido quando lan\u00e7ou uma pedra dentro de uma caverna. O barulho de jarros se quebrando revelou algo inesperado: recipientes de barro, alguns ainda tampados, com pergaminhos antigos envoltos em linho e escurecidos pelo tempo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10-1024x576.jpg\" alt=\"Homem que procurava um animal perdido no deserto acabou encontrando pergaminhos de 2 mil anos que mudariam o estudos da B\u00edblia\" class=\"wp-image-244537\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/18-10.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cavernas des\u00e9rticas abrigaram segredos hist\u00f3ricos valiosos por dois mil anos.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que os pergaminhos chamaram tanta aten\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os primeiros manuscritos foram levados a Kando, negociante de antiguidades de Bel\u00e9m, e depois passaram por outros intermedi\u00e1rios. Parte deles chegou ao Arcebispo Samuel, do Mosteiro Ortodoxo S\u00edrio de S\u00e3o Marcos, em Jerusal\u00e9m, enquanto outros foram avaliados pelo professor Eliezer Lipa Sukenik, da Universidade Hebraica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sukenik percebeu rapidamente a import\u00e2ncia do material ao reconhecer textos em hebraico antigo. Em seu di\u00e1rio, registrou a emo\u00e7\u00e3o de tocar em um pergaminho que n\u00e3o era lido havia mais de 2 mil anos. A partir daquele momento, o achado deixou de ser curiosidade local e ganhou peso hist\u00f3rico mundial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que havia entre os primeiros sete manuscritos?<\/h2>\n\n\n\n<p>Os sete primeiros rolos inclu\u00edam textos b\u00edblicos e obras religiosas ligadas ao ambiente judaico do per\u00edodo. Entre eles estavam um manuscrito completo de Isa\u00edas, a <strong>Regra da Comunidade<\/strong>, um coment\u00e1rio sobre Habacuque, o Rolo da Guerra, o Rolo de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as e o Ap\u00f3crifo de G\u00eanesis.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns marcos ajudaram a transformar a descoberta em patrim\u00f4nio estudado no mundo inteiro:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Em 1948, John C. Trever fotografou tr\u00eas manuscritos do Mosteiro de S\u00e3o Marcos.<\/li>\n\n\n\n<li>Em 1954, quatro rolos foram anunciados \u00e0 venda no <em>Wall Street Journal<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li>Yigael Yadin comprou os rolos em nome do Estado de Israel.<\/li>\n\n\n\n<li>Em 1965, o Santu\u00e1rio do Livro foi criado para abrigar os sete pergaminhos.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Confira o v\u00eddeo compartilhado pelo canal do YouTube <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@CanalHistory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@henriquecaldeira\"><strong>Estranha Hist\u00f3ria<\/strong><\/a> falando sobre o Manuscrito do Mar Morto, a descoberta que revolucionou o estudo da b\u00edblia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"A descoberta que revolucionou os estudos da B\u00edblia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oRt9zdhyk40?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a descoberta cresceu depois de Qumran?<\/h2>\n\n\n\n<p>A not\u00edcia atraiu <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/07\/04\/arqueologos-encontram-uma-cidade-maia-inteira-perdida-no-meio-da-floresta-utilizando-mapeamento-a-laser\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">arque\u00f3logos <\/a><\/strong>e ca\u00e7adores de tesouros para as cavernas pr\u00f3ximas. Entre 1949 e 1956, Roland de Vaux, da \u00c9cole Biblique, e Gerald Lankester Harding, do Departamento de Antiguidades da Jord\u00e2nia, lideraram levantamentos e escava\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o de Qumran.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, milhares de fragmentos foram encontrados em outras cavernas, especialmente na Caverna 4, que reuniu partes de cerca de 500 manuscritos. Hoje, o conjunto conhecido como Manuscritos do Mar Morto re\u00fane mais de 900 textos em hebraico, aramaico e grego.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essa hist\u00f3ria ainda importa hoje?<\/h2>\n\n\n\n<p>A publica\u00e7\u00e3o dos textos foi lenta: por cerca de 40 anos, uma equipe pequena concentrou o estudo dos fragmentos. Nos anos 1990, a Autoridade de Antiguidades de Israel ampliou o trabalho, nomeou Emanuel Tov como editor-chefe e envolveu cerca de 100 estudiosos internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses manuscritos continuam urgentes porque mostram como um fragmento pode reabrir perguntas sobre f\u00e9, mem\u00f3ria e hist\u00f3ria. Preserv\u00e1-los \u00e9 proteger uma das maiores pontes entre o passado e o presente. Conhecer essa descoberta \u00e9 lembrar que a humanidade ainda tem muito a ouvir do sil\u00eancio das cavernas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um som de barro quebrando dentro de uma caverna mudou a hist\u00f3ria da arqueologia. Em 1947, perto de Qumran, no Deserto da Judeia, um jovem pastor bedu\u00edno encontrou jarros antigos que guardavam pergaminhos esquecidos por cerca de 2 mil anos. 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