{"id":240605,"date":"2026-07-04T14:55:00","date_gmt":"2026-07-04T17:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/?p=240605"},"modified":"2026-07-03T19:27:06","modified_gmt":"2026-07-03T22:27:06","slug":"mergulhadores-encontraram-mais-de-400-moedas-de-ouro-no-fundo-do-mar-e-levaram-30-anos-para-identificar-de-onde-elas-vieram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/07\/04\/mergulhadores-encontraram-mais-de-400-moedas-de-ouro-no-fundo-do-mar-e-levaram-30-anos-para-identificar-de-onde-elas-vieram\/","title":{"rendered":"Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram"},"content":{"rendered":"\n<p>Mais de 400 moedas de ouro espalhadas no fundo do mar pareciam, \u00e0 primeira vista, apenas um tesouro perdido. Mas a descoberta feita por mergulhadores na costa de Devon, na Inglaterra, escondia uma pergunta muito maior: de que navio vinha aquela riqueza, e por que ela havia parado ali?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O tesouro ficou d\u00e9cadas sem dono conhecido<\/h2>\n\n\n\n<p>A descoberta come\u00e7ou em 1995, quando mergulhadores encontraram moedas, joias e outros artefatos a cerca de 18 metros de profundidade. O conjunto indicava claramente um naufr\u00e1gio importante, mas nenhum objeto revelava de imediato o nome da embarca\u00e7\u00e3o perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>O mist\u00e9rio s\u00f3 foi resolvido ap\u00f3s quase 30 anos de investiga\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica e pesquisa hist\u00f3rica. Segundo a Universidade de Bournemouth, os pesquisadores identificaram o navio como o <strong>Dom van Keulen<\/strong>, mercante holand\u00eas que naufragou no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22-1024x576.jpg\" alt=\"Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram\" class=\"wp-image-241023\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-22.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Artefatos valiosos permaneceram escondidos no fundo do mar por trinta anos &#8211; Cr\u00e9ditos:  Museu Brit\u00e2nico<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma tigela simples mudou toda a investiga\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora as moedas de ouro chamassem mais aten\u00e7\u00e3o, a pista decisiva veio de objetos bem menos luxuosos. Uma tigela e uma colher de estanho recuperadas no local foram analisadas e apontaram origem holandesa, abrindo caminho para ligar o naufr\u00e1gio a registros antigos.<\/p>\n\n\n\n<p>O historiador mar\u00edtimo Ian Friel encontrou documentos que descreviam uma embarca\u00e7\u00e3o cuja carga combinava com os achados. Dave Parham, professor de arqueologia mar\u00edtima na Universidade de Bournemouth, ajudou a consolidar a identifica\u00e7\u00e3o do navio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A carga revelava uma rota comercial poderosa<\/h2>\n\n\n\n<p>As moedas, hoje em exibi\u00e7\u00e3o no <strong><a href=\"https:\/\/britishmuseum.iro.bl.uk\/concern\/books\/71a3cec9-80d9-4416-9261-56b9656cbf2b?__cf_chl_rt_tk=Z9v4YCs6aOG83YzwUva1aauXtQEA64sLLZo1P86cALk-1783021172-1.0.1.1-3ojKMJ8gOvO2Ms0bNoZiz6ATHOkWTacr_wptML6oA1E\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Museu Brit\u00e2nico<\/a><\/strong>, foram associadas \u00e0 Costa da Barb\u00e1ria, regi\u00e3o ligada ao atual Marrocos, e feitas com ouro puro da \u00c1frica Ocidental. A carga mostra como o com\u00e9rcio mar\u00edtimo conectava \u00c1frica, Marrocos, Pa\u00edses Baixos e Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os itens ligados ao <strong><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/2026\/06\/18\/um-naufragio-historico-em-cadiz-encontra-se-num-incrivel-estado-de-conservacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">naufr\u00e1gio<\/a><\/strong>, os pesquisadores identificaram materiais que ajudam a reconstruir n\u00e3o s\u00f3 o acidente, mas tamb\u00e9m a economia da \u00e9poca:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Mais de 400 moedas de ouro marroquinas;<\/li>\n\n\n\n<li>Joias de ouro dos s\u00e9culos XVI e XVII;<\/li>\n\n\n\n<li>Uma pepita de ouro puro;<\/li>\n\n\n\n<li>Canh\u00f5es, \u00e2ncoras e fragmentos do navio;<\/li>\n\n\n\n<li>Cer\u00e2mica, favas e p\u00edlulas revestidas de resina.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24-1024x576.jpg\" alt=\"Mergulhadores encontraram mais de 400 moedas de ouro no fundo do mar e levaram 30 anos para identificar de onde elas vieram\" class=\"wp-image-241022\" srcset=\"https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24-750x422.jpg 750w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24-1140x641.jpg 1140w, https:\/\/www.em.com.br\/emfoco\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/imagem_2026-07-03T03-02-24.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Moedas africanas comprovam conex\u00f5es comerciais poderosas entre continentes antigos &#8211; Cr\u00e9ditos:  Museu Brit\u00e2nico<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essa descoberta tem import\u00e2ncia internacional?<\/h2>\n\n\n\n<p>O valor do achado vai muito al\u00e9m do ouro. Segundo informa\u00e7\u00f5es divulgadas pelo Museu Brit\u00e2nico, a descoberta ajuda a entender como mercadores holandeses trocavam produtos manufaturados por ouro africano, que depois podia ser derretido e transformado em moeda europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Jeremy Hill, chefe de pesquisa do Museu Brit\u00e2nico, destacou que encontrar ouro africano no fundo do mar, diante da costa de Devon, levantou quest\u00f5es profundas sobre circula\u00e7\u00e3o de riqueza, com\u00e9rcio e naufr\u00e1gios. A resposta exigiu uma equipe ampla de especialistas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O mar ainda guarda hist\u00f3rias urgentes<\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo com a identifica\u00e7\u00e3o do <strong>Dom van Keulen<\/strong>, muitas perguntas continuam abertas. N\u00e3o h\u00e1 pintura conhecida do navio, e suas dimens\u00f5es s\u00f3 podem ser estimadas pela \u00e1rea ocupada pelos destro\u00e7os, que se espalhavam por cerca de 30 metros no fundo do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa descoberta lembra que o passado n\u00e3o est\u00e1 parado nos livros: ele pode estar enterrado na areia, coberto pela \u00e1gua e esperando ser decifrado. Preservar pesquisas arqueol\u00f3gicas \u00e9 urgente, porque cada naufr\u00e1gio pode reescrever uma parte esquecida da hist\u00f3ria humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 400 moedas de ouro espalhadas no fundo do mar pareciam, \u00e0 primeira vista, apenas um tesouro perdido. Mas a descoberta feita por mergulhadores na costa de Devon, na Inglaterra, escondia uma pergunta muito maior: de que navio vinha aquela riqueza, e por que ela havia parado ali? 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